Protesto de petistas contra Obama irrita Planalto
Luiz Sérgio diz que debate sobre visita do presidente americano não tem autorização do PT; ordem é abafar mobilização
Gerson Camarotti e Dandara Tinoco - O Globo - 17/03/2011
BRASÍLIA E RIO. O Palácio do Planalto não gostou da mobilização de setores do PT contra a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e determinou que o partido enquadre os descontentes.
A ordem foi abafar ações como a do secretário de Movimentos Populares do PT do Rio, Indalécio Wanderley Silva, que anunciou uma manifestação contra Obama num comunicado ao partido.
A ideia é evitar mobilizações que possam causar constrangimentos tanto em Brasília como no Rio, as duas cidades que serão visitadas por Obama.
- O PT não tem posição e nem discutiu esse assunto da visita do presidente Obama. Por isso, um debate como esse só com autorização do partido - desautorizou o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio.
No núcleo do governo, há sinais de descontentamento de petistas mais ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a grande mobilização em torno da visita de Obama. Nesses setores, ainda que discretamente, há queixas ao fato de Obama não ter vindo ao Brasil na gestão do ex-presidente Lula.
A avaliação é que de fato há uma mudança significativa na política externa do governo Dilma, conduzida pelo chanceler Antonio Patriota, em relação à gestão anterior do ex-ministro Celso Amorim. Mas existe o cuidado no Planalto para evitar qualquer tipo de gesto que possa ampliar esse descontentamento de setores petistas mais próximos de Lula.
- Obama será recebido com honras de chefe de Estado. Agora, não haverá medidas como fechar o espaço aéreo brasileiro. Não se fecha o espaço aéreo americano para receber um presidente do Brasil. Ou seja, será uma visita na medida certa, sem exageros - disse o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), dando o tom do partido em relação à passagem de Obama.
Ataques considerados exagerados, como a tentativa do secretário de Movimentos Populares do PT do Rio, Indalécio Wanderley Silva, de tratar Obama como "persona non grata", foram duramente criticados pelo partido.
- Acho que ele (Indalécio) esqueceu que nós somos governo e que temos interesse em fazer negócio com Obama. A nossa política externa não é só com a Venezuela - ressaltou o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR).
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Protestos no Rio começarão na sexta
Cerca de 150 sindicalistas e representantes de movimentos sociais se reuniram ontem à noite na sede do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio (Sindipetro-RJ) para programar protestos durante a visita de Obama à cidade. A reunião, no entanto, foi marcada por divergências e terminou com um único consenso: as manifestações começarão amanhã à tarde, no Centro do Rio. Entre os organizadores dos protestos estão filiados ao PT e ao PDT.
A participação de petistas e pedetistas nas manifestações irritou o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que está à frente da convocação da população para o evento de domingo na Cinelândia, onde Obama discursará. Tanto PT quanto PDT mantém cargos no governo do peemedebista. O governador recorreu a aliados no PT e no PDT para que convençam os mais radicais do partido a abandonarem a ideia de protestos. Cabral também acionou sua base de apoio na Assembleia Legislativa (Alerj) e prefeitos para que organizem caravanas do interior e da região metropolitana, reforçando o público que assistirá ao discurso de Obama.
Indalécio defendeu ontem na reunião protestos contra Obama. Ele disse que participava do evento como membro da CUT e não do partido. Anteontem, porém, a CUT informou que não está à frente dos protestos.
- Além de ser dirigente do PT, sou da CUT. É certa a intervenção dos Estados Unidos no Brasil durante a ditadura? O PT não é dono dos movimentos sociais, os movimentos sociais são do povo - disse ele.
COLABOROU: Marcelo Remígio 
 
 
Cardápio simples e brasileiro
 Liana Sabo - Correio Braziliense - 17/03/2011 
Nem Troisgros, nem Atala. Quem vai preparar as refeições para o presidente da maior potência mundial, em Brasília, será mesmo a prata da casa. Uma espécie quase anônima de cozinheiros que atuam discretamente nos palácios e são muito pouco conhecidos, por motivos de hierarquia e de segurança. Outra razão de não haver estrelas na cozinha do poder é que os Obama gostam mesmo é de comida caseira. “Eles não têm nenhuma restrição alimentar”, informou a embaixada dos Estados Unidos ao governo brasileiro, mas sabe-se que a família aprecia muito vegetais — a primeira-dama tem na Casa Branca uma horta orgânica, da qual ela mesma cuida, quando lhe sobra tempo.
 Uma variedade de folhas verdes com tempero leve dará início ao almoço no Itamaraty, servido à francesa e não mais no bufê, como na era Lula. Foi a própria Dilma quem recomendou ao chanceler Antonio Patriota que fossem retomados o requinte e a tradição da Casa de Rio Branco. Segue-se picanha brasileira escoltada por feijão tropeiro e arroz branco. Acompanham os pratos os bons vinhos da vinícola Valduga, desde o espumante 130 (fez sucesso na posse, em janeiro) até os da linha top, como o chardonnay e o tinto cabernet sauvignon.
Se a intenção é adoçar o bico de Obama para reduzir o deficit de quase oito bilhões de dólares na balança comercial com os Estados Unidos a escolha da sobremesa não poderia ser melhor. Em meio ao serviço de taças com sorbet, virão à mesa doces de frutas tropicais cristalizadas confeccionados em Carmo do Rio Claro, uma pequena cidade no Sul de Minas à beira da lagoa de Furnas
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