Correio Braziliense - 27/09/2010 
Há menos de dois meses na Presidência da República, Juan Manuel Santos deixou claro na última semana que a diplomacia e a moderação, seus diferenciais em relação ao antecessor, Álvaro Uribe, não são empecilho no combate às Forças Armadas e Revolucionárias da Colômbia (Farc). Em rápida reação contra a morte de agentes do governo por supostos guerrilheiros, o chefe de Estado desencadeou uma das mais bem-sucedidas ofensivas contra a organização. Resultado: as mortes do chefe militar do grupo, Víctor Julio Suárez Rojas, o Mono Jojoy, e de outras seis pessoas, e a apreensão de mais de 20 computadores, 68 memórias USB e três discos externos, material capaz de fornecer preciosas informações para novas investidas.
Em 46 anos de existência, as Farc não sofriam desgaste tão significativo desde 2008. Naquele ano, o histórico Manuel Marulanda, o Tirofijo, líder máximo da guerrilha, morreu de ataque cardíaco; o “chanceler” Raúl Reyes foi morto em polêmica incursão em território equatoriano; e a principal refém e mais importante trunfo político do grupo, ex-senadora Ingrid Betancourt, terminou resgatada. A sensação de aniquilamento da corporação, contudo, durou pouco. Em dezembro do ano passado, havia se reorganizado a ponto de emitir comunicado conjunto com o Exército de Libertação Nacional (ELN) em que ameaçava usar de “firmeza e beligerância” contra o governo Uribe. O presidente deixou o poder, em agosto último, com 70% de aprovação popular, mas com a imagem externa abalada pelo estremecimento de relações com vizinhos.
Mais: um dia depois de passar o cargo ao sucessor, Uribe foi responsabilizado pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU pela impunidade de paramilitares. Denúncias de execuções extrajudiciais, torturas e desaparecimentos no rastro de programa de recompensa por guerrilheiro abatido não teriam sido devidamente investigadas. Sobrou para Santos pôr ordem na casa. No plano externo, ele foi rápido na política da boa vizinhança, fazendo refluírem as tensões, sobretudo com a Venezuela e o Equador. No interno, deixou claro que, diálogo com as Farc, só depois de um cessar-fogo unilateral e geral e com a finalidade explícita de negociar deposição de armas. Há mesmo que ser implacável. Além das centenas de sequestros e do recrutamento até de crianças para o conflito armado, os guerrilheiros se tornaram braço armado do narcotráfico.
O novo presidente havia anunciado que daria “boas-vindas” às Farc. Cumpriu a palavra na madrugada de quarta-feira, ao autorizar a Operação Sodoma. Com mais de 30 aviões, inclusive Super Tucanos comprados ao Brasil, e cerca de 27 helicópteros, o Exército e a Força Aérea atacaram acampamento do grupo na zona rural da cidade de La Macarena, no departamento de Meta, área central do país. Esta semana, Santos anunciará a estratégia de segurança do governo. É bom que saiba conciliar moderação, diplomacia e pragmatismo econômico com o combate sem trégua à guerrilha. Será igualmente bom se os Estados fronteiriços contribuírem nesse combate. Há o exemplo equatoriano. Depois de invadido por forças colombianas à caça de guerrilheiros e romper relações com Bogotá, o país passou a prestar colaboração militar e de inteligência ao vizinho. Seria inconcebível deixar as Farc dividirem o subcontinente.
 
 
Comentários   
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