Editorial - Correio Braziliense - 05/2/2011
O apagão que deixou no escuro milhões de pessoas na maioria dos estados do Nordeste na madrugada de ontem serve como mais um aviso às autoridades e a todo o país de que o sistema continua vulnerável. Quanto mais detalhadas as explicações sobre o ocorrido, maior é a sensação de que, a qualquer momento, em qualquer lugar, a eletricidade pode faltar. Não importam as condições do tempo.
Desta vez, não havia chuva forte nem ventania. Tudo começou por volta da meia-noite, hora local (a região está fora do horário de verão), quando foram desligados três sistemas fundamentais ao fornecimento de eletricidade ao Nordeste, que distribuem a energia gerada pelas usinas de Xingó, Paulo Afonso e Luiz Gonzaga. O desligamento ocorreu automaticamente, depois que um componente eletrônico do sistema de proteção de uma subestação de Luiz Gonzaga, em Petrolândia (PE), falhou. 
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O restabelecimento da energia levou de três a quatro horas, apenas não ocasionando mais prejuízos por haver ocorrido em horário noturno. Mesmo assim, causou problemas que até o início da noite de ontem permaneciam sem solução. Em várias cidades foram afetados o abastecimento de água, caixas eletrônicos, terminais bancários, telefones e outros sistemas de comunicação. Em Pernambuco, a escuridão facilitou a briga entre facções num presídio da capital, o que terminou com o trágico saldo de um preso morto e outro ferido. O Aeroporto de Natal teve as operações interrompidas, obrigando a transferência dos voos para Fortaleza (CE).
Autoridades do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema (ONS) prometem esmiuçar as causas do apagão. De fato, não basta localizar a cartela de segurança que falhou no interior de Pernambuco. Montado para evitar prejuízos ao sistema, o mecanismo de autoproteção reage ao menor sinal de sobrecarga, verdadeiro ou não. Essa reação deveria ser limitada à área próxima ao problema, mas o que voltou a acontecer é que uma pequena falha propagou efeitos sobre todo o sistema de uma vasta região. O que se espera são ações concretas para pôr fim às vulnerabilidades.
Vã é a orientação dos marqueteiros para evitar o termo apagão, temendo a associação da interrupção no fornecimento de energia à incapacidade de geração que levou o país ao racionamento em 2001, o que seria muito mais grave. Apenas acertam ao diferenciar os dois casos, já que agora, como em 2009, quando 18 estados sofreram com queda de energia, houve sim “apagão”, definido pelo Aurélio como “corte ou interrupção no abastecimento de energia elétrica, de grande extensão, ou o escurecimento completo que dele resulta; blecaute”.
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