APLAUSOS E CONDICIONANTES
Por Gen Ex José Carlos Leite Filho 28/11/2010
   Inicialmente, palmas para o governador do Rio de Janeiro por ter sido o único governante, até hoje, embora tardiamente, a evidenciar coragem e determinação para atacar a grave questão da violência e do narcotráfico. Longe de se imaginar que o problema acabou, pois o que está acontecendo é apenas o sucesso de uma batalha, parte de uma longa e difícil guerra: território conquistado, traficantes presos e alguns mortos, mais de uma tonelada de droga e cerca de trezentas motos apreendidas assim como boa quantidade de armamento constituem um bonito troféu! Texto completo
É preciso, agora, que haja “capacidade de durar” na ação, ou seja, continuidade nas operações para a eliminação das muitas ameaças e vulnerabilidades ainda existentes.
Não se pense que os êxitos obtidos na Favela do Cruzeiro e no Complexo do Alemão serão suficientes para assegurar a Lei e a Ordem tão desafiadas nos dias atuais.
   Louve-se, hoje, o excelente desempenho do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) carioca, fruto insofismável de instrução, adestramento e ação de comando, aspectos que têm de se estender a um universo maior de policiais militares e civis em todo o País. É imperativa a existência de Instituições brasileiras, mormente militares e policiais, aptas  ao cumprimento de suas destinações constitucionais e não apenas uma pequena parcela disposta até ao sacrifício da própria vida. Para tanto, os Poderes Constituídos deverão ser também atores e não só espectadores.
   Se os agentes externos membros da logística do crime, tais como as FARC colombianas e os produtores de coca bolivianos, não forem repelidos e, ao contrário, continuarem a ser tratados como “companheiros”, a ameaça persistirá.
   Se a estrutura das forças policiais for capaz tão somente de formar e adestrar adequadamente o reduzido efetivo de um BOPE, o sucesso será momentâneo, localizado e circunstancial.
   Se as Forças Armadas, garantidoras em última instância da Lei e da Ordem, não dispuserem dos meios indispensáveis às suas missões constitucionais que vão além das citadas, não lhes bastarão o ardor combatente e a disposição para a luta, pois o sacrifício juramentado da própria vida há de claudicar.
   Se o pensamento oficial for o remendo e não a busca de solução, como a criação de uma ineficaz e demagógica “Força Nacional de Segurança”, as ameaças subsistirão juntamente com a cidadania vulnerada.
    Se a impunidade ou o arremedo de condenação dos criminosos não for substituído por um castigo eficaz e intimidador, as raízes do mal farão ressurgir outras ameaças.
   Se as entidades, hipócritas ou sinceras, ditas defensoras dos direitos humanos visarem mais a projeção de seus membros do que o afastamento dos marginais da sociedade, sua ação em nada contribuirá para o bem comum.
   Se os políticos em geral continuarem a discursar e a se preocupar mais com as próximas eleições, enxergando-as como possíveis fontes de enriquecimento pessoal e não como geradoras de personagens capazes e dispostos ao valoroso trabalho legislativo, não haverá melhoria na qualidade de vida do povo brasileiro.
   E como eu sou brasileiro e não dono da verdade nem derrotista, aplaudirei com mais entusiasmo aqueles que nos trouxeram alegrias com os acontecimentos recentes do Rio de Janeiro e continuarei refletindo, sonhando com um Brasil melhor e acreditando que “a esperança é a última que morre”.
 Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. – 28/11/10)

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