Romeu TumaPor Reinaldo Azevedo

O senador Romeu Tuma (DEM-SP) encontrou-se com o presidente Lula e, segundo entendi, está já com um pé fora – ou os dois – de seu partido. Já não era sem tempo. Há muito o ex-diretor do Deops resiste à orientação da legenda. À saída do encontro com Lula, mandou ver: “Não sou líder, estou relegado ao segundo plano. O Gilberto Kassab [prefeito de São Paulo] não me convida nem para um café, está submisso ao [José] Serra. Não tenho mais espaço”.

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E o que Tuma foi fazer lá? Segundo ele, lembrar episódios do passado. Deve-se referir ao tempo em que Lula foi seu hóspede no antigo Departamento da Ordem Política e Social. Foi um excelente negócio para ambos. Tuma aparecia na imprensa como tolerante – afinal, era um policial da ditadura, não-carniceiro, que tentava ser a cara do regime de abertura –, e Lula começava a trajetória de falso mártir. Aquela prisão lhe rendeu uma pensão permanente, que hoje está em mais de R$ 4,5 mil por mês. Vai ver os dois estavam comemorando, né? “Pô, como a gente se deu bem!!!”.

"É a quinta vez que venho ao Palácio; a diferença é que esta constou da agenda oficial.” Eu nem sabia que Tuma subia e descia tanto a rampa com tanta freqüência. O que os dois têm de lembrança em comum, pelo visto, não se esgota num só encontro.

Entender o encontro de Lula com Tuma como uma aproximação com a oposição é uma estupidez. Trata-se de um movimento de cooptação da pior espécie, da mais vulgar. É mais uma provocação ao DEM (ex-PFL), entre muitas. Se Lula quer conversar com o partido, o normal, claro, seria procurar a sua direção. Mas o próprio Tuma deixou evidente que já não fala mais como representante de sua legenda. Também está claro que a conversa de Lula com Tasso Jereissati era só mais uma tentativa de isolar o DEM.

E a reclamação contra Serra? O ex-deputado estadual Romeu Tuma Jr. não teve atendidos alguns de seus pleitos no Estado. Em recente reunião de delegados parlamentares em São Paulo, Tuma-pai esteve presente. E fez um discurso muito emocionado...

Tuma poderia entrar no PT. Por que não? Seria uma chave de ouro, para a história do anfitrião e do hóspede do antigo Deops. E Tuma, ainda, poderia dizer que não mudou. Continua o mesmo homem, de quando era chefe do Deops. Lula mudou? Pois é. Se eu fosse um petralha, à moda antiga, diria que sim. Mas eu estou certo que este Lula, de hoje, já estava naquele, que foi preso.

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