Calamidade pública em Alagoas e Pernambuco
Chuva destrói 11.400 casas em AL; bombeiros comparam estrago ao de um tsunami
Fábio Guibu
Enviado Especial a União dos Palmares (AL)
Centenas de casas, lojas e prédios públicos que ficavam ao longo de uma faixa de 60 km às margens do rio Mundaú, no interior de Alagoas, foram destruídos com as cheias que atingiram a região durante o fim de semana. Em todo o Estado, 11.400 casas vieram abaixo.
Nas cidades de União dos Palmares e Branquinha (69 km de Maceió), o cenário é de terra arrasada. O nível do rio subiu pelo menos cinco metros e devastou tudo o que havia nas margens. A lama cobriu as ruas e o asfalto soltou-se em placas. Árvores e postes foram arrancados do chão.
Bombeiros comparam o estrago nas cidades a um causado por um tsunami. Desde sexta-feira, várias cidades estão sem água e energia elétrica. Trinta e oito pessoas morreram em Alagoas e Pernambuco.
"Perdi tudo de uma hora para outra", disse o servente de pedreiro Nelito Ribeiro de Sousa, 32, morador  de União dos Palmares (62 mil habitantes, 80 km de Alagoas). "A água veio rápido, derrubando casa por casa." 
Ontem (21), com o rio de volta ao seu nível normal, desabrigados carregavam sacos nas costas e empurravam carrinhos de mão.
Procuravam localizar indícios de suas casas para recolher algum objeto de algum valor que não tivesse sido levado, de eletrodomésticos a botijões de gás.
Alguns montaram acampamentos nas ruas para evitar saques. Muitos aproveitaram-se da situação para recolher, principalmente, portões e fios de cobre que encontravam nos destroços.
Em União dos Palmares, nas escolas transformadas em abrigos para flagelados, famílias dividem pequenos espaços delimitados por sucata e carteiras escolares. Sobre colchões úmidos e sujos de lama, crianças e cachorros dormem lado a lado.
Segundo a médica Angela Auto, crianças apresentam diarreia, e a gripe começa a se disseminar entre  elas. Ela teme também que as águas espalhem lepstospirose.
O governo federal deve definir na próxima terça-feira o valor que será repassado emergencialmente para ajudar os Estados de Alagoas e Pernambuco no enfrentamento das enchentes. 
Pernambuco
A situação também era precária no sul de Pernambuco, principalmente em Palmares (a 129 km de Recife), onde o rio Una transbordou. A correnteza derrubou duas pontes, provocando a interdição da BR-101.
A pensionista Anamara da Silva, 65, relata o caos: "Tá uma fome que só Deus sabe".
Ela conta que mesmo quem tem dinheiro não consegue comprar comida. Nos poucos lugares em que ainda há mantimentos, os preços subiram: galões de água mineral, antes vendidos por R$ 3,50, agora custam R$ 20.
"Agora, a maior necessidade é de água, comida e roupas.  
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Do G1, em São Paulo

Vários pontos de arrecadação de donativos para as vítimas das chuvas foram montados em Alagoas e em Pernambuco. Nos dois estados, 38 pessoas morreram e mais de 68 mil tiveram de deixar suas casas por causa das enchentes.

Alagoas:
O Corpo de Bombeiros oferece duas contas para doações em dinheiro: Banco do Brasil, agência 3557-2, conta corrente 5241-8, e na Caixa Econômica Federal, agência 2735, operação 006, conta 955/6.

Adicionar comentário