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 Por Carlos Alberto Brilhante Ustra

    Tem razão o repórter Carlos Marchi quando escreve no Estado de São Paulo que a invasão da Reitoria da USP, em 3 de maio, foi uma ação planejada por partidos de extrema esquerda - o PCO, o PSTU e o PSOL, além do Sindicato dos trabalhadores da USP (Sintusp) e a central Conlutas . Segundo ele, os estudantes foram instruídos por Claudionor Brandão, ex-diretor do Sintusp e que os líderes do Sintusp comandam as ações diretas, fornecendo logística para a ocupação, além de orientação política.. Ainda, segundo o repórter, “dentro da reitoria ocupada a operação é conduzida por um grupo de 30 líderes estudantis que controlam centros acadêmicos, a maioria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Praticamente todos são dissidentes do PT; muitos militam nos três partidos e alguns integram também o primeiro grupo”. (...)

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    Essa invasão é manipulada. O Movimento Estudantil começa assim, estudantes sendo usados por “líderes estudantis”, que são filiados a partidos de extrema-esquerda e que estão a serviço de organizações bem mais fortes e experientes do que  estudantes. Sempre foi assim. O jovem, inocente útil,  é usado como bucha de canhão. Sua ousadia, sua esperança de reformar o mundo e  seu idealismo sempre são explorados.

     O recrutamento é feito, normalmente, em reuniões sociais, bares, shows, colégios e faculdades.  Depois, os que mais se destacam são reunidos para discussões em torno de fatos políticos da  vida nacional. Aos poucos vão surgindo os líderes entre o grupo e esses são cooptados. O experiente coordenador,  militante profissional, esquerdista radical, os leva para atitudes extremadas.

     Qualquer crise, insatisfação ou reivindicação popular sempre foram, são e serão “ganchos” para iniciar protestos, muitas vezes, violentos.

    Foi assim, antes de 1964, ainda no governo institucional de  João Goulart. A desculpa é a mesma - queriam democracia -, quando na realidade, tentavam implantar um regime totalitário, tendo Cuba  como modelo .

     O governador de São Paulo, acuado com a invasão da Reitoria que  já dura 39 dias, ameaça usar uma tropa de choque.

    Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Serra não se lembra que, em 1963, eleito presidente da UNE, com o aval da organização subversivo-terrorista a que pertencia, a Ação Popular-AP, que, desde 1960, controlava 65%  dos diretórios acadêmicos, do Partido Operário Revolucionário Trotskista - PORT e do Partido Comunista Brasileiro - PCB, comandou muitas invasões e passeatas de estudantes  até  a Contra-Revolução colocar ordem na baderna. E isso, apesar de estarmos em pleno regime democrático no governo Jango.

    Deposto Goulart, as manifestações  se intensificaram. A finalidade,  a mesma de sempre - implantar uma ditadura do proletariado no País. Iludindo o povo e os jovens, alegavam que lutavam pela liberdade, pela democracia e para derrubar o Regime Militar.

    As manifestações se tornaram freqüentes. Primeiro pacificamente, depois, o movimento foi recrudescendo, até haver a repressão policial para que a ordem fosse mantida. As manifestações estudantis foram, cada vez mais ,sendo dominadas por subversivos que atuavam, infiltrados no movimento. Uma greve geral paralisou as universidades brasileiras. Ocorreram passeatas onde os estudantes,  em várias capitais depredavam bancos, lojas e incendieavam carros

    O ano de 1968 foi um ano crítico. Vejamos alguns fatos:

 Em 19 de junho - Comandados por Vladimir Palmeira, da Dissidência Comunista da Guanabara, e presidente da União Metropolitana de Estudantes Secundaristas (UMES), 800 agitadores tentaram, sem sucesso, tomar o Ministério da Educação e Cultura (MEC);

 - 20 de junho - 1.500 participantes, entre estudantes e populares, ocuparam a Reitoria da Universidade Federal do Rio Janeiro, submetendo os professores as maiores humilhações;

 - 21 de junho - O centro da cidade do Rio de Janeiro tornou-se um campo de batalha. A violência foi tão brutal que esse dia ficou conhecido na história do movimento estudantil como “Sexta-Feira Sangrenta”. Aproximadamente dez mil pessoas, entre estudantes, populares e muitos agitadores, infiltrados, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam lojas e atacaram a tiros a Embaixada Americana e as tropas da Polícia Militar. Saldo da batalha campal: centenas de feridos e quatro mortos, dentre os quais o sargento da Polícia Militar Nelson de Barros e os civis Fernando da Silva Lembo, Manoel Rodrigues Ferreira e Maria Ângela Ribeiro;

 - 22 de junho - Dezenas de manifestantes tentaram ocupar, sem sucesso, a Universidade de Brasília (UnB);

 - 24 de junho - Cerca de 1.500 manifestantes realizaram uma passeata no centro de São Paulo e depredaram a farmácia do Exército, o City Bank e a sede do jornal O Estado de S. Paulo;

