Por Carlos Chagas

BRASÍLIA - Quando as coisas não dão certo, determina a lógica que sejam logo revistas. Não há desdouro nenhum em reconhecer erros passados e, a partir do reconhecimento, adotar novas iniciativas. Esse princípio vem dos tempos de Ramsés II e vale tanto para pessoas quanto para instituições, inclusive governos.

 

  

 

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Tome-se a questão do Ministério da Defesa. Sua criação exprimiu uma vingancinha do então presidente Fernando Henrique Cardoso contra os militares. Se durante os anos de chumbo ele foi perseguido ou se, por baixo do pano, compôs-se com os donos do poder, é outra história. Afinal, foi aposentado precocemente do cargo de professor-assistente da USP, mas com vencimentos.

Viajou para o exterior porque quis, tanto que voltou quando quis, trazendo volumoso contrato com uma multinacional americana, que o transformou em neoliberal, muito antes de a expressão ficar globalizada.

De qualquer forma, foi um erro extinguir os Ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica, só para afastar os oficiais-generais das três forças das reuniões ministeriais e das discussões sobre os maiores problemas de governo. De lá para cá, a gestão das questões castrenses passou para civis, outro erro lapidar.

Se ainda tivessem aproveitado militares, mesmo da reserva, para o Ministério da Defesa, haveria esperança de normalidade, mas um senador, um advogado-geral da União, um diplomata, um vice-presidente e um ex-governador e ministro de outra pasta positivamente não deram certo. Sem qualquer relação ou proximidade com temas, costumes e objetivos militares, só praticaram a arte de enxugar gelo e ensacar fumaça.

O resultado da trapalhada caiu no colo do presidente Lula, ao qual faltou coragem para rever a desastrada decisão do antecessor. Em seu governo ninguém esquentou lugar na cadeira de ministro da Defesa, por maiores qualidades políticas e éticas que apresentassem os escolhidos.

Waldir Pires, o último, não merecia o final melancólico de agora. Perfeito na Controladoria Geral da União, viu-se deslocado para a Defesa, logo atropelado por variadas crises que não podia resolver.

Faz tempo que Lula pretendia substituí-lo, não o fazendo por falta de alternativa. Depois de ter recusado, Nelson Jobim agora aceitou o convite. Encontra-se próximo de entrar numa fria, hipótese rejeitada pelos demais cogitados, José Alencar, já tendo oferecido sua quota de sacrifício, Paulo Bernardo, ao alegar só entender de números, e Celso Amorim, feliz por ter convencido o presidente a não tirá-lo do Itamaraty.

Existisse coragem no Palácio do Planalto e uma tranqüila emenda constitucional seria aprovada em tempo recorde pelo Congresso, extinguindo o Ministério da Defesa e recriando os ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica, jamais retrocesso, senão a correção necessária de erro lapidar. O resultado aí está: mais um para o cadafalso, agora um jurista que não merece o risco de encerrar sua biografia sem poder distinguir um esquadrão de Cavalaria de um pelotão de Infantaria.
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