Ventos de revolta
Por Zuenir Ventura - O Globo  - 12/02/2011
Entre as questões colocadas pela atual crise do mundo árabe, está a de saber até que ponto a internet inflênciou o vento da revolta que atingiu Tunísia, Egito e Iêmin. Será essa uma revol~ção comandada virtualmente pelças formas novas de comunicação?  Especialistas ainda tentam dimensionar a extensão: qual a verdadeira importância da redes sociais - facebook, Twitter - na irradiação do movimento e na mobilização dos jovens?  Há argumentos pró e contra
 Não se pode superestimar o papel, mas não deixa de ser significativio que o herói de um dos comícios na Praça Tahrir tenha sido um executivo do Google que permanecera doze dias preso em consequência de sua participação nos protestos de rua que acabaram derrubando o ditador Mubarak.
Outra pergunta é se esse vento se espalhará pelos demais países da região, propagado pelo "efeito dominó", uma espécie de contágio que leva uma peça a cair depois da outra. Alguns exemplos históricos confirmam a existência do fenômeno. A queda do Muro de Berlim provocou a erosão de todos os regimes comunistas no Leste Europeu. Nos
anos 70, as ditaduras facistas de espanha, Portugal e Grécia ruiram quase ao mesmo tempo. Mas Che Guevara acreditava que podia criar " dois, três,muitos Vietnãs" na América do Sul , e hoje o que se pergunta é se os ares libertários da África não vão soprar também na direção de uma certa Ilha da vizinhança. Mais importante é o que virá agora. No momento, os aspectos românticos e nostálgicos do levante só nos deixam ver o possível efeito redentor da Revolução, ou seja o caminho da democracia. Mas é bom lembrar que em 1979 a promissora Revolução Iraniana tirou o Xá Reza Phahavi e instalou o Aiatolá khomeini. O resultado foi a teocracia, a República Islâmica do Irã.(...)

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