"Ano após ano, os revanchistas lançam uma “denúncia” ou criam um fato novo, de preferência próximo de datas importantes para as Forças Armadas como o Dia do Soldado, o Dia do Aviador, o Dia do Marinheiro, a Semana da Pátria e os aniversários da Contra-Revolução de 1964 e da Intentona Comunista de 1935. Foram as falsas fotografias do Herzog; os arquivos “enterrados” na sede do antigo DOI de Brasília; a escavação da Fazenda 31 de Março, em São Paulo; a queima dos arquivos na Base Aérea de Salvador; a vala “clandestina” do Cemitério de Perus; os agentes “arrependidos” que denunciam, com inverdades e talvez por vantagens, os órgãos de segurança onde trabalharam; e muitos outros. Tudo publicado com estardalhaço e quase nunca desmentido."

Texto completo  

( trecho extraído do livro A VERDADE SUFOCADA - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça )

Esse ano não poderia ser diferente. Aproveitando a Semana do Exército, como sempre, alguns setores da imprensa começam a bombardear o povo com matérias tendenciosas e muitas vezes mentirosas sobre o regime militar.
Em matéria, de quatro páginas, intitulada – “OS BRASILEIROS QUE AINDA VIVEM NA DITADURA”, de Carla Rocha, Dimmi Amora, Fábio Vasconcellos e Sérgio Ramalho, publicada em O Globo – 19/08/2007- é abordado, “como pano de fundo” os direitos do cidadão e o direito à vida.

 Entre os temas abordados a reportagem fala da falta de democracia no morro, desaparecimentos, crimes sem castigo,tratamento desumano, muito trabalho e pouca renda. Fala sobre os problemas enfrentados pelos moradores dos morros, sobre a violência da polícia e sua impunidade, aproveitando a ocasião para comparar a situação atual ao regime militar.

Sob o título: “DEMOCRACIA NÂO SOBE O MORRO” (página 17) e Subtítulo: “Tráfico, milícia e polícia impõe regime de terror a 1,5 milhão de moradores de favelas do Rio, aonde ainda não chegaram os direitos garantidos pela Constituição”

Enxertada no meio da página, sob o título:

Regime restringiu direitos (página 17)

O trecho fala da violação dos direitos constitucionais durante o regime militar, da restrição de “direitos individuais e liberdade política dos brasileiros” e que “militantes foram presos e torturados”.

Uma das manchetes da matéria é:

Desaparecidos hoje ultrapassam 7 mil; na ditadura militar, 136 ( página 18)



Já na página 19 a manchete é :

2100: É o número de ossadas que seriam de militantes enterrados como indigentes no Cemitério de Ricardo de Albuquerque. Um terço delas foi transferido para o subsolo do Hospital Geral de Bonsucesso, mas é praticamente impossível fazer a identificação. O objetivo de parentes hoje é erguer no cemitério um memorial para homenagear as vítimas da ditadura .(página 19)

 

A incoerência é gritante. Na página 18, eles declaram que foram 136 desaparecidos no regime militar e na página 19, com números enormes, escrevem, que, somente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, estariam as ossadas de 2100 militantes.

Ainda de acordo com o livro A Verdade Sufocada, o total de mortos e desaparecidos em todo o Brasil, durante o regime militar, não chega a 400 . Conforme o trecho abaixo:

 “Nas relações existentes, o número de mortos e desaparecidos é variável. O Dossiê de Mortos e Desaparecidos Políticos relaciona 296; o Grupo Tortura Nunca Mais lista 358; perante a Comissão criada pela Lei 9.140, até 1996, foram protocolados 360 pedidos de indenização.

Tais diferenças, associadas aos critérios subjetivos apresentados pelos responsáveis pelas relações, não nos permitem concluir, com alguma precisão, quanto ao número de mortos pela ação dos órgãos de segurança do Estado.

Existem casos listados de mortos em confrontos com os órgãos de segurança; escaramuças de rua - balas perdidas, atropelamentos, etc -, casos de “justiçamentos” pelos próprios companheiros; disparos acidentais por armas portadas pela vítima; casos de mortes por explosões, ao portarem ou manusearem explosivos; casos de acidentes de trânsito; casos de conflitos agrários;casos de câncer; 8 falecimentos no exterior; e 13 desaparecimentos no Chile, na Bolívia e na Argentina que, inegavelmente, a meu ver, são impossíveis de atribuir-se responsabilidade ao Estado. Alguns deles vamos relacionar abaixo, sem que isso, no entanto, queira dizer que os restantes, em sua totalidade, sejam reconhecidos como de responsabilidade do Estado.”


 Não podemos compreender que um jornal como O Globo publique uma reportagem de tanto destaque, feita por quatro jornalistas, com tamanha incoerência. Será que não sabem que, mesmo se todos os mortos e desaparecidos na luta armada, tivessem sido enterrados como indigentes no Cemitério de Ricardo de Albuquerque o número de ossadas jamais chegaria a 400? Ou a manchete foi propositadamente mentirosa?

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