Ocupação nos complexos da Penha e do Alemão derruba índices de crimes na Zona Norte
Gabriel Mascarenhas - O Globo
A retomada das favelas dos complexos do Alemão e da Penha já começou a surtir efeitos nos índices de criminalidade da Zona Norte. Os chamados crimes de rua (assaltos a pedestres e roubos de celulares e em ônibus) diminuíram 41,3% entre os dias 26 de novembro e 9 de dezembro, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram registrados 197 delitos desse tipo, contra 336 na mesma época de 2009. No mesmo período, o número de roubos de veículos caiu a menos da metade: de 115 para 54, de acordo com o balanço divulgado ontem pela Polícia Civil. Os dados são referentes a bairros na região dos complexos, como Penha, Bonsucesso, Inhaúma, Olaria, Vicente de Carvalho e Braz de Pina.
A redução da criminalidade vem a reboque da queda no poderio bélico e financeiro da facção criminosa que controlava o tráfico nos dois complexos. Também entre os dias 26 do mês passado e a última quinta-feira, a polícia prendeu 133 pessoas, além de ter apreendido 36 toneladas de maconha, 418 quilos de cocaína, 161 quilos de crack e 5,2 quilos de haxixe. Na mesma ocasião, os policiais encontraram 496 armas no Alemão e na Vila Cruzeiro, entre elas 143 fuzis, 182 pistolas e 39 metralhadoras. Encontraram ainda 43 granadas e seis bombas de fabricação caseira e recolheram 400 motos e 40 automóveis.
Facção perdeu 60% de sua mão de obra
Para o diretor-geral de Polícia Especializada, Ronaldo Oliveira, o total de 133 presos é significativo e representa a desarticulação de, aproximadamente, 60% da facção criminosa dominante nos complexos.
- As imagens mostradas pela televisão daquele grupo de bandidos fugindo da Vila Cruzeiro para o Alemão contêm uma série de pessoas que eu chamo de traficantes de ocasião. Muitos deles, após a ocupação, abandonaram o crime, perceberam que não vale a pena. E agora os que se consideravam os chefes, como Pezão e FB, perderam os homens a quem eles delegavam operações, os que saíam às ruas para cometer crimes. Fora de suas tocas, menos protegidos, vamos pegá-los - afirmou Oliveira.
De acordo com ele, a criminalidade avança em cadeia, e a tendência é que os índices caiam ainda mais:
- Retirando 400 motos e centenas de armas; os criminosos perdem seus meio de locomoção e o poderio bélico.

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