É necessário uma política constante de combate 
 aos traficantes e de conscientização dos jovens
 sobre as consequências do uso das drogas
 
Por Murillo de Aragão - cientista político - 02/12 /2010
 Seria injusto dizer que os ataques aos traficantes no Rio de Janeiro são uma reação nova ao crime. Não são. Tampouco podemos considerar certo que 25 de novembro seja o dia em que “o Brasil começou a vencer o crime”, como escreveu a revista Veja. A batalha contra o tráfico no Rio está longe de ser vencida por inúmeras razões que serão abordadas a seguir e que indicam uma reflexão sobre como os governantes e a sociedade do Rio de Janeiro devem agir de ora em diante.
A ocupação do Complexo do Alemão, que seria uma etapa a ser cumprida mais à frente, foi antecipada devido à completa estupidez e à ausência de sentido estratégico dos traficantes. Sufocados pelas UPPs, acreditaram que uma ofensiva urbana seria capaz de paralisar a polícia e, quem sabe, colocar a sociedade contra os esforços de combate ao crime.

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Talvez, considerando o quadro patológico das instituições no Rio de Janeiro, o raciocínio pudesse estar correto. Mas não está. A bandidagem continua sem entender que a sociedade gosta da droga, mas não da violência. Misturar uma coisa com a outra é seguir a rota do fracasso.
Evidente que o México, onde os ataques dos bandidos têm se intensificado, poderia servir de exemplo aos nacionais. Mas o México não é o Rio. Estamos, ainda bem, alguns passos atrás da situação vivida pelos mexicanos. Porém, a essa altura, vale responder à pergunta colocada por mim mesmo: por que a guerra está longe de ser vencida? As batalhas podem estar sendo vencidas com as ocupações das favelas e a pressão para que os bandidos operem em outras frequências. Como lhes falta inteligência, reagem com violência e como dependem de território para agir, temos uma situação de clássica batalha territorial, o que é bem diferente de enfrentar os terroristas de Bin Laden.
A batalha territorial se vence com a ocupação dos territórios. No entanto, estamos longe da vitória final pelo simples fato de que a cultura do crime e a cultura da droga ainda não estão sendo adequadamente combatidas. Muitos bacanas continuam gostando de cheirar cocaína e fumar maconha sem se importar com a cadeia de eventos que vem atrás desse prazer. No âmbito da bandidagem, o romantismo bandido é cultuado como se a morte no crime fosse um destino glorioso e inevitável. Ambas são posturas esteticamente atraentes. Evidente que, na esfera do crime, temos ainda o apelo financeiro. Ao invés de ralar e enfrentar um sistema social injusto e carente de oportunidades, muitos optam pelo ganho no crime, mais rápido e lucrativo.
Porém, não se trata apenas da questão do dinheiro e das mulheres. Existe o status que a bandidagem representa. Status que faz astros do futebol transitarem em áreas de convivência pacífica com a bandidagem. Culturalmente seria cool ser bandido? Para muitos, sim. Do mesmo modo que muitos acham uma “violência” a PM montar uma blitz e prender quem tem maconha ou cocaína. Cultural e esteticamente, a sociedade terá que considerar o crime um não caminho, e o consumo de drogas, algo impensável. Ainda é um longo percurso a ser percorrido.
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