Capítulo III
  A Antecedentes da Contra Revolução
Compilado do livro A Verdade Sufocada- A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça - Carlos Alberto Brilhante Ustra
A imprensa e a Contra-Revolução
Durante o governo Jango, a imprensa foi uma das principais motivadoras da deposição do presidente. Propalou, constantemente, a existência do caos administrativo, da corrupção e do desgoverno. Participou, ativamente, da divulgação de que era imperiosa a necessidade do restabelecimento da ordem.
A sociedade e a imprensa escrita e falada da época, alinhadas e irmanadas, clamavam, com manifestos e editoriais, por medidas que evitassem a derrocada do País, levando-o à anarquia.
Abaixo transcrevemos alguns desses trechos:
“Os abaixo-assinados, democratas brasileiros e dirigentes de entidades, sentem-se no dever de vir a  público, no exato momento em que forças arregimentadas pelo comunismo internacional ameaçam golpear as instituições ...”
“É chegada a hora de os democratas crerem nas realidades.A revolução comunista não virá: JÁ VEIO, está instalada no poder. Está nos postos de maior responsabilidade do governo João Goulart. Está na Petrobras, hoje entregue aos inimigos de Getúlio. Está no CGT, sem que ninguém na esfera trabalhista se  levante em defesa da democracia conspurcada. Está nesse desejo criminoso de reformar a Constituição, para golpeá-la mortalmente.”
“ ... Por tudo isso, nós, dirigentes de entidades, apelamos para o senso de patriotismo dos brasileiros democratas: defendam até o último instante os postulados da democracia, fortalecendo e incentivando o Congresso Nacional; exigindo a manutenção correta da Constituição ameaçada ...”
“ ... Se é para golpear a Constituição, haverá os apátridas de golpear, em primeiro lugar, os brasileiros que não se venderam aos desígnios do comunismo internacional. E advertimos: somos muitos os dispostos a morrer pelo Brasil dos brasileiros.
Guanabara, 13 de junho de 1963.
Aristóteles Luiz Drummond, presidente do Grupo de Ação Patriótica; Waldo Domingos Claro, presidente da Aliança Democrática Brasileira; Sra. Amélia Bastos, Campanha a Mulher pela Democracia; João Batista Gabriel, Frente da Juventude Democrática; Caio Gomes Machado, Brigada Estudantil em Defesa da Democracia; Floriano Maciel, Resistência Democrática; e Roberto Teixeira, Movimento Estudantil Católico.”(O Globo, 14/06/1963).
 Quando o chefe do Executivo se permite, nas praças públicas,fazer a apologia da subversão e incitar as massas contra os poderes da República que lhe estorvam a marcha para o cesarismo, pode-se afirmar que a ditadura, embora não institucionalizada, é uma situação de fato.”(Editorial de O Estado de S. Paulo, 14/03/1964).
“Agora se decidirá se nós conseguiremos superar a terrível crise provocada pela inflação, pelos desajustes sociais, pelo descalabro econômico-financeiro, sem perda de nossas instituições livres ou se, ao contrário, uma ditadura esquerdista se apossará do País, graças, principalmente, ao enfraquecimento e progressivo desaparecimento das Forças Armadas ...” (O Globo - 31/03/1964).
“Aquilo que os inimigos externos nunca conseguiram, começa a ser alcançado por elementos que atuam internamente, ou seja, dentro do próprio País.”(Folha da Tarde, 31/03/1964).
“Chegaria o dia em que o Brasil, sem reação e sem luta, se transformaria em mais um Estado Socialista. Aí, todos diriam que desaparecera a legalidade democrática, mas ninguém mais teria como recuperar as perdidas liberdades e franquias, pois já estaria instalado o terror policial e quem sabe? em funcionamento os pelotões de fuzilamento, segundo o modelo cubano.”
“Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida que dê a seus adversários o direito de trucidá-lo, para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que esses adversários são os primeiros a desrespeitar.”
(O Globo, 31/03/1964).
... Além de que os lamentáveis acontecimentos foram o resultado de um plano executado com perfeição e dirigido por um grupo já identificado pela Nação Brasileira como interessado na subversão geral do país com características nitidamente comunistas.” (Correio do Povo, 31/03/1964).
O presidente da República sente-se bem na ilegalidade. Está nela e ontem nos disse que vai continuar nela, em atitude de desafio à ordem constitucional, aos
 
      Marcha da Família com Deus pela Liberdade  
regulamentos militares e ao Código Penal Militar. Ele se considera acima da lei. Mas não está. Quanto mais se afunda na ilegalidade, menos forte fica a sua autoridade. Não há autoridade fora da lei. E, os apelos feitos ontem à coesão e à unidade dos sargentos e subordinados em favor daquele que, no dizer do próprio, sempre esteve ao lado dos sargentos, demonstra que a autoridade presidencial busca o amparo físico para suprir a carência de amparo legal. Pois não pode mais ter amparo legal quem no exercício da Presidência da República, violando o Código Penal Militar, comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar discurso altamente demagógico e de incitamento à divisão das Forças Armadas”
(Jornal do Brasil, 31/03/1964).
Basta
  
  Marchas  foram organizadas no país
“Até que ponto o presidente da República abusará da paciênciada Nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos-lei, a função do Poder Legislativo? Até que ponto contribuirá para preservar o clima de intranqüilidade e insegurança que se verifica presentemente, na classe produtora? Até quando deseja levar ao desespero, por meio da inflação e do aumento de custo de vida, a classe média e a classe operária? Até que ponto quer desagregar as Forças Armadas por meio da indisciplina que se torna cada vez mais incontrolável?
Não é possível continuar neste caos em todos os sentidos e em todos os setores. Tanto no lado administrativo como no lado econômico e financeiro.
Basta de farsa. Basta da guerra psicológica que o próprio governo desencadeou com o objetivo de convulsionar o País e levar  avante sua política continuísta. Basta de demagogia, para que, realmente,se possam fazer as reformas de base”.
“ ... queremos o respeito à Constituição. Queremos as reformas de base votadas pelo Congresso. Queremos a intocabilidade das liberdades democráticas. Queremos a realização das eleições em 1965. Se o senhor João Goulart não tem a capacidade para exercer a Presidência da República e resolver os problemas da Nação dentro da legalidade constitucional, não lhe resta outra saída senão entregar o governo ao seu legítimo sucessor.
É admissível que o senhor João Goulart termine o seu mandato de acordo com a Constituição. Este grande sacrifício de tolerá-lo até 1966 seria compensador para a democracia. Mas, para isto o senhor João Goulart terá de desistir de sua política atual, que está perturbando uma Nação em desenvolvimento e ameaçando de levá-la à guerra civil.
A Nação não admite nem golpe nem contragolpe. Quer consolidar o processo democrático para a concretização das reformas essenciais de sua estrutura econômica. Mas não admite que seja o próprio Executivo, por interesses inconfessáveis, quem desencadeie a luta contra o Congresso, censure o rádio, ameace a imprensa e, com ela, todos os  de manifestações do pensamento, abrindo o caminho à ditadura. Os poderes Legislativo e Judiciário, as classes armadas, as forças democráticas devem estar alertas e vigilantes e prontos para combater todos aqueles que atentarem contra o regime.
O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!”(
Correio da Manhã, 31/03/1964).
“Fora
A Nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do governo. Chegou ao limite a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o governo ao seu legítimo sucessor.
Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: saia.
Durante dois anos, o Brasil agüentou um governo que paralisou o seu desenvolvimento econômico, primando pela completa omissão o que determinou a completa desordem e a completa anarquia no campo administrativo e financeiro.
Quando o Sr. Goulart saiu de seu neutro período de omissão foi para comandar a guerra psicológica e criar o clima de intranqüilidade e insegurança que teve o seu auge na totalindisciplina que se verificou nas Forças Armadas.
Isso significou e significa um crime de alta traição contra o regime, contra a República que ele jurou defender ...”
“ ... O Sr. João Goulart não pode permanecer na Presidência da República, não só porque se mostrou incapaz de exercê-la como também porque conspirou contra ela como se verificou pelos seus últimos pronunciamentos e seus últimos atos.”

“ ... A Nação, a democracia e a liberdade estão em perigo. O povo saberá defendê-las. Nós continuaremos a defendê-la
.”(Correio da Manhã, 01/04/1964).
Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata,a ideologia marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação especial aos olhos do governo. Como se já estivéssemos em pleno regime marxista-leninista, com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império soviético, às ordens do Kremlin” (Diário de Notícias, 01/04/1964).
“Quem estimula a indisciplina de marujos e fuzileiros e depois os transforma em bandidos e em seguida em pobres diabos pilhados em flagrante?
A partir de 13 de março o Sr. João Goulart tem injuriado muitos, em muito pouco tempo. Agora, ao que tudo indica, já lhe resta muito pouco tempo para injuriar quem quer que seja.”
(Jornal do Brasil, 01/04/1964).
No dia 19 de março de 1964, uma das maiores demonstrações populares, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, percorreu as ruas de São Paulo. Maria Paula Caetano da Silva, uma das fundadoras da União Cívica Feminina, foi a principal organizadora da passeata. A Marcha partiu em direção à Catedral da Sé, com cerca de um milhão de pessoas. A manifestação foi uma resposta da população civil ao restabelecimento da ordem e dos valores cívicos ameaçados.
“A marcha foi uma reação à baderna que estava tomando conta do País. Não podíamos deixar as coisas continuarem do jeito que estavam, sob o risco de os comunistas tomarem o poder”, dizia Maria Paula, uma das organizadoras do movimento. (
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2001200404.htm)
Falava-se, abertamente, que, a partir de 1° de maio, o Brasil estaria completamente comunizado.
A crise econômica, marcada por inflação desenfreada, era favorável à situação revolucionária. Os meios de comunicação social - jornais, rádios, peças teatrais, músicas, etc -, infiltrados por comunistas, conclamavam à subversão.Em 30 de março, o presidente da República compareceu, no Automóvel Clube do Brasil, a uma assembléia que reuniu dois mil sargentos. Ouviu, passivamente, os discursos inflamados que atentavam contra a hierarquia e disciplina militar.
 CRONOLOGIA HISTÓRICA / 1964
 
Os acontecimentos de março, acrescidos da carta do Chefe do Estado-Maior do Exército, juntos com mais de meio milhão de paulistas alarmados na passeata de mulheres com terços à mão, rezando por Deus e pela liberdade, levaram ao desenlace de 31 de março.
 
