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   Enquanto eles não conseguirem "regular "
   os meios de comunicação não vão sossegar!
Tânia Monteiro
O Estado de S. Paulo 
Presidente defende pasta das Comunicações afinada com proposta de democratização e propõe discussão sobre tema nos próximos dois anos
Em entrevista a rádios comunitárias ontem, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender regras de regulação para os meios de comunicação. E pediu que todos os setores estejam atentos e presentes às discussões que vão se estabelecer nos próximos dois anos para a criação desses marcos regulatórios.
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Fazendo de conta que não sabe que seu atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já foi escolhido por sua sucessora, Dilma Rousseff, para comandar as Comunicações, Lula disse que ela certamente vai escolher alguém para a pasta que "tenha também uma afinidade com a necessidade de democratização nos meios de comunicação". Além de interferir na nomeação dos ministros, Lula disse que Dilma "é uma entusiasta da nova regulação da comunicação do Brasil".
No encontro, os grandes meios de comunicação foram alvos de ataques de Lula e dos representantes das rádios comunitárias escolhidos para participar do encontro.
"Há uma briga histórica que eu considero um equívoco: os meios de comunicação confundirem uma crítica que qualquer pessoa faça a eles como um cerceamento de liberdade de imprensa. É a coisa mais absurda, mais pobre do ponto de vista teórico que conheço. É alguém achar que não pode receber critica, que são intocáveis."
Em seguida, vangloriou-se de sua relação com a imprensa. Afirmou que aprendeu a não se queixar, que nunca pediu para ninguém falar bem dele ou ser favorável, e que nunca ligou para ninguém a fim de pedir que alguma reportagem não fosse publicada.
Lula, anteontem, reagiu com irritação a um repórter do Estado que lhe fizera uma pergunta incômoda. Questionado se a visita ao Maranhão era uma retribuição ao clã Sarney pelo apoio, disse que o jornalista era preconceituoso e precisa "se tratar", "fazer psicanálise".
"Ainda há um monopólio das telecomunicações no Brasil", sustentou. Em seguida, fez uma ressalva contraditória. "Nós avançamos do ponto de vista da democratização porque nós não temos mais o monopólio de um jornal ou um canal de TV. Está mais pulverizado e já é um sinal importante", afirmou, ao lembrar que quando chegou ao Planalto ouviu muita reclamação porque decidiu "democratizar" e "regionalizar" a publicidade do governo. "Tinha um pequeno grupo acostumado a comer sozinho e, quando você reparte, as pessoas reclamam", comentou.
De acordo com o presidente, depois da realização da Conferência Internacional de Comunicação (Confecom), em 2009, em Brasília, "ficou claro que no mundo inteiro tem regulação, que tem algum tipo de regulação" e que será possível, com essa discussão "conquistar muitas coisas na elaboração desse marco regulatório". 
 
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