Por Janer Cristaldo
Os países europeus foram pródigos em conceder asilo político aos brasileiros que fugiam do golpe de 64. Não só os países europeus, como até mesmo Cuba e Argélia.
É claro que raros foram os que buscaram asilo em Cuba e Argélia. Brasileiro não é besta. A maioria preferiu as cidades esplendorosas do mundo capitalista, como Estocolmo, Berlim, Paris, Londres. O asilo foi concedido não só a pessoas condenadas pela justiça brasileira, como também a pessoas procuradas pelos militares e até mesmo, a pessoas que nem eram procuradas pelos militares, mas que acharam naquele momento histórico uma excelente oportunidade para uma estada na Europa patrocinada pela generosidade européia. Concedeu-se asilo não só a opositores ao regime militar, mas a criminosos que mataram e seqüestraram embaixadores.
 
Asilar-se era algo tão fácil que até eu, que nada tinha a ver com a coisa, recebi proposta de asilo na Suécia. Fora até o Departamento de Imigração renovar minha permissão de estada. O policial, ao saber que eu era jornalista e provinha do Brasil, já foi me oferecendo os generosos subsídios do Estado sueco, que eram na época cerca de quatro mil coroas, salário de sonho para não fazer nada. Recusei. Contando essa história a alguns brasileiros, só me faltou ser linchado. Mas eu não era refugiado político, ora bolas. Havia saído pela porta da frente de meu país, e pela porta da frente pretendia voltar. Reproduzo abaixo como transcrevi, literAriamente, este episódio em Ponche Verde.

Em 28 de agosto de 1979, o general Figueiredo sancionou a Lei nº 6.683, de iniciativa do governo, que concedia ampla anistia aos exilados, excetuando de seus benefícios "os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, seqüestro e atentado pessoal". (Que mais tarde acabaram voltando e hoje ocupam altos cargos no governo). Eu morava em Paris na época. O clima na Maison du Brésil, encrave das esquerdas brasileiras na França, entrou em luto. Era o fim das mordomias. Com a anistia, terminavam as mordomias. Só pode ser golpe da direita, suspiravam, esperançosos, os exilados.

Os dois boxeadores cubanos que abandonaram a delegação de seu país durante os jogos do Pan 2007, acabam de ser presos e serão deportados para Cuba. "Eles estão sem documentos. Essa já é causa suficiente para serem deportados", explicou o delegado federal Felício Laterça, responsável pelo caso. Seria muita ingenuidade crer que as autoridades cubanas permitissem que membros de sua delegação andassem com passaportes no bolso em uma excursão ao exterior. "Um homem é corpo, alma e passaporte", dizia Stephan Zweig. Passaporte é liberdade.

Ora, tais decisões um delegado não toma sem autorização expressa do governo. É claro que a ordem de deportação parte de instâncias superiores. Alegou-se que os dois cubanos pediram para voltar. Mentira berrante. Se pediram para voltar, não há razão alguma para serem deportados. Além do mais, é insensato pensar que alguém arriscaria seu futuro fugindo do país onde, apesar dos pesares, goza dos privilégios conferidos a atletas, para depois pedir para voltar... para a cadeia. Não tem sentido. O Brasil, cujos refugiados políticos tiveram generosa acolhida em diversos países do mundo, hoje manda para a prisão dois cubanos que viram no Brasil uma melhor alternativa para suas vidas.

O delegado explicou que já foi solicitado ao governo cubano que adquira as passagens de volta, e providencia os passaportes dos atletas. Mas, caso Cuba não banque a viagem, o delegado disse que o governo federal pode ter de pagar. A pressa é tanta em livrar-se dos cubanos, e o Brasil é tão subserviente a Cuba, que o governo pagará até mesmo suas voltas.

Outra foi a atitude ante um terrorista das Farc, o colombiano Camilo Collazzos, também conhecido como Olivério Medina, Padre Medina ou "el Cura Camilo", preso no Brasil em agosto de 2005 pela Polícia Federal. A Colômbia pediu a extradição de Collazzos. Uma frente composta pelo PT, PSOL, PCB, PCdoB e UNE fez campanha pela soltura do colombiano, que acabou recebendo asilo político definitivo. O senador Suplicy não poupou esforços para impedir a extradição do terrorista colombiano. O caso dos cubanos é mais absurdo, afinal Cuba sequer chegou a pedir a extradição dos dois. O Brasil se adiantou a qualquer pedido cubano. No que não há nada de espantar: os cubanos não trouxeram 5 milhões de dólares para o PT.

PT, PSOL, PCB, PCdoB, UNE e senador Suplicy moverão uma palha para livrar os dois cubanos da prisão que os espera?

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