Por Themístocles de Castro e Silva - Jornalista - Jornal O POVO, de Fortaleza 

Que a Nação inteira sabia que a coisa não era lá muito séria, ninguém tem dúvida. O que faltava era a confirmação do chefe do negócio, o advogado Marcelo Lavanére, presidente, durante quatro anos, da tal Comissão de Anistia. Foi ele, também, um dos principais articuladores daquela trama sórdida que funcionou no Congresso para tomar o mandato do presidente Collor.

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Em entrevista de página inteira, no O Globo (25.2.07), Lavanére, aborda vários assuntos, inclusive defendendo punição para militares que perseguiram opositores. Esqueceu-se, todavia, de pedir punição também para aqueles opositores que assaltaram bancos, quartéis, delegacias, roubaram cofres etc. Mas isso é assunto para comentário posterior.

Sobre as indenizações, eis a pergunta do jornalista Evandro Éboli e a respectiva resposta:

"- De olho na indenização, muita gente foi atrás da Comissão de Anistia. O senhor chegou a dizer que tem muito picareta nesse meio. 

Lavanére   - Picareta, é um nome duro, que usei numa reunião, mas não retiro o que disse. Há três tipos de pessoas que buscam a Comissão: aqueles que não têm direito e pensam que têm e, de boa fé, tentam receber a indenização. Tem outro tipo que sabe que não tem direito e, ainda assim, procura obter vantagens. São aproveitadores. Há um terceiro grupo, que não é pequeno: pessoas de boa-fé que foram iludidas por espertalhões. Esses são os piores. É gente que corre o Brasil inteiro estimulando A, B ou C a entrar com pedido. São advogados, atravessadores, políticos, malandros. É a indústria da anistia. Mas somos muito rígidos".


Observaram que ele não deu um só exemplo de que "somos rígidos"?
Quando recebe o prêmio de R$ 100 mil, o ex-guerrilheiro José Genoíno já estava denunciado pelo procurador-geral da República como membro da quadrilha chefiada por José Dirceu no Palácio. O procurador, além do termo quadrilha, usou a expressão "organização criminosa".


Onde há rigidez?
Também recebeu R$ 20 mil a ministra Dilma Rousself, uma das principais colaboradoras do plano para roubar o cofre do ex-governador Ademar de Barros, em Santa Teresa, no Rio. A "perseguição" foi mandá-la para o quartel em carro da Polícia, próprio para delinqüentes, o chamado "tintureiro".

Quem garante que nenhum picareta recebeu? O Sr. Lavanére não citou um caso sequer. Só um idiota acredita em rigidez na distribuição de dinheiro público entre políticos fracassados, que diziam lutar por um ideal, mas trocaram tudo por alguma grana, que embolsaram sem fazer força.

Por que o Sr. Lavanére não explicou os milhões ao jornalista Carlos Heitor Cony, além de uma pensão vitalícia superior aos vencimentos de um ministro do Supremo Tribunal Federal?

A Comissão deu-se ao luxo até de usar o teto, baixando a pensão do jornalista em mais de dois mil reais.

Diz o Sr. Lavanére que "serão bem indenizados porque ganhavam bem". Qual o jornalista, no Brasil, que ganha R$ 24 mil de salário, igual aos ministros do Supremo? Nenhum. Nem a metade disso. Talvez chegue a 20 a retirada do dono do jornal.

Essa Comissão de Anistia promoveu a maior farra de que se tem notícia, no Brasil, com o dinheiro do contribuinte. Mais de dois bilhões já foram distribuídos.

Duvido que alguém já tenha lido ou visto qualquer laudo da Comissão sobre um "torturado". Tudo é secreto, escondido, debaixo de sete chaves. E fica lá só entre eles, da Comissão. Para os jornais só vai o nome do felizardo, com o valor do respectivo prêmio.

Depois de 20 ou 30 anos, como provar, por exemplo, um tabefe?
Pode ser que um dia se conheçam os nomes dos picaretas beneficiados e sonegados pelo advogado Lavanére . O Brasil é o primeiro país do mundo a distribuir dinheiro com os comunistas que um dia tentaram dominá-lo.
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