Cônsul Curtis Carly Cutter
Matéria pesquisada e editada por Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra
www.averdadesufocada.com
No inicio de 1970 a Vanguarda Popular Revolucionária - VPR - atuava no Rio Grande do Sul através da UC - Unidade de Combate " Manoel Raimundo Soares" (UC/MRS) -, um organismo numeroso, com mais de duas dezenas de militantes, reforçado pelos elementos oriundos do  Partido Operário Comunista - POC. Havia, também, estabelecido aliança com o Movimento Revolucionário 26 de Março (MR-26), um grupelho comunista dirigido por Almir Olimpio de Melo, mais conhecido como "Paulo Melo".
Procurando auxiliar o MR-26, Félix Silveira Rosa Neto, comandante da UC/MRS, entregou, em janeiro, 30 mil cruzeiros a "Paulo Melo". Nunca se soube como foi empregado o dinheiro.
Nessa época, a UC/MRS já havia sido autorizada pelo Comando Nacional (CN) da VPR com o privilégio de preparar a futura área tática ( AT) da VPR, na região de Três Passos, no Norte gaúcho, para onde havia  destacado quase uma dezena de seus quadros. Precisava, entretanto, além de redimir-se do fracasso com suas ligações com o MR-26, realizar uma ação que marcasse presença no cenário da esquerda brasileira e na área internacional, caracterizando  a sua eficiência aos olhos do Comando Nacional. Para isso, idealizou o sequestro do cônsul dos Estados Estados Unidos em Porto Alegre.
A quebra da inércia da VPR, e o  sucesso do sequestro do cônsul japonês, deu liberdade a UC/MRS para realizar a ação.
Em fevereiro, os militantes da UC/MRS, reforçados por Gregório Mendonça, do MR-26, iniciaram os levantamentos sobre o cônsul Curtis Carly Cutter, que passou a ser continuamente vigiado. Observaram que, durante os dias da semana, ele se deslocava sempre acompanhado por um carro de segurança, com dois agentes. O melhor seria sequestrá-lo num fim de semana.
 Em meados de março, Carlos Roberto Serrasol Borges (Breno) alugou uma casa na  Avenida Alegrete, no bairro Petrópolis, onde ele mesmo, com o auxílio de outros companheiros, guardaria o cônsul durante as negociações.
Confiantes no sucesso da ação, solicitaram ao CN que elaborasse um comunicado a ser entregue às autoridades, logo após a ação. Juarez Guimarães de Brito, do Comando Nacional, incumbiu o responsàvel pelo Setor de Inteligência Celso Lungaretti( Lourenço) de redigir o "Comunicado Número Um", que bem demonstra a falsidade das denuncias, alegadas como  justificativas  para o sequestro.
O Comando Nacional da VPR, conivente e certo de que o sequestro seria executado em breve e com sucesso, retornou com presteza o seguinte comunicado:
"O cônsul norte-americano em Porto Alegre ( Curtis Cutter) foi sequestrado às ....horas do dia ... de março pelo comando Comando " Carlos Marighela" da Vanguarda Popular Revolucionária .
 Esse índivíduo, ao ser interrogado, confessou suas ligações com a "CIA", Agência Central de inteligência, órgão de espionagem internacional dos Estados Unidos, e revelou vários dados sobre a atuação da "CIA" no território nacional  e sobre as relações dessa agência com os òrgãos de repressãoda ditadura militar. Ficamos sabendo, entre outras coisas, que a "CIA" trabalha em estreita ligação com o CENIMAR, fornecendo inclusive orientação a esse último órgão, sobre métodos de tortura mais eficazes a serem aplicados nos prisioneiros. A CIA  e o CENIMAR sofrem a concorrência do SNI , sendo que essa rivalidade é tão acentuada que em certa data um agente da "CIA" foi assassinado na Guanabara por elementos do SNI. Esse informe foi cuidadosamente abafado pela ditadura, mais o depoimento do agente Cutter, nosso atual prisioneiro, permitiu que o trouxéssemos a público.
Após prestar o seu depoimento, o agente Cutter foi julgado  por um tribunal de justiça revolucionária e condenado à morte por suas atividades como membro de um dos mais nefandos órgãos do imperialismo norte-americano no mundo inteiro."
Condenado à morte pelo tribunal revolucionário, antes mesmo de ser sequestrado, a VPR condescendia em entregá-lo vivo, desde que as autoridades libertassem "50 companheiros presos" e fossem "enviados, em avião civil, para a Argélia. No final do comunicado, vinha a ameaça:
