Alimentos são levados pelas águas.
Catarinenses ilhados
 
Por Vinicius Sassine - Correio Braziliense - 24/01/2011  
Fortes chuvas registradas desde sábado deixaram 17,3 mil desalojados e desabrigados em 52 cidades. Policiais usam helicópteros para levar comida e remédio às vítimas 
Mirim Doce é um pequeno município catarinense. Tem menos de 20 anos de emancipação, 2,5 mil moradores, expressivas colônias italiana e alemã.

Localizado no Alto Vale do Itajaí, bem acima do nível do mar, Mirim Doce foi a primeira cidade a decretar situação de calamidade pública desde o início das fortes chuvas em Santa Catarina, no sábado. Todas as famílias que vivem no município foram prejudicadas pelas enchentes, e a prefeitura já não tem qualquer condição de socorrer os moradores.
Mais de 40% da população — 1.050 pessoas, segundo cálculo da Defesa Civil de Santa Catarina — estão desabrigadas ou desalojadas. Trata-se de calamidade pública, e uma força-tarefa foi montada para socorrer os moradores.

As enxurradas em Santa Catarina decorrentes das fortes chuvas ampliam os estragos no estado e relembram a maior tragédia natural já registrada em território catarinense. Em novembro de 2008, 135 pessoas morreram soterradas e 78 mil ficaram desalojadas por causa dos deslizamentos decorrentes das chuvas intensas naquele mês. Agora, já são 17,3 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas em 52 cidades — 28 delas decretaram situação de emergência e uma, Mirim Doce, estado de calamidade pública. A Defesa Civil confirmou cinco mortes por causa das enchentes em Florianópolis, Jaraguá do Sul e Massaranduba. Ao todo, conforme o boletim divulgado pela Defesa Civil às 17 horas de ontem, 749,8 mil pessoas foram afetadas de alguma forma pelas chuvas.
Em Mirim Doce, 600 pessoas precisaram ser deslocadas devido aos estragos provocados pelas chuvas. Não houve mortes, mas 115 moradores se feriram em decorrência das enxurradas. Quase 200 casas foram danificadas e o fornecimento de água e energia ficou prejudicado. Moradores estão isolados, sem transporte e comunicação. Um helicóptero da Polícia Civil do estado transporta alimentos, medicamentos e colchões para as famílias isoladas.
Em Joinville, desde sábado, um helicóptero da Polícia Militar é usado para resgatar moradores ilhados. Cerca de 6.300 pessoas permanecem sem abrigo na cidade. Uma aeronave, do Corpo de Bombeiros, socorre vítimas na Grande Florianópolis. Duzentos mil moradores da capital foram afetados pelas fortes chuvas. Cinco mil catarinenses permaneciam sem energia elétrica até o fim da tarde de ontem.
Leptospirose confirmada
Na visita que fez a Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, descartou a ocorrência de leptospirose na cidade e em Teresópolis. A declaração à imprensa foi dada na tarde do último sábado. Poucas horas depois, no entanto, a Secretaria de Saúde do Rio confirmou a manifestação da doença nas duas cidades.
Em Nova Friburgo, segundo a secretaria, duas pessoas contraíram leptospirose antes das enchentes na região serrana. Em Teresópolis, a infecção de um menino de 12 anos foi em decorrência das enxurradas, situação ignorada pelo ministro da Saúde. Alexandre Padilha disse que o ministério continua monitorando a manifestação da doença na região. As chances de transmissão são potencializadas em situações de enchentes, inundações e deslizamento de terra.
803 mortes
A lista de cidades onde existem desabrigados e desalojados, por causa da tragédia na região serrana provocada por fortes chuvas e deslizamentos, foi acrescida de mais 11 municípios. São mais de 20 mil pessoas vivendo em abrigos das prefeituras ou em casas de amigos e parentes. Até agora, conforme o balanço oficial divulgado pela Secretaria de Saúde e pela Defesa Civil do Rio de Janeiro, foram registradas 803 mortes em decorrência dos deslizamentos e alagamentos na região serrana. Cerca de 430 pessoas continuam desaparecidas. As enchentes na região e as consequências verificadas configuram-se a maior tragédia natural já registrada no país.
 

Comments powered by CComment