Celso LungarettiOs administradores do site www.averdadesufocada.com
Em junho, com a indenização da família de Lamarca, e a concessão  da pensão de general de brigada à viúva de Carlos Lamarca, Celso Lungaretti escreveu um artigo – “Rescaldo do “caso Lamarca” , onde diz que a sociedade está perdida em meio a “argumentos jurídicos, políticos e éticos, além de muita propaganda enganosa” e que isso “ confunde os cidadãos que querem formar uma opinião com imparcialidade”.

Realmente, está difícil para o povo diferenciar as mentiras da realidade nos chamados “anos de chumbo”. Setores da mídia, comprometidos ideologicamente ou por troca de favores políticos,  bombardeiam a opinião dos mais jovens com versões distorcidas.

Texto completo

Em trechos de seu artigo, Celso Lungaretti critica a Lei da Anistia de 1979. Diz “que iguala vítimas e carrascos”. Continua a reforçar a mentira de que a luta armada foi iniciada para resistir à ditadura militar. Sugere que "os agentes de segurança atingidos pelos resistentes”  "façam jus à reparações do Estado".  

Pede punição para:

- os generais–presidentes, 

- os signatários do AI 5, citando nominalmente o Coronel Jarbas Passarinho , 

- os comandantes das Forças Armadas, 

- os agentes  que atuaram nos Órgãos de Segurança, citando,também nominalmente, o cel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Compara a comissão de Anistia ao Tribunal de Nuremberg. Compara as vítimas do nazismo com os subversivos e terroristas brasileiros. 

Considera que "independentemente da reparação a que fazem jus os resistentes (ou seus herdeiros) por terem sido vítimas do arbítrio, aqueles que praticaram violência excessiva ou inútil deveriam ser processados criminalmente". ( Iam sobrar poucos! Só “justiçamentos” foram mais de trinta...)

E, continuando a sua análise da situação, considera lícito assaltar bancos, para sustentar militantes,  e, seqüestrar diplomatas, para trocá-los por  subversivos e terroristas presos.

Quer parecer imparcial!.... Critica determinadas condutas dos militantes da luta armada,  como “ jogar um carro com explosivos ladeira abaixo na direção de um quartel cujo comandante lançara um desafio público aos guerrilheiros. Isso foi responder a uma bravata com outra, ou seja, uma puerilidade inaceitável em combatentes da causa do povo.”  Segundo ele, esse tipo de atitude não merecia indenização e sim punição.

Celso Lungareti é incoerente. Se não concorda com atos praticados pela organização, como se filiou a ela?  Pois ele era militante de uma das mais violentas organizações terroristas, a Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, organização de Carlos Lamarca.

Foi a VPR que planejou e organizou o atentado ao Quartel do II Exército, onde morreu o soldado Kosel e outros ficaram feridos.Não foi pior porque a Kombi, carregada de explosivos, se chocou com um poste e não conseguiu ir adiante. Ele sabia  desse atentado bárbaro  e, mesmo assim, continuou militando na mesma.

Foi Celso Lungaretti , usando o nome falso de Lauro Pessoa, que ficou encarregado de comprar os dois sítios na região de Registro/SP, no Vale da Ribeira, para Lamarca  instalar uma área de treinamento de guerrilha. Posteriormente, ao ser preso, em 16/04/70, nesse mesmo dia, indicou aos Órgãos de Segurança a exata localização desses sítios. Foi nesse  episódio  que o Tenente Alberto Mendes Júnior, da Polícia Militar do Estado São Paulo, foi assassinado, a coronhadas, depois de se entregar como refém para salvar seus soldados feridos em uma emboscada.

Eis a incoerência! Mesmo achando que determinados criminosos não deveriam ser indenizados, e citando o caso específico de um atentado terrorista praticado pela organização de Lamarca, a qual se filiou, ele vinha pleiteando sua indenização.

Celso Lungaretti , levou anos para conseguir o seu quinhão na Comissão de Anistia. Sua indenização demorou porque,  sempre foi considerado um traidor. Custou para se redimir perante seus companheiros de subversão e perante à Comissão, porque, depois de ser preso, foi à televisão para alertar os jovens do perigo que representava aderir à luta armada. Na época, ele e outro preso fizeram um pronunciamento, exortando os jovens a abandonar a luta armada, pois estavam sendo usados e ,segundo declarações suas, não queriam que outros jovens fossem iludidos.

Não sabemos quando disse a verdade. Se na década de 70, quando falou na TV;  se durante o período em que reclamava, na internet, da perseguição que a esquerda lhe fazia; se  perante a Comissão  de Anistia, para receber indenização; ou, se no artigo que escreveu  recentemente "Rescaldo do Caso Lamarca".

 

 

( vejam abaixo um resumo do histórico da VPR e algumas  de suas ações praticadas no ano 1968, em São Paulo - todas  antes da promulgação do AI -5, em 13/12 de 1968) 

A Organização de Carlos Lamarca

Vanguarda Popular Revolucionária – VPR
                                                       

 No final de 1967, uma dissidência da Política Operária - POLOP -  articulou-se para a formação de uma nova organização subversivo-terrorista, de cunho militarista.

 Paralelamente, um grupo de sargentos, do  Movimento Nacionalista Revolucionário de Brizola, procurava se reorganizar, seguindo a linha cubana.      

 Ansiosos para colocar em prática os ensinamentos aprendidos em Cuba, onde muitos haviam feito curso de guerrilha, e para conseguir  matéria prima para as ações, um grupo composto por Onofre Pinto, Pedro Lobo de Oliveira, Antônio Raimundo Lucena, José Araújo Nóbrega,  José Ronaldo Tavares Lira e Silva e Otacílio Pereira da Silva, assaltou no dia 30/12/1967, o depósito Gato Preto, da Companhia Perus, em Cajamar, São Paulo, roubando 10 caixas de dinamite e 200 detonadores.

 Os encontros iniciais entre esses dois grupos começaram em janeiro de 1968, quando passaram a agir em conjunto e planejar a fusão. Em março, foi realizado o 1º Congresso , nascendo  a VPR.

 Faziam parte da primeira direção da nova organização subversivo-terrorista:

Wilson Egídio Fava, Waldir Carlos Sarapu e João Carlos Kfouri Quartin de Morais  (dissidentes da POLOP) e  Onofre Pinto, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José de Carvalho ( remanescentes do grupo de Brizola).

 A nova organização ficou estruturada da seguinte maneira:

  Comando Nacional, Comandos Regionais e estes divididos em :  Setores Logísticos, Urbano e Rural. Ao setor logístico cabia  conseguir, com ações armadas meios para a organização.. O setor urbano era encarregado do trabalho de massa e era dividido em setor operário, estudantil e de imprensa. Ao setor rural cabia fazer levantamentos de  áreas para instalação de futuros focos de guerrilha no campo.

Em São Paulo a VPR participou das agitações do movimento estudantil, onde recrutou vários jovens  para a luta armada e na greve dos metalúrgicos de Osasco com seus militantes José Ibrahim e José Campos Barreto. Mas foi na área militar  que a VPR mas se destacou. Mantinha uma célula  no 4º Regimento de Infantaria  em Quitaúna, liderada pelo então capitão  Carlos Lamarca e  o sargento Darcy Rodrigues . Essa célula já estava infiltrada na Companhia de Polícia do Exército, em São Paulo.

As atividades da VPR no ano de 1968, em São Paulo, demonstram o grau de violência da organização terrorista. Foram roubos de carros e assaltos a bancos, armas e explosivos, atos terroristas a bomba, assassinatos e “justiçamentos”.

A seguir, algumas das ações realizadas pela VPR, em São Paulo, durante o ano de 1968:

07/03 - assalto ao banco Comércio e Indústria, na Lapa;

19/03 – atentado a bomba contra biblioteca  do Consulado norte-americano, onde um estudante perdeu a perna e dois outros ficaram feridos;

05/04 - atentado a bomba na sede do Departamento de Polícia Federal

20/04 - atentadoabombano jornal” O estado de São Paulo, com 3 feridos;

31/05 – assalto ao Banco Bradesco, em Rudge Ramos;

22/06 – assalto ao Hospital Geral de São Paulo, no Cambuci

26/06 -  atentado a bomba contra o Quartel General do II Exército, que além dos danos materiais, matou o soldado Mario Kosel Filho e feri diversas pessoas;

28/06 – Roubo, na pedreira Fortaleza, de 19 caixas de dinamite e vários detonadores:

01/08 – assalto ao Banco Mercantil de São Paulo, no Itaim;

20/09 - assalto ao Quartel da Força Pública do Estado de São Paulo, no Barro Branco, quando foi morto o soldado Antonio Carlos Jeferry. Participantes da ação: Pedro Lobo de Oliveira, Onofre Pinto  e Diógenes José  Carvalho de Oliveira;

12/10 – assassinato do capitão Charles Chandler, na frente de sua esposa e filhos, o mais velho com nove anos. Participantes da ação: Marco Antônio Brás de Carvalho, Pedro Lobo de oliveira e Diógenes José Carvalho de Oliveira;

15/10 – primeiro assalto ao banco do Estado de São Paulo, no bairro de Iguatemi;

27/10 – atentado a bomba contra a loja Sears, da Água Branca;

07/11 – roubo de um carro e assassinato de seu motorista, senhor Estanislau Ignácio Correa. Participantes da Ação: Yoshitame Fujimore, Osvaldo Antonio Santos e Pedro Lobo de Oliveira;

06/12 – segundo assalto ao Banco do Estado de são Paulo, no bairro de Iguatemi;

11/12 – assalto à Casa de Armas Diana, na Rua do Seminário, deixando ferido o senhor Bonifácio Ignori ,  disparado por José Raimundo da Costa;                                                   

Fonte: Projeto Orvil          

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