Cardenio Jayme Dolce Assassinado durante o assalto
 Cardênio Jayme Dolce,
assassinado durante o assalto

Por Carlos Alberto Brilhante Ustra

 Passado o dia 19 de abril, Dia  do Exército, pouco se  escreve sobre a “grande revelação do ano” , “ O Livro Negro do Exército” – o “Projeto Orvil”.  Acabou o objetivo. Agora, é esperar outra data importante para as Forças Armadas para que uma  nova série de "reportagens requentadas” seja explorada por grande parte da mídia. Todos os anos isso se repete  para denegrir a imagem das Forças Armadas, ou para tirar o foco de algum escândalo que esteja na pauta do dia. Mas, o muito que os terroristas aprontaram eles ignoram e se recusam a revelar!...

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Nós, que lutamos contra subversivos, assaltantes, assassinos e terroristas imaginávamos que,  finalmente , o Projeto Orvil fosse sendo revelado, pouco a pouco . Pensamos que de posse de uma cópia com mais de 900 páginas a respeito da luta armada, o repórter Lucas Figueiredo fosse explorar o que Dom  Evaristo Arns e sua equipe, em suas pesquisas para o livro “Tortura nunca mais”, haviam omitido . Puro engano!

A esquerda não quer abrir os arquivos. A esquerda não quer que o Brasil conheça os verdadeiros motivos que levaram a sociedade civil e os militares a impedir o golpe que eles estavam planejando para implantar no Brasil uma ditadura do proletariado.

Jacob Gorender  em seu livro “ Combate nas Trevas”  intitula o capítulo da página 60 de: Pré-revolução e golpe preventivo. Mas, mesmo assim, eles não querem que o povo saiba que muito antes da Contra-Revolução, em pleno regime democrático,  já se preparavam para a tomada do poder.

Essa “campanha” para abrir os arquivos é  apenas “ cortina de fumaça”.

Nós, que participamos da luta armada, e os que viveram esses tempos conturbados da história recente do Brasil, desejamos ardentemente que esses arquivos sejam abertos, mas abertos sem censura prévia. Não como sugeriram, alguns membros do alto escalão do atual governo , que prometeram abrí-los  a partir de 31 /12/2005, para mostrar ao mundo os “horrores do regime dos generais”, mas de antemão prometendo resguardar os anistiados “combatentes da liberdade”. Evidentemente a intenção é omitir suas ações criminosas, sob o argumento de preservá-los, já que hoje foram promovidos a heróis nacionais.

Não existe interesse em abrir os arquivos!  Vejam um exemplo:

Jaime Dolce , morador em Varginha, filho de uma das vítimas dos terroristas, procurou, por telefone, o repórter Lucas Figueiredo. Queria que a história do assassinato de seu pai, e de mais duas vítimas, fosse publicada.  Não houve interesse.

Mas nós, que queremos abrir os arquivos,  vamos revelar aquilo  que Lucas Figueiredo não quis contar sos seus leitores.

 

Assalto à Casa de Saúde Dr Eiras

Animados  com o  resultado do assalto ao Hospital da Ordem Terceira, A CR/GB (Coordenação Regional/Guanabara da ALN – Ação Libertadora Nacional ) planejou o assalto à Casa de Saúde Dr Eiras, em Botafogo. Levantaram o dia do pagamento dos funcionários , 2 de setembro de 1971, e partiram para a ação.  Faziam parte do GTA (Grupo Tático Armado): Flávio Augusto Neves Leão Sales , Hélcio Pereira Fortes, Antonio Carlos Nogueira Cabral, Sônia Hipólito, Aurora Nascimento Furtado, Isis  Dias de Oliveira , Paulo César Botelho Massa, além de José Milton Barbosa, Antônio Sergio de Matos e Hélber José Gomes Goulart, vindos de São Paulo como reforço.

O GTA entrou em ação com a chegada do carro pagador na casa de saúde.

A guarda de segurança do hospital reagiu ao assalto. Depois de intenso tiroteio, Cardênio Jaime Dolce, Silvano Amâncio dos Santos e Demerval Ferreira dos Santos estavam mortos. Ficaram feridos o médico Dr. Marilton Luiz dos Santos Morais e o enfermeiro Almir Rodrigues de Moraes.

Os assaltantes, além de oitenta mil cruzeiros, levaram as armas dos seguranças mortos.

O jornal Ação nº 2 de setembro/outubro/71, fazendo apologia da chacina da Casa de Saúde Dr Eiras, assim justificou os assassinatos:

 “A imprensa da ditadura procurou explorar politicamente a morte dos guardas, apresentando-os como vítimas inocentes. No entanto, é preciso ficar bem claro que, consciente ou inconscientemente, naquele momento agiram como defensores dos exploradores e de seu governo, atacando guerrilheiros. Por isso não foram poupados e nem serão  aqueles que tomarem a mesma atitude.”



Os assaltantes vivos e os familiares  dos  mortos foram indenizados . Os familiares dos seguranças  nada receberam .

Lucas Figueiredo, abra os seus arquivos! Aproveite o  Projeto Orvil !!!


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