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Categoria: Diversos
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 Namorada de José Dirceu exibe filme sobre vôo de resgate de 1969 no Palácio do Planalto
O auditório do Anexo I da Presidência da República, no próximo dia 15 de agosto, às 12h15, servirá de espaço para exibição do filme “Hércules 56”, de Silvio Da-Rin, o qual estará no Palácio do Planalto como convidado especial da sessão. O Hércules 56 é uma referência ao avião da FAB que conduziu para o México, em 1969, os 15 presos que foram libertados por exigência dos guerrilheiros que seqüestraram o embaixador norte-americano Charles Elbrick.
 
Texto completo e Trailler  
 

Entre os libertados estava José Dirceu. Entre os seqüestradores que exigiram a troca do embaixador pelos presos políticos estava o atual ministro Franklin Martins. Os dois dão depoimentos no documentário. A decisão sobre a exibição do documentário no Palácio do Planalto foi tomada por Evanise Santos, coordenadora da agenda de filmes como chefe da Coordenação de Relações Públicas (Coresp) do Palácio do Planalto. Ela é atual namorada de José Dirceu. A produção do documentário sobre o seqüestro do embaixador norte-americano contou com o patrocínio da Petrobrás. O filme inteiro é uma apologia do discurso e das práticas revolucionárias. Bem claramente, no filme, um dos personagens recusa a denominação de “seqüestrador” pela de “revolucionário”.

Trailler 

 

 

 
 
 

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Seqüestro do embaixador americano
04/09/1969

As ações de violência atemorizavam a população, mas eram tantas que já não causavam o impacto desejado, pela freqüência com que aconteciam.
Franklin de Souza Martins, da direção da Dissidência da Guanabara (DI/GB), propôs uma ação inédita. Sugeriu um seqüestro, que seria o primeiro.
Estudados os alvos, concluiu-se que o de maior repercussão seria o de um diplomata e o escolhido foi o embaixador americano.(...)
 
O Manifesto
Depois de praticada a ação, um panfleto, redigido por Franklin Martins e Fernando Gabeira , foi deixado no local do seqüestro com os seguintes dizeres.:
“Grupos Revolucionários detiveram, hoje, o Sr. Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum ponto do País. Este não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, em que se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; tomadas de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários para devolvê-los à luta do povo; as explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores. Na verdade, o rapto do embaixador é apenas mais um ato de guerra revolucionária, que avança a cada dia e que este ano iniciará a sua etapa de guerrilha rural.
A vida e a morte do senhor embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências o Sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas duas exigências são:
- a libertação de 15 prisioneiros políticos;
- a publicação e leitura desta mensagem, na integra, nos principais jornais, rádios e televisões em todo o País.
Os 15 prisioneiros políticos devem ser conduzidos em avião especial até um país determinado - Argélia, Chile e México - onde lhes será concedido exílio. Contra eles não deverá ser tentada qualquer represália, sob pena de retaliação.
A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos 15 líderes revolucionários e esperaremos 24 horas por sua colocação num país seguro.
Se a resposta for negativa ou se não houver nenhuma resposta nesse prazo, o Sr. Burke Elbrick será justiçado.
Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas.
Agora é olho por olho, dente por dente.
Ação Libertadora Nacional (ALN)
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).” (...)

 
Partipantes do seqüestro
Participaram da ação:
Franklin de Souza Martins (Waldir ) - DI/GB;
Cid Queiroz Benjamin (Vitor) - DI/GB;
Fernando Paulo Nagle Gabeira (Honório)- DI/GB;
Cláudio Torres da Silva (Pedro) - DI/GB;
Sérgio Rubens de Araújo Torres (Rui ou Gusmão) - DI/GB;
Antônio de Freitas Silva (Baiano) - DI/GB;
Joaquim Câmara Ferreira (Toledo) - ALN;
Virgílio Gomes da Silva (Jonas) - ALN;
Manoel Cyrillo de Oliveira Netto (Sérgio) - ALN;
Paulo de Tarso Venceslau (Geraldo) - ALN;
Helena Bocayuva Khair (Mariana) - MR-8;
Vera Silvia Araújo de Magalhães (Marta ou Dadá) - MR-8;
João Lopes Salgado (Dino) - MR-8;
José Sebastião Rios de Moura (Aníbal) - MR-8.(...)
 
 
Os banidos
Em troca da vida do embaixador, seguiram para o México, banidos do território nacional, pelo Ato Complementar nº 64, de 5 de setembro de 1969:
Agonalto Pacheco da Silva;
Flávio Aristides de Freitas Tavares;
Ivens Marchetti de Monte Lima;
João Leonardo da Silva Rocha;
José Dirceu de Oliveira e Silva;
José Ibraim;
Luíz Gonzaga Travassos da Rosa;
Maria Augusta Carneiro Ribeiro;
Onofre Pinto;
Ricardo Vilas Boas Sá Rego;
Ricardo Zaratini Filho;
Rolando Fratti;
Vladimir Gracindo Soares Palmeira;
Gregório Bezerra;
Mário Roberto Zanconato.
Desses, alguns, apesar de banidos, voltaram clandestinamente e reiniciaram, mais preparados, depois de cursos em Cuba, a guerrilha no Brasil. Outros voltaram depois da Lei de Anistia, em 1979, e retomaram às atividades políticas, ingressando em partidos políticos e organizações não governamentais (ONGs) de esquerda.
 
Mais detalhes no livro A VERDADESUFOCADA- A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça- Carlos Alberto Brilhante Ustra