Uma série de reportagens de Cláudio Dantas Sequeira,  sobre o  Regime Militar , foi publicada no Correio Braziliense  a partir do domingo, 22/07/2007, sob o título de "O Serviço Secreto do Itamaraty".
Trecho da reportagem que circulou  por quatro dias seguidos,  com manchete de destaque na capa e matérias nas quatro primeiras páginas do jornal, diz o seguinte:

Texto completo

" Naquele período, os punhos de renda da diplomacia do Barão de Rio Branco ganharam abotoaduras de chumbo. Diplomatas de vários escalões foram recrutados para compor o chamado Centro de Informações  do Exterior (Ciex) - que agora, se sabe, foi a primeira agência criada sob o guarda-chuva do Sistema Nacional de Informações ( SNI), o aparato  de repressão política usado para sustentar o regime militar."
 
Nos dias seguintes , sempre com chamadas de destaque na capa do jornal, foram publicadas as seguintes matérias:
 23/07/2007- Segredo de Estado ; o pai do Serviço Secreto do Itamaraty;  Espiões na pele de diplomatas.
 24/07/2007 - Plano do Itamaraty de busca externa;  Silêncio no governo Lula.
 25/072007 - Dinheiro de Cuba bancou asilados ; Falsificações e contrabando. 
 
 Em outro trecho das reportagens Cláudio Dantas Sequeira escreve: 
 
"Para os historiadores, é o desafio de incorporar elementos que, por um lado, ampliam o conhecimento acerca desse capítulo sombrio da recente  História brasileira. Por outro, lançam novos questionamentos sobre o que já foi escrito. "
 
O interessante nisto tudo é que  "nas grandes revelações", "nos grandes segredos" e "nos documentos ultra-secretos", analisados pelo jornalista, somente aparecem os fatos ligados à repressão aos militantes das organizações subversivas e terroristas. São omitidos os crimes que  eles praticaram  e o fato de que eram fugitivos da justiça brasileira.
 
Há quarenta e um anos, no dia 25/07 uma bomba explodiu no Aeroporto de Guararapes, em Recife.Pouquíssimo se escreveu sobre este triste episódio.
Claudio Dantas Sequeira, do Correio Braziliense, um jornal de Brasília, poderia ter feito  uma reportagem, que pelo seu ineditismo, seria um "furo ".  O jornalista poderia ter aproveitado a oportunidade e entrevistar o General Sylvio Ferreira da Silva, residente em Brasília, uma das vítimas desse horrível atentado, que matou um jornalista e um almirante, e feriu, seriamente, outras 13 pessoas. O então Coronel Sylvio, perdeu no atentado, os dedos da mão esquerda e teve as pernas seriamente feridas. Hoje, anda de muletas  em conseqüência dos ferimentos.
Esse atentado e muitos outros crimes praticados por organizações terroristas, para grande parte da mídia , parece que não interessa aos historiadores, já que ela jamais se refere a eles e a seus executores. 
 Como julgamos  que esse ato de terrorismo "incorpora elementos acerca do capítulo sombrio da recente História brasileira", como escreve o repórter, resolvemos publicá-lo em nosso site
 
As sete bombas que abalaram Recife

41 anos do atentado ao Aeroporto de Guararapes  - Recife - 25/07/1966

A Contra-Revolução completava dois anos. Solenidades eram realizadas  em todos os rincões do País.

Em Recife, desde oito horas desse 31/03/1966, o povo se deslocava para o Parque Treze de Maio para o início das comemorações. Milhares de pessoas estavam reunidas naquele parque quando, às 8h47, foram surpreendidas por uma violenta explosão, seguida de espessa nuvem de fumaça que envolveu o prédio dos Correios e Telégrafos de Recife. Quando a fumaça desapareceu, o povo, atônito, viu os estragos. Manchas negras e buracos nas paredes, a vidraça no sexto andar estilhaçada. A curiosidade era geral. O povo não imaginava que esse seria o primeiro ato terrorista na capital pernambucana.

Ao mesmo tempo, outra bomba explodia na residência do comandante do IV Exército. Ainda naquele dia, outra bomba, que falhara, foi encontrada em um vaso de flores da Câmara Municipal de Recife, onde havia sido realizada uma sessão solene em comemoração ao segundo aniversário da Contra-Revolução.

Cinqüenta dias após, em vinte de maio, foram arremessados dois coquetéis “molotov” e uma banana de dinamite contra os portões da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Por sorte, até então, os terroristas não haviam provocado vítimas.

No entanto, antes de completarem quatro meses da explosão da primeira bomba, outras três vieram abalar a tranqüilidade de Recife. Como as anteriores não provocaram vítimas, desta vez os terroristas capricharam e se esmeraram para haver mortos e feridos. A justificativa para essas ações era protestar contra a visita a Recife do marechal Costa e Silva, candidato da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) à Presidência da República. O alvo principal era o próprio Costa e Silva e sua comitiva. No dia marcado para a chegada do candidato, 25 de julho de 1966, explode a primeira bomba na União dos Estudantes de Pernambuco, ferindo com escoriações e queimaduras, no rosto e nas mãos, o civil José Leite.

A segunda bomba, detonada nos escritórios do Serviço de Informações dos Estados Unidos, causou apenas danos materiais.

