Mubarak cede e quer diálogo com oposição 
O Globo - 01/02/2011  
Pressionado por uma greve geral convocada para hoje por sindicatos, partidos políticos e sobretudo pela Associação Nacional por Mudança - criada no ano passado pelo ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Prêmio Nobel da Paz de 2005, Mohamed ElBaradei - o Exército do Egito reconheceu, pela primeira vez, em quase 30 anos de ditadura, o direito dos egípcios à liberdade de expressão.
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Diante da ameaça de novos distúrbios causados pela manifestação que pretende reunir um milhão de pessoas exigindo a renúncia do coronel Hosni Mubarak, as Forças Armadas emitiram um comunicado garantindo que não recorrerão à força para reprimir os manifestantes.
Além de nomear novos ministros, Mubarak deu mais uma prova de que não pretende abandonar tão cedo a cadeira presidencial ao instruir seu novo vice-presidente, Omar Suleiman, a iniciar diálogos com todos os blocos de oposição - inclusive para discutir reformas legislativas e constitucionais. Nos bastidores, cresciam também as articulações para assegurar uma transição pacífica à democracia. Depois de costurar alianças com outras facções, Mohamed ElBaradei reuniu-se na noite de ontem com oficiais de média patente do Exército. Segundo fontes ligadas à Associação Nacional por Mudança, o líder oposicionista estaria negociando uma nova Constituição, laica, civil e democrática - o que afastaria os temores de que um governo de orientação islâmica emergisse no futuro.
Entre os novos ministros anunciados mais cedo por Mubarak, está o general Mahmoud Wagdy, ex-chefe do departamento de investigações criminais da Polícia, indicado para o Ministério do Interior - responsável pela temida polícia. Velhos aliados do presidente foram mantidos em cargos-chave como Defesa e Relações Exteriores. O ditador decidiu, ainda, afastar empresários que ditavam a política econômica liberal.
Apesar das promessas de mudanças, chegar ao megaprotesto de hoje não será fácil. Numa tentativa de impedir os manifestantes de chegar à Praça Tahrir, o sistema de trens foi suspenso por tempo indeterminado e fontes do Ministério da Informação afirmaram à CNN que os serviços de telefonia serão cortados. Desde ontem, as manifestações já não têm o regime como único alvo. Faixas e cartazes traziam também o nome de Obama e referências a Israel - cujas boas relações diplomáticas com o Egito são desaprovadas por boa parte de uma população cujas camadas mais humildes prezam pela devoção ao islamismo. Gritos de "Israel é o próximo alvo" foram ouvidos na Praça Tahrir, onde tanques do Exército já dividiam espaço com a polícia.
A atmosfera nas ruas, no entanto, era mais festiva do que tensa. Milhares de pessoas passaram a noite de domingo na praça, aquecendo-se em fogueiras, muitas dormindo nos canteiros - principalmente manifestantes que vieram de outras cidades para a capital, como o microempresário Mohammed Mohsen, de 28 anos, que ainda trazia no casaco e colchão improvisado um pouco da poeira acumulada pela utilização de um canteiro de obras como dormitório.(...)
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