" A não aceitação ou quebra das condições significa a imediata execução da sentença de morte contra o Agente Cutter"
" A vida do cônsul espião está nas mãos da ditadura"
O seqüestro foi marcado para o dia 21 de março, um sábado. Na tarde desse dia, estando tudo pronto, já com o carro para a ação roubado, o sequestro fracassou pela primeira vez, em virtude de erro no planejamento.
Decepcionados, mas persistentes, marcaram nova investida para duas semanas depois.
No dia 4 de abril (também um sábado), o "Comando Carlos Marighela" foi assim constituído: no carro da ação, um Volks azul, estavam o comandante da operação, Félix Silveira Rosa Neto, com uma pistola calibre .45, o motorista Irgeu João Menegon, com um revólver .38, Fernando Damatta Pimentel (Jorge), com um revólver .38; e Gregório Mendonça( Fumaça), do MR-26, com metralhadora INA .45. No carro da cobertura, iam o motorista, Reinholdo Amadeo Klement, com um revólver .38, Antonio Carlos Araújo Chagas ( Augusto), também com um revólver .38, e Luiz Carlos Dametto, com uma metralhadora INA.45. Além das armas, algumas granadas completavam o arsenal formado para o sequestro.
Na mânhã desse dia, o cônsul saiu sozinho de sua residência, com sua caminhonete Plymouth azul-marinho. Pelo excesso  de tráfego nos caminhos percorridos, nada foi tentado. À tarde, novamente o cônsul saiu, em direção à Vila Hípica. Em Vila Assuncão, tentaram encostar no seu carro, mas, por mais uma vez, o .tráfego impediu a ação. Às 16 horas, o americano errou o caminho e entrou  em uma rua sem saida, no bairro Tristeza. Era o momento oportuno.  Montaram o esquema de·bloqueio da rua, que fracassou por irnperícia de Irgeu que, em vez de fechar seu carro, emparelhou com o do cônsul. Este, pensando que os rapazes queriam fazer um "pega", arrancou a sua  potente Plymouth, deixando para trás os surpresos terroristas.
Já desanimados, mas sem pretender desistir, depois de terem comunicado ao CN , combinaram, então, nova tentativa para essa mesma noite, marcando um ponto de encontro, ao qual Luiz Carlos Dametto não compareceu. Apesar do desfalque, resolveram agir assim mesmo. Os frequentes fracassos irritavam e açodavam os militantes do " Comando Carlos Marighela".
Na espreita, finalmente,  a sorte parecia que chegara para eles. Às 20 horas, o cônsul, acompanhado de sua esposa, saiu para visitar uns amigos, estacionando na Avenida Independência, nas proximidades do Teatro Leopoldina. Às 22.30 horas,  saiu o casal acompanhado de um amigo. O horário era o ideal, pouca gente na rua, pouco tráfego. Quando o casal entrou no carro, os sequestradores começaram a segui-los e na  Rua Vasco da Gama,  logo após a Rua Ramiro Barcellos, foram ultrapassados e fechados pelo Volks dirigido por Irgeu, ocorrendo uma batida. Os três militantes desse carro,  Félix,  Fernando Pimentel e Gregório desceram, cercando a caminhonete do
  
  Pres. Dilma Rousseff e o min. Fernando Damatta
  Pimentel
, ex-companheiros  no COLINA
cônsul. Este à vista das armas, não  titubeou: arrancou violentamente, abalroando o Volks e atropelando Fernando. Félix, por trás,  atirou com sua pistola .45, acertando a omoplata da vitima, que, mesmo ferida, conseguiu escapar.
O Volks, batido, foi abandonado na Rua Dona Laura. O outro.carro foi guardado para futuras ações. De madrugada,  reunidos no "aparelho" em que o cônsul deveria ser guardado, analisaram as causas do fracasso. Até hoje, não se sabe o que fizeram, naquele momento, com o "Comunicado Número Um", que se tivesse sido levado ao conhecimento do público , teria difundido denúncias falsas, técnica usada pelos subversivo- terroristas até os dias de hoje.
Três dos azarados sequestradores foram presos uma semana depois por uma  equipe do DOPS/RS. Os outros sem muita demora.
PS: Fernando Damatta Pimentel, ex- prefeito de Belo Horizonte (PT), foi nomeado  ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo Dilma Rousseff

Fontes: Projeto Orvil
            
www.ternuma.com  
            A Verdade Sufocada - A história que  a esquerda não quer que o Brasil conheça
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