Gen Ex Armando L. M. de Paiva Chaves
Conheci de perto as responsabilidades e a complexidade do exercício da autoridade que desafiam o bom senso e o equilíbrio das decisões dos Comandantes do Exército. Como um dos assistentes-secretários do Ministro Orlando Geisel – que, num apelo eloqüente a nossa lealdade e dedicação, dizia, com óbvio exagero de retórica, sermos seus olhos, seus ouvidos e sua consciência – acompanhei de perto episódios de tensão.
Um deles foi a crise desencadeada pelo General Albuquerque Lima que, entre outros desdobramentos, indispôs com o ministro um membro do Alto Comando, General Candal Fonseca.
 Outro foi a insurgência do General Moniz de Aragão, também membro do ACE, contra uma votação para promoção a General-de-Brigada que preteriu um candidato por ele considerado plenamente habilitado. Outros, muitíssimo mais graves, se relacionaram aos seqüestros de diplomatas e às decisões a tomar sobre as exigências da subversão para preservar as vidas dos seqüestrados.
Minha vivência muito me aconselhou, quando integrei o ACE e mesmo depois, já na Reserva. Ensinara-me a não criticar decisões dos Comandantes quando não tenha elementos de informação suficientes para fazer um juízo completo dos fatos, com todos os antecedentes e as esperadas conseqüências. Acima de todos os efeitos negativos que possa prever e, em conseqüência, condenar, colocar o peso da prevalência da Instituição acima de abalos nos alicerces de hierarquia e unidade, que seus princípios constroem e sustentam.
No recente 31 de Março, refleti com anterioridade sobre as comemorações anunciadas. Não me parecia tranqüila sua realização, por motivos de fácil percepção. Na instalação do atual Governo, o único General com cargo de Ministro foi (ou não?) advertido por declaração relacionada a consequências do combate à subversão. É grande a pressão política, no Congresso majoritariamente governista, pela votação e funcionamento da facciosa Comissão da Verdade. Para encurtar razões, exerce a Presidência uma ex-guerrilheira, que declara ter sido torturada quando presa e vem se demonstrando ciosa do exercício de sua autoridade.
Entretanto, os atos comemorativos foram anunciados e os convites expedidos. Poderiam ter sido cancelados, logo que do conhecimento das autoridades superiores e antes de sua realização. Seria frustrante, mas assimilável, como o foi o silêncio que deu lugar às tradicionais Ordens-do-Dia que anualmente exaltavam a data. Porém tiveram dimensão e
  
     Também lastimamos e agradecemos a 
 Deus
pela derrota do totalitarismo marxis-
 ta-leninista em alguns países do mundo.
repercussão incomparavelmente maiores. Os convidados compareceram e as comemorações não aconteceram. Nenhum esclarecimento lhes foi dado.
No único ato público ocorrido em Brasília, missa encomendada pela ONG Terrorismo Nunca Mais pelas almas dos vitimados nos anos 60 e 70, a que assisti, soube das comemorações canceladas em três capitais.
Lastimei. Agradeci a Deus pelo Brasil que os governos pós- março de 1964 sanearam, desenvolveram e enriqueceram. Pela derrota do totalitarismo de extrema esquerda. E por assistir, reformado, fora das fileiras, a essa censura truculenta de dois decênios de nossa História.
Adicionar comentário