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Categoria: Diversos
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 Por Renato Paiva Lamounier 

  No rumoroso episódio envolvendo o Senador Renan Calheiros penso que o mesmo está sendo alvo de injustiça quando nós -- crédulos cidadãos comuns, muito embora sustentáculos do sistema como contribuintes e eleitores -- não somos capazes de entender a eficiência e capacidade do nosso representante. Estas qualidades ele demonstra possuir quando prestou explicações justificando que, segundo noticiou a Imprensa, com o produto da venda de uma casa em Brasília por R$600.000,00 adquiriu três fazendas no estado de Alagoas, num total de 700 hectares, as quais, ainda segundo divulgado pelos jornais e apesar de geridas à distância de milhares de quilômetros, deram-lhe um rendimento anual de R$1,9 milhão.

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É admirável este sucesso, principalmente numa atividade agro-pecuária do agreste nordestino, enquanto experientes fazendeiros da próspera, fértil e economicamente forte região sudeste, à frente de propriedades muitas vezes maiores,  amargam prejuízos que estão comprometendo bacias leiteiras tradicionais, assim como a criação de gado de corte e culturas nobres como as do café,  milho e feijão. O mais espantoso é que estes fazendeiros, além da larga experiência e hábitos frugais, estão íntima e diretamente à testa dos seus negócios do amanhecer ao anoitecer, sete dias por semana, durante todo o ano ao longo de várias gerações dedicadas ao campo.

Ao invés de ser levado a um calvário, segundo suas próprias palavras, merece o Senador Calheiros um prêmio na forma de um super-ministério onde fossem agrupadas, pelo menos, a Pasta da Agricultura, a da Fazenda e a do Planejamento, Orçamento e Gestão. Não é justo subestimar a sua competência e limitá-lo somente à presidência do Senado Federal, pois muito tem ele a fazer e a ensinar aos brasileiros medíocres do agro-negócio.

Também o Senador Romeu Tuma não merece a desconfiança da população quando declarou estar satisfeito com a insofismável documentação apresentada pelo investigado e do seu desejo em absolvê-lo. Homem afeito às lides policiais, com um invejável passado na Polícia Federal, que chegou a dirigir, não pode ser confundido com um “pizzaiollo” do Brásplanalto. Os seus ingredientes laborais e parlamentares não serão farinha de trigo e “muzzarella”. Tampouco o forno terá, certamente, o seu calor arrefecido por averiguações contábeis-financeiras, quebra de sigilo bancário e telefônico, tomada de depoimentos, acareações e outras práticas investigativas. Pura injustiça com o Delegado Tuma. Vejam só, longe de nós o pensamento de ter o corporativismo, a omissão e a conivência contaminado tão ilustre parlamentar, já que suas declarações, oportunas e sensatas, tinham apenas o propósito de  não empanar o brilho da convincente fala do Presidente do Senado e do dignificante séqüito do beija-mão que a ela se seguiu.

Afinal, não podemos esquecer que no Nordeste a inclemência do Sol e a força e a constância dos ventos alísios são um poderoso insumo na secagem de qualquer coisa que, após uma lavagem, deva ter aparência capaz de evitar um Corregedor abelhudo à cata de indícios imaginados por uma população maldosa e, mais do que isto, invejosa por não conseguir tamanho sucesso apesar de trabalhar cinco meses no ano só para o pagamento de impostos que ascendem a 40% do PIB.

 

                                                              (O Autor é Coronel Aviador da Reserva)