Antecedentes da Contra Revolução
 Compilado do livro A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça - Carlos Alberto Brilhante Ustra
João Goulart e o parlamentarismo
João Belchior Marques Goulart, “Jango”, advogado, natural de São Borja,RS, iniciou suas atividades políticas em 1946, no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Eleito deputado estadual, no período de 1946-1950, e deputado federal, em 1951, foi também ministro do Trabalho Indústria e Comércio no governo Getúlio Vargas. Candidatou-se ao Senado, em 1954, mas foi derrotado.

Foi vice-presidente da República no governo Juscelino Kubitschek e, por força de dispositivo constitucional, presidente do Senado (1956-1961). Em 1960, reelegeu-se vice-presidente da República, concorrendo na chapa de oposição ao candidato da União Democrática Nacional (UDN), Jânio Quadros. Com a renúncia de Jânio e por estar em viagem à China, viu o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumir a Presidência da República, conforme previa a Constituição vigente. Nessa ocasião, os ministros militares de Jânio, general Odylio Denys, da Guerra; brigadeiro Grüm Moss, da Aeronáutica; e o almirante Sílvio Heck, da Marinha, tentaram impedir, sem sucesso, a posse de Jango.Foi constituída uma Junta Militar, composta pelos três.
Os treze dias que se seguiram foram de muita tensão. A recusa a um governo chefiado por Goulart representava a repulsa ao populismo e ao “varguismo”.
Em alguns lugares, foram iniciados movimentos para empossar Jango na Presidência da República.
O Rio Grande do Sul foi o ponto-chave da reação em apoio a Jango.

 
    Brizola  e a "Cadeia da Legalidade 
Leonel Brizola, governador do estado, cunhado de Goulart, manifestou-se em defesa da posse e iniciou intensa campanha de mobilização popular com o apoio da imprensa e das rádios gaúchas, criando a “Cadeia da Legalidade”, que operava com 104 emissoras da região.
Leonel Brizola , por essa cadeia rádio  conclamava o povo a organizar-se em corpos provisórios civis  para participar da luta ao lado das gloriosas forças legalistas do III Exército e da Brigada Militar. Lançava a palavra de ordem para que os sargentos de Uruguaiana, Bagé, Santa Maria, algumas unidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Guanabara e Minas Gerais, .tomassem os quartéis e prendessem e degolassem os gorilas, golpistas e traidores..  
 A solução para a crise foi a mudança do sistema de governo, aprovada pelo Congresso Nacional, em 2 de setembro, por meio da Emenda Constitucional nº 4, que instalou o regime parlamentarista no Brasil.           
Finalmente, João Goulart foi empossado na Presidência da República, em 7 de setembro de 1961, sob o regime parlamentarista, aprovado às pressas pelo Senado, para resolver a grave crise político-militar desencadeada. Tinha como primeiro-ministro Tancredo Neves - 07/09/1961 a 26/06/1962.
Os anos seguintes foram marcados, ininterruptamente, por conflitos políticos e sociais. Em parte, o desgoverno refletia a personalidade dúbia de João Goulart. Se de dia anunciava as reformas planejadas “na base do estrito respeito à Constituição”, à noite, pressionado por outras opiniões, anunciava seu propósito de fazê-las “na lei ou na marra”. Greves e mais greves, algumas criadas no próprio Ministério do Trabalho, se sucediam pelo País. Bancos, escolas, hospitais, serviços público
Jango realizou um governo contraditório. Estreitou alianças com o movimento sindical e tentou implementar uma política de estabilização, baseada na contenção salarial. Determinou a realização das chamadas reformas de base: reformas agrária, fiscal, educacional, bancária e eleitoral, condições exigidas pelo FMI para a obtenção de novos empréstimos e para a renegociação da dívida externa. Para ele, elas eram necessárias ao desenvolvimento de um “capitalismo nacional progressista”.
Limitou a remessa de capital para o exterior e nacionalizou empresas de comunicação.A oposição ao governo aumentou com o anúncio dessas medidas. Jango perdeu suas bases e, para não se isolar, reforçou as alianças com Leonel Brizola, seu cunhado e deputado federal pela Guanabara, com a UNE e com o Partido Comunista Brasileiro que, apesar de clandestino, mantinha forte atuação nos movimentos estudantil e sindical. A atuação das organizações subversivas era grande. Em 18 de novembro de 1961, uma delegação de comunistas brasileiros enviada ao XXII Congresso do Partido Comunista da União Soviética foi recebida no Kremlin por dirigentes russos. Lá, Luís Carlos Prestes e seus seguidores receberam instruções para o preparo político das massas operárias e camponesas e para a montagem da luta armada no Brasil.
No início de 1962, os comunistas conquistaram o domínio da UNE e da Petrobrás.
O VI Congresso dos Ferroviários mostrou o nível de infiltração comunista no setor de transportes. Um comando unificado orientava e conduzia as ações dos rodoviários, ferroviários, marítimos e aeroviários. O jornal oficial do Partido Comunista Brasileiro circulava, diariamente, com artigos audaciosos. As vitórias da União Soviética no plano internacional estimulavam a aceleração do processo revolucionário no Brasil.
Em fevereiro de 1962, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), dissidente do PCB e recém-criado, organizou-se e passou a defender a luta armada como instrumento para a conquista do poder, seguindo o conceito chinês da “guerra popular prolongada”.
A tensão social em junho de 1962 era dramática. A excitação popular atingiu o auge em Caxias-RJ, em 5 de julho, com a greve no setor petrolífero, com expressivos prejuízos para o Brasil. O movimento grevista crescia dia-a-dia. O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), criado em 5 de julho de 1962, apresentou numerosas exigências,  ameaçando com uma greve geral. O movimento operário levantou a bandeira da luta por um novo poder: a greve política.
O CGT emitia manifestos e instruções com as diretrizes do Partido Comunista Brasileiro. Em 14 de setembro, deflagrou nova greve geral pela antecipação do plebiscito para consulta popular sobre o sistema de governo. O movimento grevista paralisou, quase totalmente, a Nação e declarou, em manifesto, que a vitória comunista estava próxima.

“Os sinais de conspiração janguista podiam ser vistos por toda a parte, segundo Júlio Mesquita Filho. O próprio governo orientava as greves que se sucediam e incentivava a quebra da hierarquia militar, apoiando os sargentos e marinheiros em rebelião contra seus superiores. No meio da sucessão de crise, Luís Carlos   Prestes chegou a dizer publicamente que os comunistas já estão no governo embora ainda não no poder.” (O Estado de S. Paulo - caderno 2 - “Trajetória de um liberal movido pelo amor ao País” - 12/07/1999).
A disciplina militar se deteriorava rapidamente. Havia insatisfação e divergência nos quartéis. Alguns militares aliaram-se à subversão e procuraram levá-la para o interior dos quartéis.
Em março de 1962, a Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil foi fundada e tornar-se-ia mais um centro de agitação comunista. O Exército era constantemente atacado pela imprensa comunista, particularmente pelas atividades contra as Ligas Camponesas. 
A pregação comunista tornava-se franca e aberta. Preparava-se o povo para fazer a revolução.
( Próximo capítulo  - A volta ao presidencilaismo)
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