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Categoria: Diversos
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 Pelo Cel R1 Aluísio Madruga de Moura e Souza - Ternuma Regional Brasília

Promoção de Carlos Lamarca e indenizações a seus familiares

Não tenho dúvidas que já nos idos de 1985, portanto ainda no século passado, as elites brasileiras já se encontravam gravemente enfermas. E de lá até os dias atuais esta enfermidade se agravou, sendo certo que não estamos falando de moléstia, achaque ou doença física. Daí a gravidade da afirmação, pelo fato de que a enfermidade da qual falamos atingiu índices alarmantes. Afirmo, sem medo de errar, que atingiu índices insuportáveis para a população brasileira.

 


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Também não falo de enfermidade econômica e sim daquela que a história tem demonstrado, em determinados momentos da vida da humanidade, ter se apoderado de várias civilizações destruindo-as. É isto que a elite brasileira está fazendo com o nosso Brasil, ou seja, destruindo-o. Atingida como um todo pela enfermidade moral, as nossas elites já não se envergonham de nada, com destaque para as nossas elites políticas. Com sua desfaçatez, imoralidade e irresponsabilidade estão produzindo uma “cultura de lixo atômico” que já contaminou toda a sociedade e, em particular os mais jovens. 

Constituída pelo mundo das máquinas e da tecnologia sem alma, impregnada dos erros do passado, e totalmente dividida, a sociedade moderna e em particular a brasileira, desagrega-se,  dia após dia, como resultado da desvalorização e, muitas das vezes, do rompimento com as regras tradicionais que dão consistência à vida. O seu elemento básico, o ser humano, está dominado de vícios e defeitos que estão impedindo o desenvolvimento da personalidade das pessoas para as formas superiores de vida, tornando os indivíduos e, sobretudo os que formam hoje as nossas elites, indivíduos mesquinhos, avarentos, desumanos, corruptos e, acima de tudo, odiosos entre si.

No passado, Aléxis Carel, francês prêmio Nobel de Medicina, autor dentre outros da famosa obra “O Homem, Este desconhecido” fez a seguinte declaração: “Este mundo será o que dele nós fizermos. Temos que escolher: ou o caos, a ruína, a escravidão, ou o duro trabalho de reconstrução de nós próprios; ou a satisfação de nossos apetites e de nossos caprichos, ou a obediência estrita às regras da conduta racional da vida; ou o bem, ou o mal”.

Hoje, um dia de junho de 2007, afirmamos com toda convicção que a enfermidade moral feriu de morte as elites brasileiras, que estão no poder e essas com suas ações deletérias contaminaram nossa sociedade como um todo. O Brasil está na UTI e de lá dificilmente sairá. A solução seria pela via da educação do povo como um todo, o que levaria muitos anos. E para esta solução já não há tempo. A injustiça e a fome, para a grande maioria, aí estão, enquanto uma pequena minoria, que tudo pode, beneficia-se sendo corrompida e corrompendo. Basta estar acompanhando a mídia para constatar o que afirmo.

Nossas elites já não representam os anseios da Nação. Representam, isto sim, seus interesses próprios, de seus parentes e comparsas, visando benefícios imediatos, sem nenhum tipo de preocupação com os problemas do País. Por outro lado, os governos pós 1985, também não estão interessados em detectar os verdadeiros anseios da Nação e em elaborar planos e projetos que atendam às aspirações populares. Agissem as elites como seria o normal, não estaríamos assistindo exemplos lastimáveis de corrupção, falta de decoro parlamentar e de segurança que atingiram índices intoleráveis. A saúde pública está um caos, com alguns hospitais universitários correndo o risco de fecharem. Centenas e centenas de doentes de baixa renda não conseguem ser atendidos, o que chega ser uma desumanidade. Mas nossas autoridades governamentais, em todos os níveis, ou seja, Federais, Estaduais e Municipais estão muito pouco preocupadas com estes fatos já que elas não enfrentam estes problemas.

Enquanto isto, as atuais autoridades que compõem a cúpula das Forças Armadas estão em estado de lassidão. E o exemplo mais gritante e recente desta situação diz respeito ao julgamento e concessão de anistia, além do aumento de pensão vitalícia à  Maria Pavan Lamarca, viúva do desertor do Exército Brasileiro, ex-capitão Carlos Lamarca, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Inclusive, com o voto de um representante das Forças Armadas.

Será que esse representante,  tinha o direito de desconhecer que Lamarca foi um traidor, desertor, ladrão de material bélico do Exército, seqüestrador, terrorista e assassino? Será que ele desconhece que Lamarca optou por entrar em combate com companheiros de farda? Ou ele conhece a vergonhosa história de Lamarca e assim mesmo foi favorável?

A conclusão e julgamento desta Comissão é uma mentira cínica e desavergonhada!

Agora Lamarca não é mais um desertor! Passou a ser um homem que foi injustiçado. Foi promovido ao posto de coronel sem nem mesmo ter cursado a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), por opção própria, já que desertou.

Será que a Comissão desconhecia que cursar a EsAO sempre foi condição básica para o militar ser promovido a oficial superior?

Será que o Alto-Comando tentou esclarecer à Comissão sobre os pré-requisitos para um capitão chegar a coronel ou nem sequer foi avisado?        

Será que os órgãos de Inteligência do Exército não alertaram as autoridades competentes sobre esse detalhe de nossa carreira?

Será que essa Comissão tem autoridade para promover oficiais das Forças Armadas?

Será que vamos ter que engolir mais um sapo na crença ingênua da possibilidade de uma “convivência sadia entre contrários”? Esqueceram-se da composição deste atual desgoverno?

Agora estamos, nós das Forças Armadas, não com um sapo, mas com um elefante atravessado na garganta.

A Comissão que é composta de notórios comunistas e terroristas colocou a opção nas mãos das Forças Armadas - aceitar ou não tal afronta às leis, compete aos Senhores Oficiais que fazem parte do Alto-Comando das três Forças, mas em particular, ao Alto-Comando do Exército.

Senhores Comandantes das três Forças, trata-se da honra do Exército e de todos nós militares. Não existe outro caminho a não ser dizer! Não! Não! e Não! Entrem com uma ação na Justiça.  A promoção é competência da Força a que Lamarca pertencia, antes de desertar!

Afinal de contas, todos os senhores, como nós, fizeram um juramento que não pode ser esquecido. É só dizer a quem de direito com muita firmeza: basta! Esse elefante não passa pela nossa garganta porque contraria as leis vigentes neste País. Trata-se de provocação inaceitável e um insulto à população brasileira. Lamarca foi um desertor das fileiras do Exército. Abandonou posto, função e emprego. Roubou o armamento pertencente à Nação que estava sobre sua responsabilidade, assassinou em mais de uma oportunidade e realizou vários atos de terrorismo, em nome de uma ideologia contrária aos nossos princípios democráticos.

E porque indenizar sua família, que, fugiu para Cuba, voluntariamente, no dia em que Lamarca traiu seu juramento, seus colegas de farda e desertou do quartel levando as armas que o Brasil lhe confiou.  Ele não foi expulso, ele desertou!!!

O autor publicou os livros:

Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A grande Verdade e

Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada.