Por Cel Refm Adalto Luiz Lupi Barreiros

Recebi suas colocações sobre o "timing" em que as coisas deveriam ocorrer e que a fruta ainda não estaria madura para ser colhida. Portanto, deveremos manter o esforço que se desenvolve no sentido de esclarecer a verdade. Esse seria o nosso papel. Como considero importante as suas colocações, resolvi responder para fixar algumas colocações que aparentemente podem parecer conflitantes com aquelas, mas que objetivam , na verdade, ampliar o entendimento da questão fundamental que envolve ambas as posições.

Tenho mantido certa abstinência na internet, exatamente pelo que vou lhe responder agora!

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Compreendo sua posição e nada que possamos fazer (tanto eu, como um General, como qualquer outro companheiro da Reserva) resolverá a questão. Ela é a mesma que me aflige e, tenho certeza, o preocupa. Somos todos, vítimas de nossa própria incúria e, de certa forma, de nossa brasilidade, ai se entendendo todos os traços que dominam o psicossocial brasileiro. Mas, é preciso ser frio com os fatos! Estamos onde nos colocaram os próprios atos dos chefes militares, quando permitiram o que não poderia ter sido tolerado, mesmo sob a égide do regime constitucional. Inquestionavelmente somos os réus da história e até que as posturas mudem assim permaneceremos.

 O fato é que há um processo em marcha, para o qual, não só eu, mas muitos de nós tenta alertar. Há uma revolução gramscista, com todos os seus mecanismos e instrumentos em marcha no país. A praxis fundamental dela é usar os instrumentos da democracia ocidental para subvertê-la e implantar o estado total. Nada de assalto pela força, ao poder do Estado. Se isto for necessário, só na fase final das etapas. É o que está em marcha. Sob esse aspecto a situação é muito mais complicada do que em 35 e em 64. Neste aspecto é mais que prudente e justificável as suas colocações. Toda estratégia que se contrapôs ao revolucionarismo marxista-leninista e que hibernou por mais de 70 anos e foi ressuscitado após a queda da URSS, substitui com eficiência as teorias de tomada do poder pelo processo da "revolução do proletariado". Nessa nova estratégia já estamos numa fase quase que estatal (onde a aparelhagem do estado já atingiu níveis e limites, elevados e extensos). Mais grave, dentro da democracia representativa que em si é uma alavanca poderosa. Isto permite que a crise orgânica avance e nossas profundas desigualdades alimentem, como um acelerador, o controle da hegemonia sobre a tal "sociedade civil". Na verdade a própria "sociedade política" já está em grande parte sob controle. Ai a herança política brasileira facilitou em muito a etapa de simbiose que se seguirá, controlando a sociedade civil e a política, trocando sinergia entre as duas e preparando o golpe final de mudança do sistema político. Enquanto os generais não planejarem o momento futuro dessa catarse e não mudarem o rumo de suas posturas, nada há que possamos fazer para influir nesse momento futuro. Nem mesmo o que fazemos, amplificando informações e esclarecendo. Só farão isso quando compreenderem em toda sua extensão esse processo. Espero que assim seja. Tenho dúvida que isto ocorra, no momento. Restará apenas saber para que lado irão as instituições militares quando várias gerações de chefes militares tiverem vivido os "novos tempos", pois que esses tempos novos nada mais são do que a revolução gramscista do ocidente aplicada ao Brasil. Os 4 (quatro) anos de Albuquerque não são um exemplo disso? Neutralizar os poderes coercitivos do Estado Nacional é um dos mecanismos do etapismo que caracteriza esse processo. Resta, portanto, saber a favor de quem o tempo contará. Pois o tempo, na conjuntura atual e nos avanços que chegou, trabalha a favor dos inimigos da democracia. O caso Lamarca é apenas um fato desse mecanismo de quebra do poder de coerção do estado nacional, pois as FFAA são o mais importante desses instrumentos de coerção. De certa forma, somos ingênuos nesse processo e, pior ainda, não aprendemos a entendê-lo como um todo, porque não o dissecamos como devíamos. Tratamos de cada fato como se fosse isolado dos demais e cada autor, como se ele fosse um personagem isolado do cenário. Por isso achamos o Lula um apedeuta despreparado e o vemos como uma personagem quase que irônica. Em cada fato que você tomar conhecimento na vida diária do país, está presente um passo dessa tal revolução, entretanto. Nós é que não os enfocamos através dos mecanismos e instrumentos do gramscismo.

 Esse é o grande problema que vivemos. Tanto eu, como o prezado companheiro, só podemos conversar e esclarecer. O problema é que eles (os chefes militares) não gostam muito de nossa conversa, mesmo reconhecendo que a recente mudança de comandos, mudou um pouco as coisas. Eles querem viver o operacional das FFAA, sob o poderoso instrumental dos vocacionados (vocacionado foi um novo conceito fixado em que se definem os que são voltados exclusivamente para a Força e suas missões); e, convenhamos, é mais cômodo o dia-a-dia desse operacional. É mais fácil seguir a grandezas da profissão militar do que assumir as suas servidões. Podemos insistir com eles e rezar para que não se contaminem e acabem aderindo ao que repudiam em suas consciências de soldados, mas temos que ter consciência do processo. Infelizmente pouca gente o conhece em profundidade! E ele está e vai muito além do Lula e do PT.

 Quando o nosso presidente diz que o Chavez é uma Ferrari que anda a 300 km por hora e ele aqui tem que andar mais devagar, pois que o Brasil não é a Venezuela, esse momento futuro de que lhe falo está definido por ele. Claro... como um dia ensolarado do outono! O que falta é a informação analítica que ligue milhares de frases como essa e como as que mandei recentemente, sobre o caso Lamarca (uma do Zé do Caroço e outra do Tarso Genro - um dos ideólogos do núcleo de poder e do próprio processo e oficial R/2, para nossa desgraça).

 A questão é então essa! Tempo em que o processo gramscista terá curso e tempo em que a fruta será considerada madura. Isto será crucial. Logo devo deduzir, pelo que foi colocado, que esse momento futuro está sendo visto e planejado. Mas, confesso, tenho dúvidas disso. Exatamente porque conheci e conheço a estrutura da Força Armada e porque vivi mais de 35 anos entre as mais confusas e controversas condutas de seus integrantes e em situações extremamente críticas. O que ocorrerá quando várias gerações de chefes militares tiverem vivido os "novos tempos" ?

 É sempre difícil lidar com os fatos tal como eles são e gostaríamos que fossem diferentes. É difícil justapor esses fatos e correlacioná-los analiticamente, abstendo-se de subjetividade, para deles extrair hipóteses viáveis que nos permitem delimitar possibilidades factíveis, mais prováveis ou até mesmo com alto grau de ocorrência futura. É difícil também questionar e exercer responsabilidades que pesam sobre ombros alheios e compreender os atos de nossos companheiros da Ativa. Nem sempre somos justos nisso. Mas, o fato é que o fator fundamental passou a ser o tempo que cada um dispõe para fazer andar o seu andor. Esse tempo, como disse, urge, pois que dado o que já se expandiu sobre a "sociedade civil" e sobre o estado nacional em si (ou seja sobre a sociedade política e a sua aparelhagem) e dada as condições que imperam na sociedade brasileira(políticas e sociais, principalmente), ai se incluindo os interesses externos (quase todos com gênese na tal globalização), torna o processo adverso contra quem quer preservar o país num sistema democrático. Esse tempo está a favor de nossos eternos inimigos, ainda que compatriotas!

 Espero que possa ter contribuído de alguma forma, para ampliar o que o prezado companheiro me colocou, como deve ter colocado a outros que estejam nas trincheiras.

 Saúde e Paz.

 Com respeito pela suas colocações.

 Barreiros

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