Eliane Cantanhêde
Por Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - A viagem à China é a grande estreia internacional de Dilma. A China é a segunda economia mundial, continua crescendo desabaladamente e é forte compradora de commodities brasileiras -mas também uma concorrente.
Aliada e adversária, é a grande incógnita do século, com um regime econômico agressivo e um regime político esdrúxulo, ao redor de um caixão de cristal: o de Mao.
A frente mais importante da viagem é o comércio bilateral, que se multiplica tanto quanto a China cresce e é superavitário para o Brasil.

 
Mas os chineses barram a inserção real de empresas como Embraer e Marcopolo no país e geram concorrência desigual nos grandes mercados e até nos vizinhos.
Se Dilma disse o que disse para Obama, cobrando coerência e abertura comercial, deverá ir na mesma linha com Hu Jintao, lembrando que "reciprocidade" é palavra-chave nas relações internacionais.
O segundo item da agenda é a Cúpula dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) na cidade de Sanya. E, neste caso, o Brasil só tem elogios à posição chinesa, que recusou uma nova dualidade mundial num G2 (EUA-China) e investiu no bloco.
Se Dilma tem cobranças na área de comércio e indústria, deverá elogiar a coesão do grupo, que se absteve na votação da invasão da Líbia sob pretextos humanitários no Conselho de Segurança da ONU e trata de discutir saídas comuns para a crise financeira internacional, que não acabou. A inflação ronda o mundo -e o Brasil.
O terceiro item é como Dilma, que sofreu na pele e impôs nesses cem dias uma inflexão na área de direitos humanos, vai tratar a prisão do Nobel da Paz Liu Xiaobo e o estranho sumiço do artista Weiwei.
Se ela botou o dedo na ferida no caso do Irã e reviu a mania do Brasil de ficar em cima do muro, sabe-se lá o que vai fazer. A depender do Itamaraty, nada. Mas pode dar um toque para Jintao ou uma indireta num discurso. A ver.

 

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