 - 3 de julho - Dezenas de agitadores, portando metralhadoras, fuzis, revólveres e coquetéis “molotov”, ocuparam as Faculdades de Direito, Filosofia e Economia da Universidade de São Paulo (USP), fazendo ameaças de colocação de bombas. Aloysio Nunes Ferreira – “Beto” ou “ Mateus”, militante da ALN, motorista de Carlos Marighela, como presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, São Paulo, participou da ocupação da Faculdade, ameaçando incendiá-la caso fosse invadida pela polícia. Contava para isso com mais de 100 coquetéis molotov;

 - 4 de julho - No centro do Rio de Janeiro, nova manifestação, a “Passeata dos cinqüenta mil”, foi o ponto culminante da radicalização ideológica. No final da manifestação, postados em frente à Central do Brasil, provocavam os soldados que faziam guarda ao prédio do Ministério do Exército gritando: “só o povo armado derruba a ditadura”;

 - 23 de julho - Realizados em São Paulo comícios relâmpagos com a participação de operários de Osasco. Os líderes comunistas tinham conseguido aglutinar vários setores e partiam para a terceira tentativa de tomada do poder;

 - Em 29 de agosto, tumultos agitaram o interior da UnB, com depredações de salas de aula e disparos de armas de fogo, ocasião em que foi preso o militante da AP, estudante Honestino Guimarães, presidente da Federação de Estudantes Universitários de Brasília (FEUB).

    Aulas inaugurais foram interrompidas e professores submetidos a humilhações. Nas passeatas carros da polícia eram incendiados. A baderna era generalizada.

    Nos dias atuais, não se sabe o desfecho da invasão da USP. A UNE já está ameaçando com novas invasões. O presidente da mesma, Petta ou Pettinha, como o presidente Lula o chamou, já esteve no Palácio do  Planalto fazendo ameaças de novas invasões.

     Os líderes do movimento se negam a desocupar a reitoria. Parece que preferem o confronto com a tropa de choque  o que vem sendo ameaçado pelo governador José Serra e seu Secretário da casa  Civil, Aloysio  Nunes Ferreira.

    Nada pior que estar em um cargo público e sentir as pedras em seu telhado.

    .Aloysio Nunes Ferreira, apesar de ter participado de atos semelhantes e outros muito piores, como o assalto a um trem pagador, diz “estar convencido de que, por trás da crise nas universidades paulistas, com estudantes ocupando a reitoria da USP há quase um mês, há uma mistura explosiva de desinformação, corporativismo e “ estudantes rebeldes sem causa “, que depredaram não só as instalações da reitoria, mas a ordem jurídica.”

    “A decisão de que os estudantes devem deixar a reitoria é da justiça. Espero que os estudantes saiam pacificamente. O governador foi líder estudantil, lutou pela democracia e pelo estado de direito. Essas pessoas estão afrontando o Estado de direito.”

    “ Serra também criticou a forma como o protesto está sendo realizado, e lembrou seus tempos de líder estudantil, quando foi presidente da UNE. Fazíamos agitação , baseados em posições políticas, em teses que podiam ser discutíveis , mas eram verdadeiras.”  ( O Globo)

    Veja o que escreveu Élio Gaspari em 28/05/2000 - O Globo

    (...) ) O ministro José Serra era presidente da UNE em 1964. A escumalha que ele representava fazia coisa pior, muito pior. Cinqüentões, todos esses baderneiros lembram-se com ternura de suas malfeitorias ( cometidas num regime democrático )... O ministro  Aloysio Nunes Ferreira chama de bandidos, canalhas, facistas e porras-loucas extremistas os baderneiros de hoje. É forte. (...)


    É preocupante a situação que se apresenta agora para esses senhores, com as responsabilidades de cargos públicos e com a experiência de seus passados de agitadores.

    É preciso muita prudência!... É preciso agir com cautela!... O governador José Serra, que se refugiou no Consulado da Bolívia , logo que a Contra –Revolução foi deflagrada, fugindo depois para o exterior , e seu auxiliar que fugiu para a França, devem saber bem, como essas coisas fogem ao controle no ato do enfrentamento. Eles hão de se lembrar, apesar de estarem bem longe das escaramuças da guerrilha urbana, o que aconteceu no dia 13 de maio de 1968, quando 500 estudantes de uma passeata organizada pela Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas - AMES, do Rio de Janeiro, reivindicando melhoria no Restaurante do Calabouço, manipulados por Elinor Mendes de Brito, presidente da Frente Unida de Estudantes do Calabouço – ( FUEC) , e militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário - PCBR, entraram em choque com a polícia. Uma bala perdida, infelizmente, matou o estudante Edson Luiz de Lima Souto, natural de Belém do Pará. Eram muitos os mortos desde que o movimento fora iniciado, mas agora, havia um mártir no meio estudantil , resultado do confronto com a polícia!

    Um novo Edson Luis será muito prejudicial para sua carreira política e poderá deflagrar uma crise muito séria no país. É assim que começa.E isso, tenho certeza, não será bom para o governador José Serra!...

    

     Fontes: Orvil   e  A Verdade Sufocada

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