17 de janeiro: Jango regulamenta a lei de remessas de lucros para o estrangeiro.
 25 de janeiro: A SUPRA assina acordo com os ministérios militares para estudo sobre a desapropriação de terras à margem das rodovias.
03 de março : estudantes impediram aula inaugural do reitor da Universidadeda Bahia, Clemente Mariani
 6 de março: O Ministério da Justiça estuda uma intervenção no Estado da Guanabara.
 11 de março: As classes produtoras se reúnem no Rio e praticamente rompem com o governo.
 13 de março: Acontece no Rio um grande comício pelas Reformas de Base.
 15 de março: O Congresso Nacional reabre e João Goulart envia mensagem a favor das Reformas de Base.
 18 de março: O CGT exige uma política financeira nacionalista e pede o afastamento do ministro da Fazenda.
 19 de março: A .Marcha da Família com Deus pela Liberdade. reúne em São Paulo mais de 500 mil pessoas.
 25 de março, um grupo de marinheiros indisciplinados, sob a liderança de José Anselmo dos Santos, o “cabo” Anselmo, em uma reunião no Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, revoltou-se.  São presos pelas tropas do Exército e em seguida, postos em liberdade.
 28 de março: Em Juiz de Fora, numa reunião com Magalhães Pinto, com a presença do General Mourão Filho e diversas autoridades civis e militares, o Marechal Odylio Denys apresentou um estudo circustanciado sobre a situação político-militar, quando foi articulado e marcado o dia do levante contra João Goulart.
 30 de março - encerra-se , em Goiânia, o Sexto Ciclo sobre Marxismo , conduzido Jacob Gorender, que  estivera na URSS por 2 anos e que depois participaria ativamente da luta armada ( PCBR)
 30 de março: O presidente discursa, incitando à indisciplina os  sargentos das Forças Armadas e da Polícia Militar , no Automóvel Club do Rio de Janeiro,
 31 de março: Minas está nas mãos dos rebeldes. As tropas mineiras marcham para o Rio de Janeiro e para Brasília, sem encontrar qualquer resistência.
 1º de abril: O II Exército, comandado pelo General Amaury Kruel, adere à rebelião. Miguel Arraes é preso no Recife.
 2 de abril: Jango deixa Brasília rumo a Porto Alegre e o Deputado Ranieri Mazzili toma posse como novo presidente.
 4 de abril: João Goulart exila-se no Uruguai. 
 
Apesar de algumas tentativas de resistência, o presidente Goulart reconheceu a impossibilidade de oposição ao movimento militar que o destituiu.
Em documento de autocrítica posterior à revolução, intitulado “Esquema para Discussão”, editado ainda em 1964, o Partido Comunista afirma:
“... incorremos em grave subestimação da força do inimigo e não estávamos preparados para enfrentar um golpe da direita...
” Acreditávamos em uma vitória fácil, através (sic) de um simples pronunciamento do dispositivo de  Goulart, secundado pelo movimento de massas.”
“Absolutizamos (sic) a possibilidade de um caminho pacífico e não nos preparamos para enfrentar o emprego da luta armada pela reação.”
As condições “objetivas e subjetivas” para a tomada do poder, sem nenhuma dúvida, estavam presentes. Bastava somente um fato, político ou não, para que as coisas se precipitassem. Era tudo questão de mais dia ou menos dia.
Um gigante, porém, acordou de seu sono e trouxe a reação de que a Nação precisava. Com precisão cirúrgica e, por isso, sem derramamento de sangue, o Exército Brasileiro, com o apoio das Forças Armadas co-irmãs, partiu ao encontro dos verdadeiros anseios do povo, livrando a Nação das garras dos comunistas e impondo-lhes nova e acachapante derrota.

Fontes - TORRES, Raymundo Negrão. Fascínio dos anos de chumbo.
              Jornal Independência - Belo Horizonte 
Comentários   
#2 Juan Koffler 30-11-2017 18:09
Há sociedades humanas que ainda não aprenderam a viver em democracia, em pleno século XXI.
Mantêm-se ignaras, alienadas e praticantes de uma prostituição social deletéria, subvertidas que são pelas mentes insanas dos nossos políticos e autoridades de plantão.
#1 Juan Koffler 30-11-2017 18:06
O sumariado relato é FIEL com a realidade, na qual tive a honra e o orgulho de participar ativamente ao lado das forças leais à democracia.
Infelizmente, transcorridos 32 anos da devolução do poder aos civis, o povo alçou indivíduos inescrupulosos, arruaceiros, baderneiros e bandidos ao poder (central e periférico), levando a pátria a nova e grotesca desestabilização.
Esse é o preço que nós, que lutamos, pagamos pelo que fizemos em nome dessa mesma pátria!
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