Correio Braziliense - 17/08/2011 
Após as demissões de Antonio Palocci, da Casa Civil; Alfredo Nascimento, dos Transportes; e Nelson Jobim, da Defesa, a bolsa de apostas da Esplanada aponta o titular da Agricultura, Wagner Rossi, como próximo ministro a perder o cargo. A pasta chefiada pelo peemedebista é alvo de uma série de denúncias, que acenderam o sinal de alerta no Palácio do Planalto. A primeira crise foi deflagrada com declarações de Oscar Jucá Neto — ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) — publicadas na revista Veja. Demitido da Conab, Neto revelou a existência de um suposto esquema de corrupção no órgão, que já foi comandado por Wagner Rossi.
O governo tentou apagar o incêndio, mas novas acusações da Veja, desta vez relatando a atuação do lobista Júlio Fróes no Departamento de Licitação do Ministério da Agricultura, recolocaram a pasta na lista de órgãos suscetíveis a mudanças.
Acusado de utilizar as dependências do ministério, inclusive as entradas privativas, para elaborar laudos e estudos de licitação no intuito de favorecer empresas pré-definidas, Fróes citou a participação do então secretário executivo da pasta, Milton Ortolan. O ex-número 2 do Ministério da Agricultura seria ligado ao lobista. Pressionado, Ortolan entregou o cargo no último dia 6.
A essas denúncias soma-se a reportagem de ontem do Correio, na qual foi revelado que Rossi costumava usar o jatinho de uma empresa que, nos últimos anos, cresceu 81% devido aos contratos com a pasta. Desde o início da crise, Rossi compareceu duas vezes ao Congresso para prestar esclarecimentos e recebeu apoio dos aliados governistas e da presidente Dilma Rousseff — exatamente como Palocci, Nascimento e Jobim pouco antes de deixarem os respectivos cargos.
 

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