ILMO. SENHOR CLOVIS ROSSI
Prezado Senhor

    O seu artigo "MAIS DEMOCRACIA, NÃO MENOS" (Folha de S. Paulo, 15 de abril) é de uma infelicidade ímpar. Digo mais: é insultuoso às Forças Armadas. Tomar a parte pelo todo, neste caso foi injusto e imoral. O Exército lamenta que tenham saído de suas fileiras bandidos como o "Capitão" Guimarães e os ex-capitães Carlos Lamarca e Luís Carlos Prestes. Todos eles trairam os seus ideais e, mais tarde, tornaram-se assassinos. Estes últimos o fizeram a pretexto dessa sua "Democracia" e, por isto, tornaram-se líderes a esquerda.

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          Mas, eu lhe pergunto: que DEMOCRACIA é esta? Na trilogia do Elio Gaspari (citada no artigo)não há esta abundância de máus exemplos de militares nem esta ilação criminosa onde o Senhor acusa as Forças Armadas de "fabricarem" Capitães Guimarães. O Élio é mais correto. Aliás se o Senhor o leu com atenção, deve ter percebido que em uma de suas conclusões fica evidente que aqueles que combateram a Revolução, não buscavam a DEMOCRACIA e sim trocar uma Ditadura de Direita por outra de Esquerda, apoiada por Cuba e pela China.

          O seu colega de jornalismo (e certamente de ideias políticas) FRANKLIN MARTINS,em entrevista publicada na GAZETA DO POVO, do Paraná, dia 15 de abril, foi questionado sobre o seu papel na luta contra a Ditadura, quando pegou em armas e participou do seqüstro do Embaixador norte-americano  CHARLES BURKE ELBRICK, em 1969. Indagado sobre o mesmo tema, ou seja, se quando lutava em prol de um regime de esquerda, que visava a implantação de uma DITADURA DO PROLETARIADO, acreditava que lutava mesmo pela DEMOCRACIA, falou muito, se enrolou e disse, em suma que "não penso mais o que eu pensava antes".

          Quando o Senhor traz o "capitão" Guimarães para o cerne da questão e enxovalha as Forças Armadas, esquece os demais corruptos: juizes, desembargadores, Ministros e outros. Esquece-se também do Escândalo do Mensalão, da Máfia das Ambulâncias e similares do seu governo "democrático" que, acobertados por conchavos políticos espúrios gerou a impunidade da qual todos os brasileiros corretos têm vergonha. Ao incidir nas torpezas criminosas, estes figurões (inclusive o Ailton Guimarães) estão certos de que contarão com a mesma impunidade complacente que a tantos beneficiou.

          Não creio, Sr. CLOVIS ROSSI, que a honestidade possa ser dimensionada. Não há "meio" honesto, como não se pode ser detentor de meias virtudes ou de vícios pela metade. Há um adágio popular que ratifica esta assertiva. Quando o Senhor, um jornalista conceituado e de palavra fácil, do alto desse palanque privilegiado que é a FOLHA DE SÃO PAULO, procura denegrir uma Instituição, generalizando uma ocorrência negativa e isolada, o Senhor está sendo também desonesto, como o são as figuras citadas nesta minha réplica.

Raul Ribeiro - Cel Cav Reformado
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