Exército bloqueia marcha do MST temendo invasão de hidrelétrica
Ação na Bahia integra jornada dos sem-terra que prevê cem ocupações em abril
Silvia Amorim - O Globo - 05/04/2011
SÃO PAULO E SALVADOR. O exército bloqueou ontem uma marcha organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), na Bahia. Havia a preocupação de que o grupo, de cerca de 400 pessoas, invadisse a área da usina.
Não houve confronto, mas, até que fossem liberados, os sem-terra interditaram por cerca de duas horas a BR-110, na região de Paulo Afonso.
Em 2008, uma usina da Chesf em Canindé de São Francisco, em Sergipe, foi invadida pelo MST.Os sem-terra só deixaram a área após a Justiça determinar a reintegração de posse.
A marcha foi mais uma ação do MST para o "Abril Vermelho", a jornada de luta pela reforma agrária realizada todo ano pela entidade para lembrar o massacre de sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará. Como forma de pressionar o governo Dilma Rousseff, o movimento ameaça invadir neste mês cerca de cem propriedades em todo o país. Eles também reivindicam reunião com o governo.
Destino da marcha era escritório da Chesf
A assessoria de imprensa do exército informou ontem que estava sendo feito próximo à Chesf um treinamento da Companhia de Infantaria de Paulo Afonso e que, diante da aproximação dos sem-terra da área da usina, o exército atuou preventivamente, interrompendo a marcha e orientando o MST a alterar o percurso da caminhada.
Um dos organizadores da marcha do MST, Luís Carlos Ferreira, confirmou que não houve embate. Ele disse que o objetivo da caminhada era chegar ao escritório da usina no centro de Paulo Afonso.(...)
Leia íntegra no Globo

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MST em 32 fazendas 
Por Ana Elisa Santana - correio Braziliense - O5/04/2011
Menos de uma semana após o novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda, assumir o posto, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou o Abril Vermelho, com a invasão de fazendas em todo o estado da Bahia. Desde a última sexta-feira até a noite de ontem, manifestantes haviam se alojado em 32 propriedades no estado. A meta é ocupar, ao longo do mês, em torno de 50 terrenos na Bahia e 120 em todo o Brasil. (...)
(...)Entre os dias 10 e 17, o movimento vai fazer, em Eldorado dos Carajás, um acampamento pedagógico com 500 jovens. Haverá atividades culturais e debates em memória ao massacre de 1996. Em Belém, 700 trabalhadores rurais ficarão acampados na Praça da Leitura entre os dias 15 e 19.
Em meio a invasões e protestos, o Incra mantém posição amistosa. Celso Lacerda já pediu que fossem agendadas reuniões com o MST e com outros movimentos sociais e entidades para conversar sobre o programa de reforma agrária. No entanto, ainda segundo o Incra, não há encontros confirmados e novas equipes estão sendo montadas. O órgão afirma que ainda não recebeu contato do MST. O movimento dos trabalhadores sem-terra, por sua vez, sustenta que a pauta é antiga e a mesma desde o governo anterior. “Nós estamos aguardando o governo dizer quais ações serão feitas”, diz Márcio Matos.(...)
Leia íntegra da matéria no Correio braziliense
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