A terceira, mais potente, preparada para vitimar o marechal Costa e Silva, atingiu um grande número de pessoas. Ela foi colocada no saguão do Aeroporto de Guararapes, onde a comitiva do candidato seria recebida por trezentas pessoas.Eram 8h30, quando os alto-falantes anunciaram que, em virtude de pane no avião que traria o general, ele estava se deslocando por via terrestre, de João Pessoa até Recife, indo diretamente para o prédio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Com o anúncio, o público, felizmente, começou a se retirar.

O guarda-civil Sebastião Thomaz de Aquino, o “Paraíba”, que fora um grande jogador de futebol do Santa Cruz, viu uma maleta escura junto à livraria Sodiler.

Pensando que alguém a esquecera, pegou-a para entregá-la no balcão do Departamento de Aviação Civil (DAC).

Ocorreu no momento uma grande explosão. A seguir pânico, gemidos e dor. Mais um ato terrorista acabara de acontecer, com um saldo de quinze vítimas.

Morreu o jornalista Edson Régis de Carvalho, casado e pai de cinco filhos. Teve seu abdômen dilacerado.

Também faleceu o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes, com o crânio esfacelado, deixando viúva e um filho menor.

“Paraíba” foi atingido no frontal, no maxilar, na perna esquerda e na coxa direita com exposição óssea, o que resultou na amputação da perna direita.

O tenente-coronel Sylvio Ferreira da Silva, hoje general, sofreu amputação traumática dos dedos da mão esquerda, lesões graves na coxa esquerda e queimaduras de primeiro e segundo graus. Hoje, 40 anos depois, ainda sofre com as seqüelas provocadas.

Ficaram gravemente feridos o inspetor de polícia Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antônio Pedro Morais da Cunha; os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro; os estudantes José Oliveira Silvestre e Amaro Duarte Dias; a professora Anita Ferreira de Carvalho; a comerciária Idalina Maia; o guarda-civil José Severino Barreto; além de Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas seis anos de idade.

O acaso, transferindo o local da chegada de Costa e Silva, evitou que a tragédia fosse maior.

Assim age o terrorista, indiscriminadamente, forma tão apregoada por Carlos Marighella, atingindo pessoas inocentes. .

.Freqüentemente, vergonhosas e milionárias indenizações são pagas a exterroristas que tanto mal fizeram ao País.

Acredite, nenhuma das vítimas que citei até agora e que citarei nas próximas páginas deste livro recebeu qualquer indenização.

Durante muito tempo, a esquerda escondeu, enquanto pôde, a autoria desse atentado, chegando a afirmar que teria sido feito pela direita para tentar incriminá-la. Técnica antiga muito usada, até os dias de hoje, pela esquerda.

As autoridades, atônitas, procuravam os autores desses atentados. Não obtinham nenhuma resposta. Não tínhamos, até então, nenhum órgão para combater, com eficiência, o terrorismo.

Foi um comunista, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que teve a hombridade de denunciar esse crime: Jacob Gorender, em seu livro Combate nas Trevas - edição revista e ampliada - Editora Ática - 1998, escreve sobre o assunto:

“Membro da comissão militar e dirigente nacional da AP, Alípio de Freitas encontrava-se em Recife em meados de 1966, quando se anunciou a visita do general Costa e Silva, em campanha farsesca de candidato presidencial pelo partido governista Aliança Renovadora Nacional (ARENA). 

Por conta própria Alípio decidiu promover uma aplicação realista dos ensinamentos sobre a técnica de atentados.”

“Em entrevista concedida a Sérgio Buarque de Gusmão e editada pelo Jornal da República, logo depois da anistia de 1979,

Jair Ferreira de Sá revelou a autoria do atentado do Aeroporto de Guararapes por militantes da AP.

Entrevista posterior, ao semanário Em Tempo, referiu-se a Raimundinho como um dos participantes da ação. Certamente, trata-se de Raimundo Gonçalves Figueiredo, que se transferiu para a VAR-Palmares (onde usava o nome de guerra Chico) e morreu, a vinte sete de abril de 1971, num tiroteio com policiais do Recife.”

Fica, portanto, esclarecida a autoria do atentado ao Aeroporto de Guararapes: ·

Organização responsável: Ação Popular (AP);

· Mentor intelectual: ex-padre Alípio de Freitas - que já atuava nas Ligas Camponesas -, membro da comissão militar e dirigente nacional da AP;

· Executor: Raimundo Gonçalves Figueiredo, militante da AP.

Observação:

- Em 25/12/2004, Cláudio Humberto, em sua coluna, no Jornal de Brasília, publicou a concessão da indenização fixada pela Comissão de Anistia, que beneficia o ex-padre Alípio de Freitas, hoje residente em Lisboa. Ele terá direito a R$ 1,09 milhão(..)

Raimundo Gonçalves Figueiredo é nome de uma rua em Belo Horizonte/ MG e sua família também foi indenizada.


Nota do site: As fotos que ilustram a página principal desse site são do atentado ao Aeroporto Guararapes

Fontes:

- Combate nas Trevas.

- Projeto Orvil.

Trecho do livro A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça - 3ª ed. autor - Carlos Alberto Brilhante Ustra

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar