Muamar Kadafi  nega fuga ou renúncia
  e afirma que resistirá até a última gota
  de seu sangue!
Minha segurança é um jardineiro e um copeiro’
O Globo - 23/02/2011 
EMBAIXADOR GEORGE NEY DE SOUZA FERNANDES
Embaixador do Brasil na Líbia, George Ney de Souza Fernandes está à frente das negociações para retirar os cerca de 600 brasileiros que vivem no país..
Ele contou que a prioridade é tirar os que estão em Benghazi.
 Isabel Kopschitz  O GLOBO: Como estão os brasileiros depois do bombardeio em Trípoli?
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GEORGE NEY FERNANDES: Não houve bombardeio sobre Trípoli..
Isso foi um bombardeio noticioso da al-Jazeera..
O conflito existe, a tensão é grande..
Mas está havendo uma série de notícias terrivelmente alarmantes e falsas..
Quando começaram a falar, ontem, que Kadafi tinha fugido para a Venezuela ou o Brasil, fiquei muito preocupado..
Pensei: “Minha segurança é um jardineiro e um copeiro..
Vão ver a bandeira e aí vou levar pedrada dos dois lados.” Felizmente, Kadafi apareceu em praça pública para desmentir..
O problema é que não há jornalistas estrangeiros aqui.. 
● Qual é o cenário na capital?
 
 FERNANDES: Para ir da minha casa até a embaixada, eu atravesso a cidade inteira..
Vi carros queimados, outdoors depredados e algumas barricadas..
Estou prevendo uma noite quente para hoje (ontem)..
A recomendação do governo é que não se ande na rua depois das 16h..
É uma espécie de toque de recolher informal..
Mas há, nas ruas, manifestações pró-Kadafi e também grupos se formando nas esquinas, para quebrar tudo que veem pela frente..
 
● Como estão os brasileiros?
 
 FERNANDES: Todos estão bem: amparados, protegidos, vivendo em grupos..
Dezessete funcionários da Andrade Gutierrez me procuraram ontem (segunda-feira), muito assustados..
Eu disse: “Venham para cá, acampem na minha casa.”
 
 ● A prioridade é a retirada de Benghazi?
 
 FERNANDES: Sim, pois é onde o potencial de crise é maior..
Mas estou negociando full time a retirada dos brasileiros de Trípoli..
É um negócio muito delicado: de um lado negociar com o governo e, de outro, com os rebeldes (em Benghazi)..
 
● O senhor teme por sua segurança?
 
 
 
FERNANDES: Não posso ter medo, pois já há muito pânico..
Mas não tenho conseguido dormir direito, estou tenso..
Mas, sinceramente, o quadro está muito amplificado por falta de informações precisas..
 

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