Comandante da equipe que produziu a obra secreta do Exército e outros oficiais afirmam que documento, com informações sobre mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura, deveria ter sido publicado

Por Lucas Figueiredo Do Estado de Minas

Desde que teve seu conteúdo revelado, há um mês, pelo Correio/Estado de Minas, o livro secreto do Exército foi alvo de ações do Ministério Público Federal, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (órgão da Presidência da República), da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

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 Produzida pela força terrestre entre 1986 e 1988, com base em seus arquivos secretos, e nunca publicada, a obra traz informações sobre mortos e desaparecidos políticos que o Exército sempre negou possuir. Agora, apesar do silêncio do Exército, que até hoje não se manifestou sobre o tema, oficiais da reserva saem a público para defender a publicação do documento. O movimento é encabeçado pelo general reformado Agnaldo Del Nero Augusto. Trata-se, nada menos, do “pai” do livro secreto.
 
 
Em 1985, quando trabalhava no Centro de Informações do Exército (CIE) – o serviço secreto da força terrestre –, Del Nero foi incumbido pelo então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, de coordenar a equipe encarregada de escrever um livro que contasse “a verdade” sobre a luta armada promovida pelas esquerdas, que tinha o objetivo de derrubar a ditadura militar e implantar o socialismo no país. Batizado de Projeto Orvil (livro ao contrário), o trabalho foi concluído em 1988, quando então Leônidas, em comum acordo com o então presidente José Sarney, desistiu de tornar a obra pública para não “reabrir” antigas feridas.


“Apesar de respeitar muito o general Leônidas, (…) lamentei muito, muito mesmo, sua decisão de guardar as informações de que dispunha. Apesar de entender as circunstâncias, considero que cometeu um equívoco de avaliação irreparável. Foi uma oportunidade de tomar a iniciativa. Foi a oportunidade de sair na frente”, escreveu Del Nero na edição especial do Inconfidência – jornal mensal mantido por oficiais da reserva – de 30 abril, dedicada ao livro secreto. Para o coordenador do Projeto Orvil, a esquerda aproveitou o silêncio dos militares para impor uma versão deturpada da ditadura (1964-1985) e da luta armada. “Postos aqueles dados (do livro secreto) nas mãos de um escritor, a história estaria escrita. Perdida a oportunidade, caímos na defensiva. Os subversivos, com alta escola em guerra psicológica, saíram na frente. Na guerra psicológica, o princípio da ofensiva é tão ou mais importante que na guerra convencional e não se ignora que eles movem uma guerra”, afirmou o general.

Conforme revelou o Correio/Estado de Minas, o livro secreto do Exército narra a prisão ou morte de 16 guerrilheiros do Araguaia e de outros sete militantes do Movimento de Libertação Popular (Molipo), da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organizações de esquerda que entraram na luta armada. A força terrestre sempre negou que tivesse essas informações. O livro também retrata dezenas de ações armadas das esquerdas, como assaltos a bancos e a guarnições militares, assassinatos de pessoas ligadas à repressão e o “justiçamento” de militantes de esquerda suspeitos de traição.

Comentários  
#2 claudio loureiro 28-07-2013 02:48
A Revolução Gloriosa de 31 de março de 1964 foi o Início da Ordem e do Desenvolvimento brasileiros, e a Democracia foi Institucionaliz ada através dos antigos sistemas civilizados da Eleição dos melhores dentre os melhores dos brasileiros; no caso, os generais superpreparados após a Vitória contra Hitler, num mundo em caótica Guerra Fria - fizeram a escolha certa.
Estudei no Brasil durante os governos militares, servi ao Exército assessorando um General e, testemunhei o período histórico chamado Hiato Sarney-Collor, até a decadência total de FHC, que preparou o terreno para que a Grande Mentira fosse declarada Verdade (a la Goebbels ) e, como a História se repete, os erros também, no caso, o samba do crioulo doido da embolada do neocangaço político brasileiro.
#1 Roberto atanásio 12-06-2013 20:52
Parabéns general Del Nero,ainda ha militares de ponta nesse país favelizado pelos comunista.Isso mostra que o nosso exército não esta morto,isso me da alegria para juntarmos nossas forças. :lol:
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