General Videla

JB – 14 de agosto de 2007
Jarbas Passarinho foi ministro, senador, governador e é escritor 

É notória a diferença do grau da violência da contra-insurreição comunista, nos anos 70, no Cone Sul. Na Argentina, principalmente, e no Chile, a repressão esmagou fortes contingentes de insurretos, que configuraram guerra civil. Na literatura militar, desconheço repressão bem sucedida a nazistas, comunistas e terroristas, mantidas as liberdades de que eles se beneficiam para eliminar toda liberdade se vencerem. Na Argentina, os guerrilheiros e terroristas montoneros tinham até fábrica de armamento e munição.

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Em prisão domiciliar há anos, o general Videla, o mais visado pelos atuais senhores do governo, especialmente o montonero que preside a Argentina, foi novamente levado às barras do Tribunal que o julga por atribuídos crimes hediondos. Brevíssimo, repetiu ao magistrado que era responsável por tudo o que ocorrera quando comandou a repressão e que seus subordinados cumpriram suas ordens. Eis o exemplo de altivez de quem, militar, sabe que "o comandante é o único responsável por tudo o que se faz ou deixa de fazer na sua unidade".

Fidel Castro não é um vilão como foi Videla. Venceu a aventura da invasão de Cuba, vergonhosa operação da CIA e de incompetentes insurgentes cubanos, no combate da Baía dos Porcos. Passou pelas armas alguns dos líderes e tomou medidas de segurança obrigado que foi a restringir as liberdades - o que já faz mais de 48 anos - devido às ameaças de invasão dos imperialistas norte-americanos.

Para construir o paraíso dos trabalhadores, recebeu uma pensão generosa de Moscou (porque sem ela não construiria o conforto de seu povo). Seus cárceres lembram resorts próximos da praia de Varadero. O renegado Armando Valladares que, embora jovem integrante da guerrilha, não soube compreender a sagrada missão socialista - como os militares venezuelanos estão compreendendo o socialismo do século 21 de Chávez - foi conhecer a famosa cadeia de La Cabaña. Tão pronto, porém, o companheiro Mitterrand pediu sua libertação, Valadares generosamente foi posto em liberdade. Infelizmente, após gozar 22 anos de tratamento VIP na prisão. Ingrato, está em Miami. Jornalista, criticou nosso presidente Lula por sua justa veneração por Fidel. No seu programa de TV, Bóris indagou a Lula, então candidato, se conhecera a censura. Defensor intransigente do direito de crítica, o presidente, então candidato, indignou-se - o que lhe é raro - e respondeu que Valadares não passava de um "picareta". De fato, comparar La Cabaña com o Deops de São Paulo, sob o truculento delegado Romeu Tuma, só um "picareta" é capaz.

Da delegação cubana aos Jogos Pan-Americanos, desertaram dois boxeadores campeões mundiais, fartos de viver no paraíso que tanto custou a Fidel erigir. Claro que disso se aproveitou a direita reacionária para atacar o regime democrático de Cuba. Durou pouco a alegria. Ela se arrependeu. Fidel em pessoa sobrepôs-se ao irmão Raul, de plantão no governo da ilha, que ele teve o direito democrático de indicar sucessor, se as Parcas não o pouparem. Enviou um jatinho para buscar de volta os atletas, devidamente desculpados, com um recado oportuno para a direita anacrônica: "Cuba não vai sacrificar sua honra e suas idéias por medalhas olímpicas".

Natural é que tenha mantido diplomáticas relações com as famílias de ambos, sensíveis patrioticamente aos argumentos e ponderações cordiais da polícia política, perdão, de um dos humanitários Comitês de Defesa da Revolução. Fidel prossegue: "A Revolução cumpriu sua palavra: tratamento humano, reunião imediatamente com seus familiares e um emprego decoroso, de acordo com seus conhecimentos". Em seguida um carão carinhoso: "Preocupamo-nos também com sua saúde, mas chegaram ao ponto de que não há retorno. Serão expulsos das equipes cubanas e não poderão mais lutar em seu país".

Não é o que diz Rigondeaux, supercampeão de boxe: "Vou voltar a lutar. Vou defender meus títulos. Sou o atleta que mais resultados tem até hoje e vou defender meus títulos". É bom não provocar, porém, porque Fidel não é um algoz como Videla, mas pode zangar-se...

 

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