"Aqui os criminosos são protegidos, os terroristas são homenageados e a lei é somente um incômodo".
Oglobo online -  Plantão | Publicada em 16/08/2007 às 17h59m
Chico de Gois - O Globo
BRASÍLIA - O governo, que evoca a ameaça de golpe toda vez que é criticado por ações ou omissões, não se deu conta de que no Palácio do Planalto, onde trabalha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há cultuadores ativos dos anos da ditadura. E os que ainda vivem da memória dos porões voltaram a atacar ontem utilizando como "arma" um instrumento típico das esquerdas dos anos 60: a panfletagem.

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Ontem, estava programada para exibição no auditório do anexo I do Palácio do Planalto o documentário "Hércules 56", do diretor Silvio Da-Rin. O filme entrevista nove remanescentes do grupo de 15 presos políticos que, em 6 de setembro de 1969, foram trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado dois dias antes, no Rio de Janeiro, pela Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), que lutavam contra a ditadura militar.

Mais ou menos no horário em que o filme era exibido, no horário do almoço, alguém com trânsito no Planalto afixou um cartaz criticando os esquerdistas que hoje estão - ou estiveram - no poder. O cartaz trazia a foto da propaganda do filme, na qual aparecem os 15 presos políticos à frente do avião da FAB que os levaria até o México. Abaixo, está escrito: "Aqui os criminosos são protegidos, os terroristas são homenageados e a lei é somente um incômodo".

Entre os prisioneiros que foram trocados estão o ex-ministro José Dirceu e os ex-deputados federais Ricardo Zaratinni e Vladimir Palmeira. O atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, foi um dos que participaram do seqüestro. Ele é um dos entrevistados no documentário exibido ontem. Procurado, Franklin preferiu não comentar sobre o cartaz adulterado.

Um dos cartazes estava colado no lado interno da porta do banheiro masculino que fica no térreo, próximo ao comitê de imprensa. O local é utilizado por jornalistas, seguranças, serventes, vez ou outra por algum militar.

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