Todos temem a guerra mas sequer reconhecem seu som.
Por
Sérgio Marino Ribeiro Neves Filho

Apesar do bombardeio de mentiras, nosso sangue ainda sabe que nem sempre uma guerra se faz com morteiros, metralhadoras e granadas. De nossas casas o som da guerra já não se escuta, mas sei que estamos em guerra neste exato momento. Aos que não sabem, o terror é falso, os morteiros acabaram nos anos setenta, e a partir daí só ouve-se o som agudo e estridente das lâminas de papel, tinta e palavras, embora haja sempre uma televisão gritando que iremos morrer.

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A melodia silenciosa da terceira guerra parece ter aumentado de volume nos últimos anos. Alguns poucos ouvidos aguçados ainda são capazes de escutar o assovio dos morteiros que ainda caem sobre nossas instituições. Nossos infantes famintos e moribundos por falta de atenção de nosso secular falso comando, lamentam, juntamente aos nossos soldados, a falta de suprimentos e incentivo à manterem-se de pé.

Nossos postos de comunicação estão sitiados pela força inimiga, nossos céus estão paralisados, nosso moral escandalizado, nossos suprimentos acabados, e nossa inteligência perturbada. Todavia, nosso olhar altivo enxerga além das linhas inimigas, e enquanto nossos inimigos andam de peito estufado na crista do país, nos escondemos nas crateras que seus próprios morteiros abriram, segurando com nosso braço forte os alicerces da sociedade brasileira.

Nenhuma guerra é ganha com mercenários.

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