Atrás de faixas, a "multidão "-70 pessoas-, militan-
tes do MTST, Liga Operária, PSOL e PCO , represen-
tantes da esquerda radical brasileira, demostraram
a "grande insatisfação brasileira" com a extradição

Decisão sobre Battisti é jurídica, diz Dilma
Em carta ao presidente italiano, petista classifica de "injustas" as manifestações contra a não extradição do terrorista
Brasileira escreveu a Giorgio Napolitano para reduzir tensão entre os países e afirmou que caso ainda cabe ao STF
Por Eliane Cantanhede - da Folha de São Paulo - 29/01/2011

Em carta ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, a presidente Dilma Rousseff classificou de "injustas" as manifestações contra o Brasil por causa da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar o terrorista Cesare Battisti. 

Texto completo

 

"Lamento que esse episódio [o caso Battisti] se tenha prestado a manifestações injustas em relação ao Brasil, a meu governo e ao ex-presidente Lula", escreveu ela.
A carta, cujo teor foi antecipado pela Folha.com ontem, é uma resposta à mensagem de Napolitano a Dilma, insistindo na extradição de Battisti e argumentando que a decisão de mantê-lo no Brasil "é um motivo de desilusão e amargura para a Itália".
Napolitano defendeu as instituições democráticas e o Estado de Direito no seu país e considerou que "não são aceitáveis emoções, negociações ou leituras românticas dos derramamentos de sangue, e as responsabilidades não podem ser esquecidas".
Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por assassinatos cometidos quando era terrorista.
Na sua resposta, Dilma disse que a posição adotada por Lula foi baseada em parecer da Advocacia-Geral da União e "não envolve qualquer juízo de valor sobre a Justiça italiana, menos ainda sobre a vigência do Estado de Direito no país".
Ela reduziu a tensão entre Brasil e Itália a "divergências jurídicas" e disse que o Supremo Tribunal Federal irá se manifestar sobre a decisão de Lula ao retomar os trabalhos, na próxima semana.
Battisti está preso em Brasília, e o Supremo está dividido quanto à sua extradição. A questão no novo julgamento será exatamente sobre acatar ou não a decisão de Lula, porque parte dos ministros considera que só o Supremo pode decidir em casos de extradição.
Neste caso, ao presidente brasileiro caberia unicamente cumprir o Tratado Bilateral com a Itália, decidindo apenas quando e como fazer a entrega de Battisti.
Um ato em defesa de Battisti levou ontem 70 pessoas à calçada em frente ao consulado italiano, na avenida Paulista, em São Paulo.
Manifestantes estenderam faixas em frente ao prédio em apoio à libertação do italiano. Os manifestantes eram ligados a grupos da esquerda brasileira, como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Liga Operária. Membros de partidos políticos da esquerda, como PSOL e PCO, também estiveram lá.
Cerca de 20 policiais civis e militares, em três carros, acompanharam de perto a manifestação, que não chegou a atrapalhar o trânsito da região e durou uma hora.
Ex-membro do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), organização radical ativa nos anos 70, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios na Itália. Ele nega as acusações.
Preso no Brasil desde 2007, ele se diz perseguido pelo Estado italiano -motivo que fez Lula optar pela concessão do status de imigrante -e pelo Judiciário do Brasil.
Políticos e diplomatas italianos, com grande repercussão na mídia local, atacaram a decisão do ex-presidente.
Silvio Berlusconi, mandatário do país, recuou após subir o tom das críticas e disse que o caso não afetaria os laços de amizade as nações.
 
Adicionar comentário