Governo mostra provas da presença da guerrilha e localização de acampamentos
O Globo
'BOGOTÁ. A Colômbia acusou ontem a Venezuela de tolerar a presença de guerrilheiros em seu território, apresentando vídeos e coordenadas dos acampamentos de líderes rebeldes no país vizinho, num episódio que deve aumentar a tensão entre os dois governos. Entre os guerrilheiros escondidos na Venezuela estariam Iván Márquez, Rodrigo Granda, Timoleón Jiménez (o Timochenko) e Germán Briceño (Grannobles), das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assim como Carlos Marín Guarín e outros integrantes do Exército de Libertação Nacional (ELN).
— A razão para a deterioração nas relações entre a Venezuela e a Colômbia é a contínua e permanente tolerância da presença de terroristas naquele país — afirmou o ministro da Defesa, Gabriel Silva.
O ministro reuniu um grupo de diretores de meios de comunicação para apresentar as provas obtidas pelos serviços de inteligência, não liberando a divulgação de imagens por serem “altamente estratégicas”. Silva chegou a dar coordenadas, como as do chamado Acampamento Bolivariano, em Villa Rosario, a 23 quilômetros da fronteira com a Colômbia. Segundo jornalistas presentes, as imagens mostram Márquez conversando com outros rebeldes. O guerrilheiro é um dos sete integrantes do secretariado das Farc, a comissão de direção militar do grupo.
Consideradas um grupo terrorista por Estados Unidos e Europa, as Farc são a maior guerrilha da Colômbia. Dois anos atrás, militares colombianos atacaram um acampamento das Farc no Equador, matando o líder rebelde Raúl Reyes. Equador e Venezuela cortaram, então, relações com a Colômbia, que ainda não foram completamente restabelecidas.
No ano passado, Chávez restringiu a maior parte do comércio bilateral, depois de Bogotá permitir aos EUA usarem suas bases militares.
A apresentação das provas deve ser um novo complicador a menos de um mês da posse do presidente eleito, Juán Manuel Santos. Segundo um jornalista que participou da reunião com Silva, o presidente Álvaro Uribe estaria preocupado com uma aproximação com a Venezuela e não desejaria deixar o governo “sem que a verdadeira razão para o distanciamento dos dois países fosse conhecida”.
A dias da posse, Santos tenta se afastar da polêmica Santos, que já manifestou intenção de se reaproximar de Equador e Venezuela, procurou se manter distante da polêmica.
Em viagem aos EUA, o ex-ministro da Defesa de Uribe limitou-se a dizer que os dois países deveriam “iniciar um diálogo sobre a presença de terroristas na Venezuela”.
Já o tom do atual governo foi mais duro.
— Todos sabem que estão lá.
Isto é a ratificação clara e contundente de como os senhores das Farc e quase todo o comando central do ELN vivem tranquilamente lá — disse o vicepresidente Francisco Santos.

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