No Brasil o pensamento de Gramsci teve
 basicamente repercussão no meio acadê-
 mico e na organização de partidos.
Por Osmar José de Barros Ribeiro - em 25 Abr 2011
O termo “lavagem cerebral” ganhou o mundo quando, durante a Guerra da Coréia, prisioneiros norte-americanos e de outras nacionalidades foram levados a transmitir mensagens contra seus países. No entanto, ainda que submetidos a tratamentos degradantes, passando fome, sofrendo frio e atacados por doenças diversas, a esmagadora maioria dos militares, independente da nacionalidade, com destaque para colombianos e turcos, recusou-se a cooperar.
 É bem verdade que os norte-americanos, por constituírem o maior efetivo, eram as vítimas preferenciais e uns tantos sucumbiram às pressões sofridas.
No entanto, assinale-se, não foram muitos e mesmo uns poucos recusaram o retorno aos EUA, quer por temor de represálias quer por terem se tornado comunistas.
Passadas tantas décadas do conflito citado acima, a lavagem cerebral continua presente, desta feita voltada não contra prisioneiros de guerra, mas para grandes massas populacionais. São as modernas e poderosas técnicas de propaganda veiculadas nos meios de comunicação, dedicadas a convencer parcelas ponderáveis a adquirir esse ou aquele produto. Busca-se, em última análise, fugir ao debate, à comparação, evitando qualquer sombra de dúvida e apresentando um determinado produto como superior, em beleza e praticidade, a todos os outros.
 Não há como negar que, nos dias atuais, a lavagem cerebral (chamem-na de propaganda ou de qualquer outro nome) continua a ser empregada em larga escala, desta feita não contra prisioneiros inermes, mas com o objetivo de submeter milhões de pessoas aos interesses de grupos, empresas, governos, etc., no mais das vezes de forma aética, já que inibe o questionamento. O problema torna-se ainda mais grave quando, numa dada sociedade, o Estado detém o controle, de fato e/ou de direito, dos diferentes meios de comunicação, usando tal “poder” para conduzir largos tratos da população segundo os interesses da elite dominante.
É o que estamos assistindo no Brasil onde o partido político ora no poder busca, por todos os meios e modos, além de dirigir o Estado, influenciar o sistema de valores da sociedade e o comportamento dos cidadãos. A informação é distribuída aos meios de comunicação segundo a sua adesão aos interesses políticos e ideológicos do partido e às ações governamentais esforçando-se por alterar, em nome do “politicamente correto”, o entendimento da maioria do povo a respeito de temas tais como a notória aversão popular ao homossexualismo e o desarmamento compulsório dos civis.
O Brasil ainda não é um “paraíso cubano” nem um campo de concentração norte-coreano, mas vamos, a pouco e pouco, sendo conduzidos ao redil do pai-patrão, tudo dentro dos melhores ensinamentos de Gramsci. A História vem sendo reescrita pelos donos do poder, enquanto aqueles que buscam o restabelecimento da verdade são excluídos do noticiário ou ridicularizados como seres antediluvianos.
Estamos sendo submetidos a uma implacável lavagem cerebral, conduzida de forma dissimulada e, por tal razão, mais perigosa do que aquela que chineses e norte-coreanos aplicavam aos seus infelizes prisioneiros. Há que reagir ou nos tornaremos, em curto prazo, simples rezes a caminho do matadouro de crenças e de ideais.

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