por Carlos Alberto Brilhante Ustra
 
Resumo: Agora a sociedade terá de pagar também pelos traumas que os filhos de antigos terroristas sofreram por causa do caminho que seus pais escolheram.

© 2005 MidiaSemMascara.org

"Os três filhos pequenos do ex-guerrilheiro Antônio Lucena, braço direito do capitão Carlos Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foram parar na cadeia depois de verem seu pai ser morto na porta de casa pelos militares, em fevereiro de 1970, em Atibaia, interior de São Paulo. Hoje, 35 anos depois, casos como os deles, de filhos de militantes políticos e também vítimas da repressão militar, começam a chegar à Comissão de Anistia.

Na semana passada, a comissão aprovou, pela primeira vez, a condição de anistiado político e o direito à indenização de filhos de guerrilheiros. Vladimir e Isabel Maria Gomes da Silva, filhos de Virgílio Gomes da Silva, que comandou o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, foram os primeiros beneficiados da lei."

Em uma reportagem muito longa [*], de página inteira, que infelizmente não dá para transcrever, alguns filhos de militantes de organizações terroristas se dizem perseguidos e irão pedir indenização porque seus pais eram comunistas.

Seus pais não eram apenas comunistas. Pegaram em armas, praticaram assaltos, assassinatos, atentados a bomba e outros desatinos em nome de uma ideologia estranha à índole do povo brasileiro, alegando que lutaram em nome de uma liberdade que sua ideologia não permitiu nem para seus próprios companheiros de luta armada.

"Os filhos de militantes políticos presos acham que perderam a infância e se tornaram adultos muito cedo ao viverem o drama da resistência à ditadura. Depois de presos só reencontrariam os pais meses depois ou anos depois. Existem casos de filhos de presos que foram incluídos nas listas de prisioneiros que seriam trocados por autoridades estrangeiras seqüestradas, algo que, até então, só se imaginava ocorrer com adultos."

As histórias vão virando lendas com a cumplicidade de setores da imprensa, fazendo de subversivos e terroristas heróis "salvadores da Pátria", quando na realidade tentaram impor suas idéias com a força das armas, arvorando-se de procuradores do povo, que não lhes deu apoio.

Pena que essas reportagens não tenham um cunho investigativo para que sejam averiguadas as versões apresentadas. E, pior ainda, que não tenham, ao longo do tempo, e muito menos agora, sido rebatidas pelas autoridades das instituições atingidas por elas.

Pena, já que estamos em tempo de referendos, que não se pergunte ao povo, que paga essas indenizações com seus exorbitantes impostos, se concorda com o desembolso desse dinheiro.

Pena que crianças, como os filhos de Antonio Raimundo Lucena e outros entrevistados na reportagem, tenham tido que passar por todos esses traumas por causa do caminho que seus pais escolheram.

Um dos casos de crianças que seguiram para o exterior, foi os filhos de Lamarca, que por imposição da Vanguarda Popular Revolucionária fugiram para Cuba, juntamente com a mãe, no dia em que Lamarca desertou do Exército e ingressou na luta armada.

Antônio Lucena foi morto quando a polícia, que investigava o roubo de um carro, o procurou em sua residência sem saber que a casa se tratava de um “aparelho”. Eram policiais militares comuns, não pertenciam a nenhum Órgão de Segurança, tanto que chegaram sem “estourar o aparelho”. Bateram na porta e pediram para ver os documentos do carro. Lucena disse aos policiais que iria buscá-los. Como o carro era roubado e não tinha qualquer documento, decidiu reagir para não ser preso. Segundo Damaris Lucena em seu depoimento a Luiz Maklouf Carvalho, no livro “Mulheres que foram à luta armada” está registrado o seguinte:

“Tinha um FAL por cima da mesa, coberto, que ficava sempre à mão. O ‘Doutor’ pegou o FAL e atirou”.

Doutor era o codinome de seu marido.

Os tiros mataram, instantaneamente, o Sargento PM Antonio Aparecido Nogueró e feriram, gravemente, o Sargento PM Edgard Correia da Silva. Os policias militares reagiram, mataram Lucena e Damaris foi presa.

Os filhos de Antônio Lucena, que são entrevistados na reportagem, foram trocados juntamente com a mãe, Damaris de Oliveira Lucena, viúva de Antônio Lucena, em troca da vida do Cônsul Japonês, seqüestrado por três organizações terroristas. A mãe e as crianças foram incluídas, por exigência de Lamarca, na relação dos presos que deveriam ser libertados e enviados para Cuba.

Damaris estava presa há cerca de 20 dias. O seqüestro do Cônsul Japonês tinha o objetivo de retirá-la do País, juntamente com Mário Japa, já que ambos conheciam a área de guerrilha onde Lamarca começava a se instalar.

Na realidade, Antônio Lucena antes de 1958 já militava no PCB. Portanto, sua luta não era contra o Regime Militar, mas sim para implantar no Brasil uma ditadura tendo como modelo Cuba, China ou URSS.

As crianças, segundo depoimento de um deles, também para Luiz Maklouf, diz que, como ninguém os aceitava, por medo de que Lamarca os quisesse resgatar, depois de algumas tentativas em instituições foram encaminhados para a Febem. Portanto, segundo as próprias “vitimas”, não foram parar na cadeia, como cita o repórter Evandro Éboli.

Pena que a reportagem não lembre, também, dos parentes do Sargento Antônio Aparecido Posso Nogueró, que nem tiveram o consolo de ter o nome de seu ente querido lembrado na matéria. Este sim, cumpria o seu dever.

Para não me alongar rebaterei, em outra oportunidade, mais algumas inverdades citadas na reportagem.

Leia  sobre o assunto no livo A Verdade Sufocada ( página 244 )

[*] Matéria publicada em O Globo, 30 de outubro de 2005, página 15, por Evandro Eboli - Brasília.

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar