Dilma e o primeiro vice-presidente de Cuba
Brasília - Igor Gielow - Folha de São Paulo - 22/04/2011
BRASÍLIA - Até por falta de outra agenda enquanto o Banco Central duela com o mercado, Dilma Rousseff segue com sua cruzada para distinguir-se do governo Lula na política externa. É fácil e não dói. Muito bem, agora temos uma presidente que se preocupa com os direitos humanos, que não irá tolerar abusos mesmo em parceiros como o Irã. Certo?
Calma lá. Falemos de Cuba, por quem o coração esquerdista do governo bate tão forte.  Texto completo
Na semana em que a ilha dos irmãos Castro encena mais uma etapa da pantomima de "mudança", seria muito interessante saber o que de fato Dilma tem a dizer sobre tudo isso.
Porque posições formais, como a expressada ontem nesta Folha pela assessoria do Itamaraty, parecem
chover no molhado
 "Caminho a percorrer" em direitos humanos é um eufemismo ofensivo aos mortos, presos e calados pela ditadura comunista cubana -sejam quantos forem, não há diferença entre uma e 100 mil vítimas quando o assunto é violência política.
Cuba está no centro do espírito petista. Seus militantes enchem os olhos de lágrimas ao exultar gente como Che Guevara, basta ir a um evento do partido e ver as camisetas à venda. Quando presidente, sempre que podia Lula dava mostras de seu amor pelo regime local. Até congratulou-se com a gerontocracia insular enquanto morria um dissidente, devidamente tripudiado como criminoso comum.
OK, vamos considerar que Dilma não é uma petista histórica, mas de ocasião. Importa pouco: a presidente militou em um grupo que queria a implantação de uma ditadura comunista não muito diferente da que está definhando em Cuba agora. Os métodos de seus colegas, basicamente o assassinato e a espoliação de opositores, não diferiam do "paredón" e quetais.
Os anos passaram, e o mundo mudou. Cuba agora finge mudar, na ilusão de virar um misto de China e cassino. Dilma terá mudado?  
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