Ministro da Agricultura  Mendes Ribeiro
 Líder do PMDB diz que Dilma aceitou Mendes Ribeiro para Agricultura
Mendes Ribeiro deverá assumir Ministério da Agricultura, substituindo Wagner Rossi
Luciana Cobucci - Portal Terra
Direto de Brasília
O líder do governo no Congresso, deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), foi indicado pelo partido para substituir o ex-ministro Wagner Rossi no Ministério da Agricultura, que pediu demissão nesta quarta-feira, e a presidente Dilma Rousseff já teria aceitado a indicação
A informação foi postada no começo da madrugada desta quinta-feira no Twitter pelo líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves. "O vice-presidente Michel Temer submeteu o nome de Mendes à presidente Dilma, que aprovou a escolha", escreveu. "A indicação foi levada agora há pouco ao vice-presidente Temer, no Palácio do Jaburu". A principal atribuição de Mendes é negociar a votação do Orçamento Geral da União nas duas casas.
O quarto ministro a deixar o governo Dilma, Rossi pediu demissão do cargo nesta quarta-feira, após uma série de denúncias de irregularidades na pasta que, nesta semana, o atingiu diretamente. Em sua carta de demissão, divulgada na página do ministério, ele argumentou que sua família pediu que ele se afastasse do governo e "deixasse essa minha luta estoica, mas inglória contra forças muito maiores do que eu possa ter".
Anteriormente, um líder governista havia dito que Mendes era o mais cotado para assumir a Agricultura "porque o outro deputado que disputa a indicação do partido é muito fraco".
Mendes teve atuação destacada na votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados e tem proximidade política com a presidente, que o escolheu para o cargo de líder no Congresso. A decisão de Rossi foi tomada no final desta tarde, quando ele procurou Temer, seu padrinho político, para dizer que apresentaria sua demissão a Dilma. Segundo Temer, a presidente "insistiu muitíssimo" para que Rossi permanecesse.
Em nota, Dilma lamentou a saída do ministro e o fato de Rossi não ter "contado com o princípio da presunção da inocência diante das denúncias contra ele desferidas". Em pouco mais de sete meses de governo, Rossi é o quarto ministro de Dilma a pedir demissão. Antonio Palocci deixou a chefia da Casa Civil e Alfredo Nascimento saiu do Ministério dos Transportes, também em meio a denúncias. Neste mês, Nelson Jobim pediu demissão do Ministério da Defesa após divulgação de uma entrevista em que ele teria criticado colegas de governo.
Mendes Ribeiro
Advogado de formação, o gaúcho Mendes Ribeiro Filho está em seu quinto mandato parlamentar consecutivo. Foi secretário de Estado das Obras Públicas, Saneamento e Habitação do Rio Grande do Sul e secretário Extraordinário para Assuntos da Casa Civil do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. É filiado ao PMDB desde 1985. Foi oficializado como o novo líder do governo no Congresso Nacional no dia 1º de julho.
A queda do ministro da Agricultura
Em decisão que surpreendeu a própria presidente Dilma Rousseff, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), pediu demissão no dia 17 de agosto de 2011, após uma série de denúncias contra sua pasta e órgãos ligados a ela. Em sua nota de despedida, ele alegou que deixava o cargo a pedido da família e afirmou que todas as acusações são falsas, tendo objetivos políticos como a destituição da aliança de apoio à presidente e ao vice, Michel Temer.
A revista Veja publicou, no final de julho, denúncias do ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto de que um consórcio entre o PMDB e o PTB controlaria o Ministério da Agricultura para arrecadar dinheiro. O denunciante é irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, e foi exonerado após denúncia da própria revista de que teria autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa "fantasma". Outra reportagem afirmou que um lobista, Júlio Froés, atuaria dentro da pasta preparando editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorriam a verbas. Segundo a revista, o homem teria ligações com Rossi e com o então secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan. Ambos negaram envolvimento, mas Ortolan pediu demissão em 6 agosto. Em seu lugar foi escolhido o assessor especial do ministro José Gerardo Fontelles, que acabou assumindo o lugar do próprio Rossi interinamente.
No dia 16 de agosto, o Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Rossi e um filho sempre são vistos embarcando em um jato da empresa Ourofino Agronegócios. Conforme a publicação, o faturamento da Ourofino cresceu 81% depois que a empresa foi incluída como fornecedora de vacinas para a campanha contra a febre aftosa. O ministro admitiu que pegou "carona" algumas vezes na aeronave, mas negou favorecimento à empresa e disse que o processo para a companhia produzir o medicamento teve início em 2006, antes de ir para o ministério. Contudo, a Comissão de Ética da Presidência anunciou que iria analisar a denúncia. Por fim, no dia em que Rossi decidiu pedir demissão, o ex-chefe da comissão de licitação da pasta Israel Leonardo Batista afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro depois da assinatura de contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. A Polícia Federal instaurou um inquérito para tratar o caso.
Com informações da Reuters.

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