Chávez , sempre polêmico
Por Sergio Leo - Valor Econômico - 11/05/2011 
Coincidiu ontem com a frustrada visita do presidente Hugo Chávez ao Brasil, alegando uma lesão no joelho, o relatório com acusações de apoio do governo venezuelano às Farc. O governo brasileiro minimizou as acusações, para não interferir no que considera uma crescente cooperação entre os governos de Venezuela e Colômbia.
O relatório provoca constrangimento ao Brasil, porém, ao envolver Alí Rodríguez, um ministro de Chávez na encomenda de um assassinato às Farc
Rodríguez é o designado pela Venezuela para a secretaria-geral da União das Nações da América do Sul (Unasul), no ano que vem. Fortalecer a Unasul é uma das prioridades do governo brasileiro para o continente.
No Brasil, a menção a Rodríguez chegou truncada. As versões do relatório no noticiário das agências em português afirmam que computadores apreendidos com o líder das Farc Raúl Reyes apontariam o próprio Rodríguez como o assessor de Chávez que negociou com elementos da guerrilha o assassinato de uma autoridade "da oposição". O relatório divulgado em Londres acusa, porém, um assessor de Rodriguez, Julio Chirino, que teria pedido à Farc para matar o dirigente do departamento venezuelano encarregado de segurança, Henry López Sisco, responsável por ataques à guerrilha.
"O que é importante sublinhar aqui... é o novo ambiente de entendimento entre Colômbia e Venezuela", comentou o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, após receber o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, com quem conversou sobre a futura visita de Chávez ao Brasil, provavelmente no fim de junho ou em julho.
Maduro, segundo relatou Patriota, tomou a iniciativa de mencionar a divulgação das acusações de colaboração com a Farc, quando o ministro brasileiro parabenizou Chávez pela distensão alcançada com o governo do presidente da Colômbia, José Manuel Santos.
O presidente colombiano, aliás, foi, como ministro da Defesa no governo Álvaro Uribe, o responsável pela ação armada em território equatoriano que resultou na morte de Raúl Reyes e na apreensão dos computadores da guerrilha. Desde sua posse, porém, tanto Santos como Chávez têm procurado cooperar em ações como o combate à guerrilha ou a Unasul.
Patriota comentou que, segundo relato do ministro de Chávez, a Venezuela extraditou membros da guerrilha colombiana, a pedido de Santos, e contra pressões da extrema esquerda venezuelana. Por acordo, também, Colômbia e Venezuela decidiram dividir o mandato de secretário-geral da Unasul. "Isso cria condições para trabalharmos de maneira harmoniosa pela integração da região."
As informações sobre as relações da Venezuela com as Farc, noticiadas na época da apreensão dos computadores das Farc, levaram ao rompimento de relações entre Chávez e Uribe na ocasião, mas não eram conhecidas em detalhe. O governo brasileiro evita comentar o tema, argumentando que a Colômbia, a maior interessada, já superou o assunto e vem construindo um modo de convivência com Chávez que teve sucesso em obter cooperação dos venezuelanos no combate à guerrilha.
 
 

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