BRASÍLIA - Não adianta tapar o sol com a peneira da popularidade e da liderança do presidente Lula. A crise é de autoridade, abrangendo relacionamentos sociais de toda espécie. É bom tomar cuidado, porque, se não houver pronta reação do governo, logo as instituições estarão em frangalhos e, como alertou o senador Pedro Simon, não demora muito o cidadão comum deixar de pagar impostos e não reconhecer mais a autoridade pública.

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Tome-se o que vem acontecendo apenas nesta semana. Estradas federais foram fechadas pelo MST em praticamente todo o território nacional. O MST decidiu fazer reforma agrária na Hidrelétrica de Tucuruí, a segunda do País, ocupando suas instalações e desarticulando o fornecimento de energia para as regiões Norte e Nordeste, tornando-se necessária a intervenção do Exército, ainda inconclusa. Alunos, professores e funcionários da USP ocupam, há três semanas, a reitoria e outros prédios da instituição, levantando barricadas e recusando-se a sair, caso não aprovada extensa pauta de reivindicações.

E mais. Greves estouram em cascata no serviço público, na Polícia Federal, no Ministério da Cultura, no Incra, no Ibama, no Banco Central e outros órgãos públicos, sem falar em diversas universidades. No Rio, continua a guerra civil entre a Polícia Militar e os traficantes de tóxicos, com dezenas de mortes e centenas de feridos, numa conflagração que nada fica a dever ao Iraque. Grupos revoltados tentaram invadir a Assembléia Legislativa de São Paulo, ensejando confrontos cujo resultado foram policiais feridos.

Ao mesmo tempo, diante de denúncias de corrupção ampla, geral e irrestrita gerida pela empreiteira Gautama, 46 acusados foram presos pela Polícia Federal, mas a maioria já se encontra em liberdade, por ação do Poder Judiciário. Sem esquecer a verdadeira chantagem a que se submete placidamente o presidente da República diante dos partidos políticos, loteando o ministério mediante a ameaça de perder apoio parlamentar para seus projetos.

Isoladamente, cada um desses episódios seria absorvido como natural num regime democrático, mas, reunidos, exprimem a falência do poder público. Se quiserem, a fraqueza daqueles a quem caberia conduzir a nação por outro caminho que não fosse atrás da vaca, ou seja, para o brejo...

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