Por Rogério Mendelski
“Se não assentar, acampar vai virar profissão.”
Presidente Lula, sobre novos assentamentos que precisam ser efetivados pelo Incra
 
O aviso veio do senador Pedro Simon (PMDB-RS): “O país caminha para a ingorvenabilidade e para a desobediência civil”. O alerta refere-se aos constantes maus exemplos de corrupção envolvendo autoridades de todos os níveis. Diz o senador gaúcho que o cidadão comum poderá se questionar por que deve cumprir a lei e pagar impostos se quem deve dar o exemplo não o faz.
Se a ingovernabilidade estivesse restrita apenas a um movimento de desobediência civil no que se refere ao não-pagamento de tributos já seria grave. Na verdade, seria muito grave! Mas a ameaça de ingovernabilidade também se aproxima do desrespeito à lei e à segurança do cidadão em seu direito de ir e vir.

No Rio de Janeiro, a guerra civil assemelha-se à Bagdá. “Nossas tropas” não conseguem tomar um morro sequer que hoje é território livre do crime organizado. Qualquer morro. Na quarta-feira, os “guerrilheiros” do tráfico bloquearam a subida de uma favela com um veículo emborcado com as rodas para cima. A semelhança com alguma rua iraquiana não é mera coincidência.

No plano da desordem, a situação também é muito grave. Nas principais capitais brasileiras, houve tumulto e privação de liberdade para as pessoas de bem. Aqui em Porto Alegre, a vida da cidade tornou-se um inferno para quem trabalha, produz e paga impostos com a “comemoração” do Dia de Lutas.

Mas o caso mais grave foi a tomada da hidrelétrica de Tucuruí pelos desordeiros contumazes da Via Campesina. Ali foi dada uma demonstração de como é fácil a invasão de uma área considerada de segurança nacional pelo que representa aquela hidrelétrica. Os invasores debocharam e até ameaçaram – posando para a tevê – paralisar a usina.

Em São Paulo, a USP está invadida e destruída pelos estudantes. Também a Assembléia Legislativa quase foi ocupada e a PM só escapou de apanhar porque não quis acabar com a bagunça.

Para quem observa a movimentação dos desordeiros nacionais, não é difícil de se concluir que o plano de desestabilização das instituições está em plena marcha, com a conivência de quem é responsável pela manutenção da ordem.

Quem pode duvidar hoje que tudo não está sincronizado para um grande golpe na nossa democracia? Com as instituições desmoralizadas – denúncias graves contra integrantes dos Três Poderes – não seria difícil para um mussolinizinho de plantão tomar o poder e nele se aboletar com o apoio da opinião pública.

Imaginem alguém com autoridade chegar numa rede nacional de televisão e dizer que os poderes constituicionais estão fechados por tempo indeterminado, que os notórios corruptos já se encontram atrás das grades (com imagens) e que tropas militares ocupam as sedes dos governos estaduais e os ministérios.

Melhor não imaginar. Nossa democracia tem mecanismos para enfrentar tudo o que foi dito acima. Apenas somos frouxos e quem manda é muito mais.



Notícias do Jornal O Sul do Dia 25/05/2007

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