Da redação do UOL em São Paulo

Minutos após ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, anunciou nesta quarta (30) uma série de invasões de prédios de reitorias de universidades públicas a serem realizadas na próxima quarta-feira (6). A UNE reivindica do governo R$ 200 milhões por ano para assistência de estudantes pobres das instituições federais de ensino superior. "Muitos estudantes estão chegando às universidades, mas não conseguem concluir o curso por falta de alimentação, transporte e uma política estudantil", disse Petta.

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Chamado de "Pettinha" por Lula, o presidente da UNE disse que quer uma solução rápida do governo para garantir os estudos dos estudantes pobres. "Hoje o Brasil não tem verba específica para isso", afirmou. "Trouxemos uma reivindicação e exigimos que o governo adote uma medida voltada para esses estudantes que têm dificuldades para continuar os estudos", completou.

SETE DIAS DE PRAZO
ABr
O presidente da UNE, Gustavo Petta, fala aos jornalistas após encontro com o presidente Lula no Planalto nesta 4ª (30), quando afirmou que poderá comandar megainvasão dentro de uma semana
O presidente da UNE relatou que, na audiência desta quarta, Lula disse que iria conversar sobre assistência estudantil com o ministro da Educação, Fernando Haddad. Na avaliação de Lula, o governo pode resolver a questão sem precisar enviar proposta para o Congresso, segundo relato de Petta.

Mesmo com a cordialidade da audiência, a UNE mantém a decisão de invadir as reitorias na próxima quarta-feira. As invasões não devem passar de um dia. A princípio, a entidade não quer repetir o que ocorre na Universidade de São Paulo, onde estudantes ocupam há 28 dias o prédio da reitoria.

Ao contrário do que ocorre na USP, onde os manifestantes mantêm uma relação difícil com o governador José Serra (PSDB), a direção da UNE é aliada do Palácio do Planalto. A UNE é uma das entidades que sempre apoiaram o governo petista. A entidade chegou a organizar manifestações, durante as crises políticas de 2005, para defender o presidente Lula. Em troca, o governo atendeu a uma série de pedidos de liberação de recursos feitos pela entidade.

A onda de protestos na quarta-feira é uma forma de a UNE marcar posição no jogo político. "Na semana que vem, haverá dia nacional de mobilização em torno da questão da assistência estudantil, muitas reitorias vão ser ocupadas, muitas manifestações vão acontecer, para exatamente pressionar o governo a adotar uma medida para ajudar os estudantes", disse Petta. "O índice de evasão nas universidades vem subindo muito por falta de uma política para o setor."

 

http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/estado/2007/05/30/ult4528u59.jhtm

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