Por Carlos Chagas - Trib da Imprensa - BRASÍLIA
  A semana começa com dois temas inconclusos e vários horrores concluídos. Vale começar pelos últimos: O caos no tráfego aéreo já se completou, pior do que está a situação só ficará quando a justa ira dos passageiros começar a servir para a depredação de instalações nos aeroportos e até de aeronaves. Os ministros Guido Mantega e Marta Suplicy deram a palavra do governo, na demonstração de que os detentores do poder pouco se incomodam com o sofrimento da população. Afinal, viajam em jatinhos oficiais. Nada indica que a normalidade tão cedo será restabelecida no transporte aéreo.
 
A saúde pública encontra-se posta em frangalhos, com hospitais superlotados, pacientes atendidos nos corredores, atendimentos postergados e filas infinitas. Médicos e enfermeiros recebem salários de fome, convivem com goteiras até nos centros cirúrgicos, carecem de equipamentos e medicamentos. O País torna-se cada vez mais doente. Epidemias que se imaginava extintas há décadas estão voltando. Males como a tuberculose voltam a assolar a população.

A educação parece consistir em preocupação apenas do senador Cristovam Buarque. Situa-se cada vez mais longe a meta de toda criança na escola, ao tempo em que aumenta o trabalho infantil. Saiu pelo ralo a inovação dos Cieps, criação de Leonel Brizola e acompanhada depois pelo presidente Fernando Collor. Até debaixo de árvores professores são obrigados a dar aula, como a televisão mostra. Sem falar nos ridículos salários pagos à categoria.

As estradas permanecem em petição de miséria, esburacadas e causando vasto prejuízo à produção. Meses atrás o governo desencadeou uma blitz para tapar os buracos, mobilizando milhões para grandes e pequenas empreiteiras. Em grande parte os trabalhos de recuperação foram mal feitos, para não avançar mais nas causas do retorno do caos rodoviário. A realidade aí está, basta ser caminhoneiro para concordar.

Quanto aos dois temas inconclusos

A estratégia, no Senado, parece ser de empurrar com a barriga a crise desenvolvida em torno do senador Renan Calheiros. O Conselho de Ética, caso venha a se reunir, designará um novo relator para o caso, mas dificilmente o relatório será posto em votação, caso os partidos do governo não se sintam seguros do arquivamento da representação contra o presidente da casa. Há quem imagine um recurso de Renan ao Supremo Tribunal Federal, caso pretendam ampliar investigações sobre sua vida empresarial e privada.

Para contrabalançar, o senador alagoano até presidiu a sessão matutina de sexta-feira e aproveitou para anunciar um esforço especial de votações para esta semana: o pacote contra a violência, as Zonas de Processamento de Exportações, a regulamentação da Sudam e da Sudene e as relações trabalhistas das pessoas jurídicas.

Na Câmara, outra novela continuará produzindo capítulos em profusão. Fala-se da reforma política, que empacou antes do primeiro passo. Não foi apreciada a sugestão de votação em listas partidárias fechadas, nas eleições para deputado e vereador. Discute-se, sem conclusão, a alternativa da dupla votação nas eleições proporcionais: no partido e no candidato preferido. Pelo andar da carruagem, porém, nem no fim do ano serão votados todos os itens.

O Pan e os bandidos

Falta pouco para o início dos Jogos Pan-Americanos e as autoridades ligadas à segurança pública, no Rio, não conseguiram debelar a bandidagem no Complexo do Alemão e outras comunidades ao longo das principais vias de acesso do aeroporto Tom Jobim ao Centro, bairros e subúrbios por onde transitarão atletas e turistas.

A guerra continua, com mortos e feridos praticamente todos os dias, aumentando a angústia dos organizadores da competição. Se quiserem atrapalhar, os narcotraficantes dispõem dos instrumentos. Está decidido que as Forças Armadas não sairão às ruas, mas novos apelos serão feitos pelo governador Sérgio Cabral aos comandantes militares. Se o presidente Lula ajudar, quem sabe?

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