Quando a esmola é demais, o santo desconfia.
Por Claudio Schamis - Grita Brasil -
http://opiniaoenoticia.com.br/ - 30/06/2011  
Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Pode até desconfiar, mas o que não tem aqui nessa história é santo. Santo sou eu.
Temos que mudar aquele ditado que diz que cada povo tem o governo que merece. Sim tem.
Mas, além disso, tem também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que merece.
E não poderia ser diferente aqui no Brasil, não é mesmo?
Depois que pensamos que já vimos de tudo nessa vida, não pense mais assim. Você está terminantemente proibido de pensar assim. Não num país onde praticamente tudo vale, mesmo sendo de nenhum valor para a maioria, mesmo sendo ilícito, errado, inconstitucional, mesmo sendo o que for. Mesmo sendo e acaba sempre sendo mesmo isso aí que muitos já estão carecas de saber: “O Brasil é um país de mil e uma facetas”. E aqui não tem nenhum patrocínio da Bombril, afinal palha de aço nunca serviu para lustrar madeira. Sacaram agora o trocadilho? Faceta, madeira, caras e palha de aço! Se não entenderam escrevam para mim, para o Opinião e Notícia, que terei o maior prazer em explicar. Sem custo nenhum.
Já a explicação que o BNDES poderá dar para justificar os parcos R$ 4 bilhões que resolveu doar — para ajudar no surgimento do que será a 3ª maior empresa de capital aberto do país – pode custar caro. E muito. Para os cofres do governo e para a sociedade como um todo, pois, se concretizado o negócio, poderá gerar fechamento de lojas e claro, desemprego. O papo do lado de lá é de que com essa fusão Pão de Açúcar e Carrefour abrirá caminho para a maior inserção e produtos brasileiros no mercado internacional. Mas cá pra nós, para abrir caminho tem um pai de santo que conheço que vai cobrar bem menos.
Mas quem sou eu para dizer aí, aí, ai, BNDES? Não faz isso que é feio. Nosso país precisa de tanta coisa mais importante em infraestrutura e temos tanta carência de recursos, que vocês só podem estar viajando e na maionese. Light de preferência, pois entrei na dieta.
E talvez se aproveitando dessa informação, de que estou de dieta, o governo venceu na Câmara e vai manter o sigilo para a licitação das obras da Copa. Seria muito açúcar na minha, na nossa boca, se o governo abrisse as pernas, quero dizer, os livros para que toda a sociedade possa ver tudo de forma cristalina. Mas eles não vão correr esse risco, até porque depois viriam com a desculpa que os possíveis erros que pudessem ser encontrados seriam quase os mesmos encontrados nos livros do MEC e distribuídos para 37 mil escolas, onde 10 -7 = 4, e então iriam falar com o maior orgulho, que então seria melhor abrir uma CPI para apurar os porquês de tudo isso. Só espero que esses porquês não sejam procurados nos outros livros do MEC, esses mesmos que você pensou.
E se você pensou que essa história envolvendo a Delta Construções iria começar a cair no limbo, ledo engano.
Não é que descobriram que a Delta tem contratos com a Cedae, sem licitação para a instalação e leitura de hidrômetros? Fora isso, o Tribunal de Contas do Estado concluiu um levantamento onde apurou que a Delta tem 51 procedimentos irregulares em obras de 2002 a 2007. Quanto dinheiro não foi perdido? Quanto dinheiro não se ganhou?
Só com os hidrômetros novos foram para os cofres do consórcio Novoperação (Delta e pela Emissão Engenharia e Construções) míseros R$ 377 milhões. Fora o resto. É o resto, pois depois de assumir quase 80% do sistema de medição, as contas de consumidores deram um salto quase que de varas, o que provocou uma enxurrada de reclamações em 2006.
E nada disso teria vindo à tona se não fosse um trágico acidente de helicóptero.
Só podemos lamentar e muito. Lamentar também por ver serem jogadas fora duas toneladas de alimentos que deveriam ser destinadas à merenda escolar da rede pública de Marabá, no sudeste do Pará. Os alimentos estavam em um depósito do Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação e por lá ficaram. Esqueceram de repassá-los à empresa terceirizada que ganhou o pregão e nem foram doados a instituições de caridade. Num país com pessoas com fome, ainda existe descasos como esse. E muita gente acha isso ainda normal.
Normal é o cacete!
Engraçado é que mesmo tendo escolas em Marabá onde falta merenda escolar, ninguém move uma palha para saber o porquê está faltando. Tá faltando? Ah, depois vemos isso.
Depois é o cacete!
Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

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