Mais outra farsa

     Diz um velho ditado que “o pior cego é o que não quer ver”. Com o máximo respeito aos verdadeiros deficientes visuais, ocorre-me perguntar se a cegueira intencional tomou conta dos brasileiros, a começar pelo presidente da República que nunca vê e nada sabe das podridões que acontecem no seu governo, envolvendo íntimos e graduados “companheiros”, dos quais são exemplos....

Continuando... 


 

Waldomiro Diniz, Marcos Valério, Zé Dirceu, Sílvio Pereira, Delúbio Soares e Antônio Palocci.  Como explicar a falta de ressonância de tantos escândalos em boa parte da população quando por muito menos o alagoano Collor foi impedido de governar?

     Será difícil enxergar o que está acontecendo, por etapas, em São Paulo, a mais pujante unidade da Federação brasileira? Com pouco tempo de intervalo repetem-se as ações criminosas de assassinatos de policiais e agentes penitenciários, incêndios de ônibus e depredações de agências bancárias, paralisando a capital sem uma causa declarada. A quem interessa? Haverá alguma ligação com a inexplicável destruição da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul e as toleradas e constantes invasões de propriedades rurais e prédios públicos, bloqueio de estradas e saques de caminhões, de todos conhecidos? Será que o PCC tem capacidade para tanto? Se tem, como conseguiu? Se não tem, o que é mais provável, de onde parte a orientação?

     Atrevo-me a querer enxergar longe na tentativa de descobrir um possível envolvimento de entidades mais fortes e experientes e trago à baila as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), matriz fornecedora de armas e drogas, com sabidas ligações com marginais brasileiros, a exemplo do Fernandinho Beira Mar, nem por isso carentes de simpatias governamentais, e também os cocaleros da Bolívia, hoje mais do que ontem, igualmente supridores de matéria prima do tráfico...

     Especulando um pouco mais, lembro-me da proximidade de nossas eleições de outubro e também vejo que tudo ocorre no Estado mais bem estruturado em termos de segurança pública e que dispõe do maior contingente eleitoral do país, onde o candidato oposicionista à presidência leva nítida vantagem. Lembro-me também que na Espanha, não faz muito, o Partido Socialista não hesitou em usar os atentados terroristas ocorridos em Madri como trunfo eleitoral...

     Por outro lado, não ignoro a existência de ex-sequestradores, ex-terroristas e ex-assaltantes de bancos nas hostes governamentais e, portanto, sabendo tirar proveito político de situações semelhantes.

     Olho agora para a “Força Nacional de Segurança”, insistentemente oferecida como ajuda federal ao governo paulista, que não a aceita por enxergar, com clareza, a insignificância de 200 ou 300 homens disponíveis, desconhecedores de São Paulo por serem recrutados nos demais Estados, num contexto de mais de cem mil policiais paulistas! Resisto em não querer ver uma jogada político-eleitoral, mas não esqueço que o governador Cláudio Lembo já explicitou que as suas necessidades circunstanciais são um maior efetivo da Polícia Federal, para assegurar-lhe eficácia na sua missão de  combate ao narcotráfico; aporte de recursos financeiros para a reconstrução de presídios destruídos e remoção de 1.200 presos federais das cadeias estaduais, muito embora já tenha havido um alívio com o noticiado indulto de 12.000 criminosos, concedido pelo presidente Lula, no Dia das Mães...

     Olho e nada vejo de medidas concretas, e não espasmódicas, no programa do governo federal no tocante à segurança pública, cuja responsabilidade busca-se transferir apenas para os Estados. A bem da verdade, vale lembrar que após a primeira onda de ataques do PCC, em São Paulo, algumas diretrizes petistas foram anunciadas, tais como: integração de serviços de inteligência; valorização dos profissionais de segurança pública; gestão integrada das polícias e consolidação da integração dos Sistemas de Informações Criminais. Simultaneamente, houve o cuidado de enfatizar que o partido não é favorável à linha dura aplicada pelo governo de São Paulo...

      É imperativo ver que a segurança pública requer prioridade de ação governamental e não eventuais paliativos só lembrados em tempos de crise!

     Não se pode deixar de olhar para a missão do Exército, fragilizado pela ausência de um estadista à frente do governo, vez por outra lembrado e por alguns criticado por não intervir em defesa da ordem conturbada. Aos que assim pensam, falta-lhes visão do ordenamento legal, segundo o qual só se justifica a intervenção federal quando os meios estaduais são confessadamente insuficientes ou incapazes para assegurar a lei e a ordem nos limites de suas atribuições. Fora disso é afronta a um princípio da Federação e ao estado democrático de direito, embora haja quem não se preocupe com eventuais abusos de poder, desde que gerem dividendos políticos.

     Tragédia e farsa com os acontecimentos paulistas? Cabe ao leitor enxergar!

(Gen Ex José Carlos Leite Filho – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - 17/07/06)

(Publicado em “O Jornal de Hoje”)

Comentários  

0 #2 Of SIP Refo 21-11-2014 22:25
!!! O país continua de luto - mesmo nessa data há 8 anos trás, já se visualizava o caos - isso continuou porque o povo mau e desonesto ganha terreno e como "comunistas não possuem alma" - fazem pacto até com o "capeta", donde os fins justificam os meios, isso para eles. O cidadão de bem e honestos não cai e nunca caiu nesses mazelas (...) !!!! Fora canalhas do poder: impeachment nela já (...) O LUTO CONTINUA!!!!
0 #1 monicaModas 27-02-2014 20:00
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